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16/01/12
Maísa Domenech: “Onde está o paciente na cadeia de valor?”
Articulista questiona sistema de saúde e a falta de um trabalho de “gestão do paciente”
Maísa Domenech*

O frenético dia a dia das instituições prestadoras de serviços de saúde é permeado pela contínua busca pela melhoria dos seus processos internos, por meio das tentativas de redução de custos e realinhamento de preços – os quais se constituem muitas vezes em árduas e penosas tarefas –, e também através da busca por uma equação que as possibilite sobreviver com prazos de pagamento de obrigações menores que os prazos de recebimento de receitas – o que é agravado muitas vezes por inadimplência, glosas, dentre outros. No meio deste emaranhado de fatores, somos obrigados a refletir sobre o Sistema de Saúde Suplementar ora vigente, assim como sobre o Sistema de Saúde no País como um todo e, principalmente, sobre o nível de importância dado ao paciente em tal sistema.

 

Atualmente, temos notícias constantes de usuários de planos de saúde cada vez mais insatisfeitos com o plano adquirido. As nítidas diferenças, anteriormente existentes, entre o atendimento nas unidades públicas de saúde e nas unidades particulares diminuem a cada dia, conferindo ao paciente do Sistema de Saúde Suplementar cada vez menos vantagens em relação aos dependentes do Sistema Único de Saúde, seja pela qualidade do atendimento, seja pela longa espera do mesmo. Além disso, a perda da credibilidade dos médicos é visível pela atitude dos próprios pacientes, e reconhecida, até mesmo, por entidades da própria categoria.

 

O sistema atualmente vigente, em que nas diversas relações entre os players do mercado não há foco e compromisso com o resultado e sucesso do paciente, justifica o caos hoje instalado e a perda de recursos financeiros ao longo de tais processos. O sistema de remuneração por procedimento; a consulta médica sumária e a consequente carga de exames complementares para se chegar a algum diagnóstico; a remuneração dita “por performance” que nada mais parece do que a tentativa de economizar recursos financeiros independentemente dos resultados e consequências para a saúde dos pacientes; e o estratosférico desembolso financeiro dos laboratórios farmacêuticos em marketing em lugar de maiores investimentos em estudos efetivamente científicos são algumas das justificativas para tal situação.

 

Sobre este tema tão complexo e inquietante, ouso apenas refletir e questionar.

 

Um sistema de “Saúde” voltado para cuidar da doença e regulado por interesses diversos conseguirá, em algum momento, transformar o paciente no seu objetivo principal? Não seria necessário intervir e redefinir a cadeia de valores como um todo? Trabalhar sobre a gestão do paciente e não do procedimento? Trabalhar de maneira efetiva a prevenção? Pensar na lógica da segurança, minimizando eventos não esperados dentro da prática clínica, através da utilização de protocolos e gerenciamento de indicadores médicos? Qualquer que seja a mudança, não deveríamos iniciar as ações necessárias a partir das escolas onde se formam os diversos profissionais que atuam na área de saúde? Considerando que o negócio é SAÚDE, cujos resultados são cruciais para a qualidade de vida dos pacientes (das nossas vidas), todos aqueles envolvidos não deveriam assumir tal responsabilidade? Será que a abordagem sobre os resultados médicos não favoreceria a redução de erros, tratamentos ineficazes, exames desnecessários, redução de custos e até mesmo contribuiriam para um melhor entendimento entre prestadores e compradores de serviços médico-hospitalares?

 

Como diz Michael E. Porter em seu livro Repensando a Saúde, “A competição na assistência à saúde tem que se transformar numa competição baseada em valor focada em resultados. Essa é a melhor, e a única forma de promover melhorias sustentáveis em qualidade e eficiência”. O autor ainda defende: “Quando prestadores e planos de saúde competem para alcançar os melhores resultados médicos para os pacientes, eles estão, antes de tudo, perseguindo os próprios objetivos”.

 

Sem dúvida alguma, o desafio é grande. As práticas de avaliação dos vários segmentos que integram o negócio Saúde precisam ser repensadas e transformadas, assim como a natureza da prestação dos serviços em prol do valor ao paciente, em prol do resultado em saúde. Buscar continuamente as soluções que, acima de tudo, conciliem qualidade, acesso, custo e ética é uma meta que deverá ser perseguida com total prioridade, já que a saúde é o bem maior do cidadão.

 

*Maísa Domenech é engenheira civil, pós-graduada em Administração Hospitalar e consultora.



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