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07/03/14
Justiça condena Hospital Vera Cruz (SP) por mortes após ressonância
Durante exames, vítimas receberam por engano injeção com substância química utilizada como isolante elétrico nas indústrias
Da redação

Campinas - A justiça condenou em primeira instância o Hospital Vera Cruz, em Campinas (SP), a pagar uma indenização de R$ 1 milhão, por danos morais, à família de uma das três vítimas que morreram após exames de ressonância magnética no crânio, em janeiro de 2013. As informações são do Estado de S. Paulo.

Durante os exames realizados na clínica Ressonância Magnética Campinas (RMC), que funciona no hospital, as vítimas - uma mulher de 29 anos e dois homens de 36 e 39 anos - receberem por engano uma injeção de 10 ml de perfluorocarbono, substância química utilizada como isolante elétrico nas indústrias. Logo após as ressonâncias, os três tiveram parada cardiorrespiratória. 

A condenação foi dada em ação movida pela família de Pedro José Ribeiro Porto Filho, de 36 anos, e a sentença do juiz Gustavo Pisarewski Moisés, da 6ª Vara Cível de Campinas, é do dia 28. A viúva da vítima também entrou com processo, mas ainda aguarda decisão. Para o magistrado, houve "falta de cautela" por parte dos réus. As famílias da administradora de empresas Mayra Cristina Augusto Monteiro, de 25 anos, e do zelador Manuel Pereira de Souza, de 39 anos, também podem ser indenizadas.

A Polícia Civil apurou que o produto que causou a morte, o perfluorocarbono, era utilizado na unidade sem o conhecimento das autoridades. Era aplicado em ressonâncias de próstata para melhorar a qualidades das imagens, mas sem contato com o organismo. Ele era inserido no reto através de um balão ou colocado em bolsas plásticas sobre a barriga.

Entretanto, a substância não pode entrar em contato com o sangue. No dia 28 de janeiro de 2013, uma auxiliar de enfermagem que estava em experiência há 10 dias na clínica confundiu o perfluorocarbono com soro fisiológico e o injetou na veia das vítimas. 

De acordo com a denúncia, o produto ficava sem identificação, em uma gaveta, acondicionada em bolsas plásticas de soro reutilizadas também sem identificação, e isso induziu a auxiliar ao erro. 

Criminal - Sete pessoas, incluindo diretores do hospital, respondem também por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - pela morte de três pacientes na 1ª Vara Criminal de Campinas. 

São réus no processo criminal os médicos José Luiz Cury Marins e Adilson Prando, ambos donos da clínica Ressonância Magnética Campinas (RMC), seus filhos, Marcos Marins e Patrícia Prando, que administravam a clínica, uma enfermeira e dois auxiliares de enfermagem.

Os administradores também respondem por fraude processual, pois atrapalharam as investigações ao omitir a utilização do produto que provocou as mortes e esconderam provas. 

A pena para homicídio culposo varia de 1 a 3 anos de prisão. A fraude processual pode resultar em até 4 anos de detenção. O advogado do hospital, Fernando Dahma Filho, informou que recebeu com surpresa a decisão do juiz. 

Ele esperava por uma audiência de conciliação antes da decisão e no seu entendimento, houve precipitação do juiz. Ele pretende recorrer inicialmente na Justiça, em Campinas, e depois no Tribunal de Justiça (TJ).



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