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25/02/13
Laboratório Cristália mantém foco em renovação
Segundo Ogari Pacheco, um dos fundadores e presidente do grupo, expansão orçada em aproximadamente R$ 160 milhões faz parte da estratégia de reforçar o DNA em inovação
Valor Econômico

Uma das principais parceiras do governo federal para a produção de medicamentos de alta complexidade atualmente, o laboratório nacional Cristália foi criado com o propósito de reduzir custos operacionais do sanatório administrado por seus fundadores. A empresa não é uma das maiores farmacêuticas em faturamento, mas sua reputação na área de inovação a coloca entre as grandes companhias do país. 

Fundado no início dos anos 70, o laboratório fica na cidade de Itapira, interior de São Paulo. A cidade, entre os anos 50 e 60, ficou conhecida nacionalmente como a "capital dos loucos", porque sediava importantes hospitais psiquiátricos da região. A Cristália tentou manter-se apenas como um sanatório, mas uma ideia ousada de um dos seus fundadores mudou os rumos da história da companhia. Ogari Pacheco, presidente e um dos fundadores do laboratório, que possui 50% das ações da empresa, sugeriu aos sócios montar um pequeno laboratório para produzir medicamentos para o nosso hospital psiquiátrico. "Eles me chamaram de maluco, mas bancaram o projeto".

O laboratório foi instalado ao lado do sanatório e, caso não desse certo, seria transformado em um pavilhão com mais leitos. Hoje, o hospital psiquiátrico virou um apêndice dentro do complexo industrial Cristália, que sedia duas unidades farmacêuticas, uma farmoquímica que produz insumos para medicamentos, uma unidade de produtos oncológicos, uma fábrica de biotecnologia e um centro de pequisa, desenvolvimento e inovação (P&D). 

Para os próximos 18 meses, a previsão é de que serão erguidas mais três unidades no local: uma fábrica de princípios ativos oncológicos, uma de peptídios (biomoléculas) para a produção de medicamentos biológicos e outra unidade de biotecnologia. Os investimentos nessas três unidades serão de aproximadamente R$ 160 milhões.

A expansão faz parte da estratégia da companhia de reforçar o DNA em inovação. A Cristália possui 49 patentes registradas e ganhou 24 das 56 parcerias de desenvolvimento produtivo (PDPs) para transferência de tecnologia com o governo federal. Boa parte do faturamento da companhia se deve à participação do laboratório em licitações públicas para fornecimento de medicamentos hospitalares. Em 2012 a receita bruta ficou em R$ 1,2 bilhão, aumento de 56% sobre igual período de 2011.

Na década de 70 o grupo começou a se relacionar com Brasília, quando a Cristália foi fundada, e a parceria se mantém firme até hoje. A companhia faz parte da Orygen Biotecnologia, superfarmacêutica criada com apoio do governo para produzir medicamentos biossimilares em sociedade com a Biolab e Eurofarma.

Após reduzir os custos operacionais do sanatório para produzir seus próprios medicamentos, Ogari Pacheco não pensou àquela época que iria tão longe. Formado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em cirurgia, Pacheco terminou a residência em 1966 e no ano seguinte recebeu um convite para montar uma clínica cirúrgica em Itapira. "Nesse mesmo período, recebi proposta para trabalhar meio período em um hospital psiquiátrico da cidade".

Foi nesse emprego temporário que, no início dos anos 70, Pacheco e outros três médicos decidiram investir em um hospital psiquiátrico próprio. O negócio prosperou e o grupo de quatro médicos comprou a propriedade e adquiriu outros dois hospitais  - vendidos posteriormente. 

O pequeno laboratório começou a produzir psicóticos para atender o próprio sanatório. Segundo Pacheco, eles começaram a vender a produção excedente. Poucos anos depois, começaram a participar de licitações para a venda de vários medicamentos para o governo. Hoje, a companhia comercializa cerca de 180 medicamentos.

Especializada em medicamentos mais complexos, com maior margem de preços, a Cristália decidiu montar nos anos 80 uma farmoquímica (empresa produtora de insumos) estimulada por um programa governamental de nacionalização de produtos. Essa verticalização foi e ainda é o diferencial da companhia farmacêutica - o país importa boa parte dos insumos para a produção de remédios. A Cristália exporta.

A companhia atualmente está sob o controle de duas famílias: Pacheco e Stevanatto, que dividem a sociedade meio a meio. Ogari Pacheco, aos 74 anos, continua firme no negócio. Os outros 50% estão em poder da segunda geração dos Stevanatto. Os outros dois sócios saíram do negócio há 30 anos quando a Cristália foi processada por produzir um medicamento para combater a tuberculose. "Fomos acusados de infringir a lei das patentes. O fato é que o Brasil não reconhecia patentes naquela época. Portanto, não estávamos infringindo nada. Decidimos continuar com o processo, que durou cerca de dez anos".

Com a forte onda de consolidação no setor farmacêutico, o empresário garante que enquanto estiver vivo, não vende o controle de sua empresa. E também não pretende abrir o capital da companhia, pelo menos no curto prazo. A empresa prepara-se para se tornar uma sociedade anônima (S.A.).



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