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12/07/13
O que as empresas de saúde podem aprender com o mercado financeiro
A Diagnóstico levantou cinco lições sobre o que os IPOS, bancos e fundos de investimentos têm a ensinar às empresas de saúde
Regiane de Oliveira



O que empresas de saúde como a Amil, Brazil Pharma, Laboratório Hermes Pardini, Grupo COI, Alliar, Odontoprev, Fleury e Grupo Delfim têm em comum? Todas elas, em momentos diferentes, tiveram aportes de empresas do mercado financeiro para alavancar seu crescimento. Mas, afinal, o que os IPOS, bancos e fundos de investimentos têm a ensinar ao setor de saúde? A revista Diagnóstico levantou cinco lições que podem ajudar no futuro das empresas do setor que buscam profissionalização.

Governança Corporativa
Em meio às muitas definições atribuídas a este termo, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) o define como: “Um sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os acionistas e os cotistas, conselho de administração, diretoria, auditoria independente e conselho fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade”.

Parece fácil? Pois o oncologista Nelson Teich, presidente do carioca Grupo COI sabe o desafio que é e a diferença que faz ter uma organização profissional na empresa. Em 2010, o fundo Axxon Private Equity Group adquiriu parte do negócio de olho na expansão da empresa, que atua em um nicho muito demandado do setor de saúde: o tratamento oncológico. “Passamos a ser mais rigorosos na expansão, colocando metodologia e números para serem julgados pelo conselho previamente”, afirma. “Com a governança corporativa, temos de fazer tudo de forma objetiva e clara”. Trazer profissionais do mercado é uma das primeiras exigências do conselho para criar uma cultura de planejamento, informação, tomada de decisão e processos.

Os resultados já estão à mostra: o faturamento cresceu 50% em 2012, chegando a R$ 120 milhões. E os planos de expansão começaram a sair do papel, a rede vai abrir dois novos laboratórios no Rio e vê potencial para crescer em mercados nos quais há déficit de tratamentos, especialmente no Nordeste.

Lei dos grandes números
O famoso conceito da probabilidade é uma das leis do setor financeiro. A teoria não explica muito. “Quando um experimento se repete um grande número de vezes, a probabilidade de um evento tende para a probabilidade teórica”. Isto é, qualquer estimativa probabilística baseada apenas em poucas observações não será muito confiável; é preciso escala.

“Quanto mais escala, maior a chance de um plano de saúde acertar uma mensalidade, por exemplo”, afirma Luiz Augusto Carneiro, superintendente do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS). “É mais fácil acertar o custo per capita com 1 milhão do que com 20 mil”.

Claro que isto funciona bem para as grandes empresas de saúde, especialmente as seguradoras ligadas ao bancos, que ganham com a venda de balcão. Mas não é uma realidade para a maior parte das empresas do setor. “O que as empresas de saúde menor podem fazer é considerar fusões, nem que sejam operacionais”, explica Carneiro. 
      
DNA do Risco
Os dados da Fenasaúde mostram que as 355 empresas de medicina de grupo, com seus 21 mil beneficiários, representam 28,9% da receita do setor, de R$ 94,3 bilhões (do acumulado do quarto trimestre de 2011 ao terceiro trimestre de 2012). As 13 seguradoras de saúde que atuam no setor, por outro lado, apesar de terem 6,6 mil beneficiários, representam uma fatia significativa: 20,3% do setor. Por que a diferença tão grande entre número de clientes e resultados? A cadeia de distribuição das seguradoras e o foco em um público de poder aquisitivo mais alto são as explicações mais prováveis para o fenômeno. Afinal, dadas as regulamentações atuais, não há praticamente diferença entre a operação da empresa de medicina de grupo e uma seguradora, certo? Errado.
 
Há algo escrito no DNA das seguradoras, que vem do mercado financeiro, que as diferencia das demais empresas do setor: a análise de risco. A identificação, mapeamento e listagem dos principais riscos a que uma atividade econômica está exposta é regra básica para as tomadas de decisão empresariais. “As maiores empresas do setor, as pioneiras, têm um DNA do risco, que vem do mercado financeiro. Este know how facilita os negócios”, afirma Roberto Westenberger, sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers. Operando de forma massificada, com foco no longo prazo e com uma análise de risco adequada, as seguradoras conseguem ter performance melhores quando comparadas a outras empresas do mesmo setor.

