home notícias Gestão
Voltar Voltar
20/02/14
Lideranças do Congresso defendem SUS universal e gratuito
Em entrevista para a Diagnóstco, Darcísio Perondi e Humberto Costa, falam das mazelas e conquistas do Sistema Único de Saúde
Reinaldo Braga


Senador e ex-ministro da saúde, Humberto Costa (PT/PE): Debate sobre SUS tem feito do Congresso Nacional um dos principais alvos de críticas da sociedade brasileira sobre o futuro da saúde pública no país (Foto: Divulgação)

O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB/RS) – presidente da Frente Parlamentar de Saúde – e o senador e ex-ministro da Saúde do governo Lula, Humberto Costa (PT/PE), são as vozes mais ouvidas no país quando o assunto é o rumo da saúde pública no Congresso Nacional, em Brasília. Principais articuladores políticos das duas casas (Senado e Câmara), e com estilos bem diferentes, eles aceitaram o convite para um embate, no terreno das ideias, proposto pela revista Diagnóstico. “As pessoas vão viver mais. Haverá mais velhos e menos jovens e crianças. Mesmo assim, o governo atual não está preparando o Brasil para o futuro”, avalia Perondi, em uma reflexão sobre os impactos na saúde de um país cada vez mais idoso. Para o senador Humberto Costa, o Brasil vive um momento oportuno para avançar na melhoria da saúde pública a partir do poder central. “Recuperamos aquela forma de atuação suprapartidária, pela defesa dos direitos do SUS, que todos os parlamentares e militantes da área da saúde tinham”, salienta. “Espero que essa experiência continue”. 

Revista Diagnóstico – Em toda a sua existência, o SUS falhou em sua principal missão: levar a saúde universal e de qualidade para todos os brasileiros. O que deu errado?
Darcísio Perondi – Somente no ano passado, o SUS fez mais de quatro bilhões de procedimentos. Não existe um sistema similar em nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes. O SUS faz milagre com pouco dinheiro público. O que precisamos é ter humildade para fazer uma revisão do SUS. Dá para melhorar a gestão, mas o SUS é um sucesso por fazer muito com pouco dinheiro.
Humberto Costa – Poucos países no mundo fazem com qualidade o número de transplantes como fazemos, garantem tratamento de doenças graves como garantimos ou possuem um sistema de atendimento de urgência pré-hospitalar como o SAMU. O SUS procurou levar atendimento à saúde a toda população brasileira. Temos problemas? Sim. Mas estão localizados em pontos bem específicos, como o atendimento em áreas de média complexidade ou especializado. Não temos a quantidade de recursos para fazer o SUS como ele foi pensado. 


Deputado federal Darcísio Perondi (PMDB/RS): Ex-médico do SUS, parlamentar admite que já escolheu paciente que iria morrer por falta de equipamento (Foto: Divulgação)

Diagnóstico – Os senhores fazem parte de linhagens partidárias distintas, ainda que lutem pela mesma causa. É possível imaginar que teremos um futuro para a saúde dos brasileiros discutido de forma mais isenta, suprapartidária? O que ainda podemos evoluir sob esse aspecto?
Perondi – Como vivemos num sistema democrático, as políticas públicas passam pelos partidos, que precisam ter posição. Estamos no governo, mas estamos discutindo dentro e fora uma proposta para resolver definitivamente o problema de financiamento da saúde. Nós, líderes da base, enfrentamos a equipe econômica. O patrulhamento é muito forte.
Costa – Com o Movimento Saúde + 10 recuperamos aquela forma de atuação suprapartidária, pela defesa dos direitos do SUS, que todos os parlamentares e militantes da área da saúde tinham. Espero que essa experiência continue.

Diagnóstico – Os senhores já foram em algum momento usuários do SUS? Como foi essa experiência?
Perondi – Nunca fui usuário do SUS, mas fui médico da rede pública na minha cidade durante anos. Passei pela enfermaria do Hospital de Caridade de Ijuí e também fui provedor de um dos maiores hospitais filantrópicos do Rio Grande do Sul, grande parceiro do SUS. Já perdi paciente porque não tinha aparelho suficiente. Tive que fazer “escolha de Sofia” em uma UTI. Um caso marcante foi a visita que fiz recentemente ao Hospital Geral de Aracaju (SE). Um verdadeiro campo de guerra na emergência. Pacientes amontados à espera de atendimento. Presenciei a mesma cena na emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, que é público. 
Costa – Sim, em várias oportunidades. Desde o acesso às vacinas até atendimento de urgência. Em todas estas oportunidades não tive do que reclamar. É verdade que são áreas onde não estão os gargalos do sistema. Mas, mesmo assim, na parte de urgência, já tive atendimento a contento.

Diagnóstico – A bandeira de mais recursos para o SUS vai continuar sendo o norte do mandato dos senhores? 
Perondi – Enquanto eu for político, vou defender o SUS de forma intransigente, mesmo sabendo que a prioridade no país não é a saúde. Mas não podemos desistir. A sociedade está esperando de nós um comportamento firme pelos interesses da saúde da nação.
Costa – Sim. Será um dos nortes. A saúde será sempre o principal norte do meu mandato. Sem dúvida, a busca por mais financiamento para área continuará sendo um luta central de todos nós. No entanto, outros temas também são importantes: a responsabilidade sanitária, a instituição de carreiras nacionais para os profissionais de saúde e tantas outras bandeiras essenciais.

*Leia a entrevista completa no especial 25 Anos do SUS na revista Diagnóstico n° 23.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.