home notícias Gestão
Voltar Voltar
24/02/15
Insumos e medicamentos: o que acontece, dentro dos hospitais públicos
TCU realizou levantamento em 116 unidades para avaliar os motivos que levam à falta de equipamentos nas instituições públicas de saúde
Da redação
Relatório elaborado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta falhas de gestão logística, com impactos no atendimento ao paciente. A análise corrobora com a necessidade de terceirização desse serviço, a exemplo do que já acontece em áreas como segurança e limpeza, deixando para hospitais e unidades de saúde apenas o foco em sua atividade-fim: o cuidado à população.
 
O TCU realizou um levantamento em todos os Estados brasileiros para avaliar os motivos que levam à falta de medicamentos e insumos nas instituições públicas de saúde. Nas 116 unidades visitadas, foram apontadas falhas nos processos de licitação (59%), erros no gerenciamento dos estoques central e local (18% e 10%, respectivamente), problemas na distribuição dos bens entre as unidades (9%), falha na entrega pelos laboratórios nos prazos estipulados (9%), falta de comunicação sobre baixos níveis de estoque (9%) e expiração dos medicamentos (5%). “As razões são muitas, mas em sua maioria denotam a falta de uma gestão logística efetiva para dimensionar recursos financeiros, priorizar insumos de maior utilização, distribuir corretamente esses materiais e medicamentos entre as unidades do Estado e controlar o consumo, para programar a reposição em prazos adequados”, sinaliza Domingos Fonseca, Presidente da UniHealth Logística Hospitalar.

Os auditores encontraram ainda situações absurdas, como afixação de cartazes com esparadrapos, estocagem em corredores, uso de luvas estéreis em vez de luvas de procedimentos, utilização de agulhas de maior calibre - que dobram o tempo de diluição dos medicamentos - e uso parcial de insumos, com descarte da parte que sobrou e que ainda estava apta para o uso.

Se muitas vezes a aplicação incorreta se dá por falta dos suprimentos adequados, em outras os problemas são causados por negligência e até mesmo furtos por parte dos funcionários. Dos gestores entrevistados, o relatório do TCU apontou que 39% alegam haver desperdício de insumos por causa de hábitos inadequados ou negligentes das equipes. Entre os hospitais avaliados, 17% relataram que, muitas vezes, ocorrem restrições na realização de procedimentos em função da falta de suprimentos. Em outros, as soluções – todas inapropriadas - passam por substituição frequente de materiais por outros menos adequados e realização de procedimentos ou tratamentos. Há ainda empréstimos entre unidades, utilização de estoques de farmácias locais e aquisição direta de medicamentos pelas próprias unidades hospitalares. Os gestores reconhecem o problema: 53% afirmam não ter nenhum instrumento de gestão dos insumos, o que facilita a ocorrência de furtos, relatados com frequência, e a inutilização de materiais por perda do prazo de validade.

“Essa falta de controle acaba resultando em inúmeros problemas para as Secretarias de Saúde, que vão de erros no dimensionamento das compras ao comprometimento na segurança dos tratamentos oferecidos à população. Os “quebra-galhos” perpetuam os problemas nos estoques e geram superestimativa de alguns materiais, que são utilizados além de suas funções. Tudo isso colabora para a improvisação com o que se tem à mão”, afirma o presidente da UniHealth Logística Hospitalar.

Os órgãos públicos enfrentam desperdícios de insumos (39%) e falta de instrumentos básicos para a assistência (48%). Face à restrição orçamentária e ao número de pessoas na fila por tratamentos, consequentemente, as situações precárias de atendimento continuam sendo rotineiras no Brasil. Se há falta de pessoal habilitado internamente para tratar da logística hospitalar, torna-se urgente a aquisição de serviços de terceiros especificamente para esse fim, a exemplo do que já acontece em áreas como segurança e limpeza.

"Não se espera que o Estado detenha tão ampla gama de conhecimentos, mas sim que seja capaz de provisionar seus recursos para aquisição de bens e serviços que resultem em eficiência e segurança ao paciente. Mantendo o foco em sua atividade-fim,  o Estado pode fazer o que lhe cabe: cuidar da saúde da população" finaliza Domingos Fonseca.


PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.