Rede de relacionamento
Network. Sim, o mercado financeiro entende muito bem disso. E Roberto Santoro, diretor-presidente do Laboratório Hermes Pardini, de Belo Horizonte, está aí para provar. Ele explica que uma empresa de saúde não é diferente de outras de setores diferentes: todas têm as mesmas necessidades de se adequar às boas práticas do mercado. “Desde 2007, trabalhávamos com um projeto estruturante para estabelecer governança, o que nos ajudou na hora de conseguir um sócio”, afirma.  No final do ano passado, o laboratório recebeu um aporte do fundo Gávea Investimentos. 

Santoro sabia que as coisas iriam mudar, mas não foi na área da gestão que ele viu a maior diferença. “Tivemos uma melhora em nossas relações institucionais. Os fundos têm outras empresas, o que permite o compartilhamento de inteligência”, conta. 

À parte as cooperativas, trabalhar em uma rede ainda é incomum para as empresas de saúde, especialmente as pequenas. “O fato de atuarmos em um setor sensível, que envolve ética no cuidado com pessoas, faz com que as empresas de saúde, geralmente, se fechem com foco em suas próprias práticas. A rede de transferência de inteligência e contatos e de relacionamento não existe.”

O executivo também ressalta outra característica que fez valer a pena a parceria. “De repente, parece que ganhamos um selo de qualidade, que ajuda a abrir portas”, diz. Santoro explica que a empresa de um private equity representa um selo de qualidade de boas práticas. “Um fundo não entra em uma empresa sem o mínimo de controle e balanço consistentes.”
 
A maior diferença está no olhar externo. “Os bancos já veem a empresa de forma diferente na hora de buscar financiamentos”. Ele ressalta, ainda, que é mito que vai haver uma intervenção do sócio. “Ter um fundo como  parceiro representa uma pressão maior, mas não é intervenção. As empresas devem se abrir, pois ainda precisamos de muito investimento privado na saúde”.

Transparência
Sim, as empresas do mercado financeiro batem nesta tecla da transparência insistentemente. Porém, o que deveria ser uma regra incorruptível mostrou que o sistema financeiro tem falhas que devem ser consideradas. Eventos recentes, como a crise financeira internacional promovida pela falta de transparência entre os agentes do setor financeiro, na maioria dos casos em nome da defesa dos bônus milionários que estes executivos recebiam pelos bons resultados em operações, mostraram que não é possível usar o mercado financeiro como benchmarking de transparência.

Os executivos ouvidos pela revista Diagnóstico deixaram claro: neste quesito, o mercado financeiro também tem que trabalhar bastante. Mas há boas práticas no setor, que podem servir de exemplo. Desde a ascensão da internet, nos últimos 12 anos, a área da saúde começou a descobrir que a transparência tornara-se uma demanda social. Se, por um lado, as más práticas das empresas são colocadas na rede, seja em sites de relacionamento ou mesmo do órgão regulador, do outro, a conectividade abre espaços para revolucionar as práticas de gestão da saúde. Compras online é um exemplo. 

Em busca de maior transparência de redução de custos, os hospitais vêm se aliando a novas plataformas, como a Bionexo, a fim de conseguir maior eficiência em sua compra. “Tanto no setor público, quanto no privado, vemos uma diferença muito grande com a utilização das plataformas da Bionexo”, conta Maurício de Lázarri Barbosa, diretor-presidente da empresa. A plataforma permite que hospitais e fornecedores tenham um relacionamento transparente, sem favoritismos. O resultado, em alguns casos: redução de 30% no custo das compras. 

A Bionexo atua como uma comunidade, formada por mais de 30 mil agentes do segmento de saúde e com braços fora do país, na Colômbia, Espanha, México e Argentina. A inovação trazida pelo modelo de negócio também chamou a atenção do setor financeiro. Em julho de 2012, a empresa recebeu um aporte do fundo de private equity americano Insight Venture Partners. 

*Ensaio publicado na revista Diagnóstico n° 20.



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