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14/03/13
Médicos fazem cirurgia com luz de aparelhos celulares
Falha no gerador do Hospital da Mulher, em Araçatuba (SP), ocorreu durante uma cirurgia de laqueadura que não podia ser interrompida. Luz voltou logo após o procedimento ser concluído
Estado de S. Paulo

Araçatuba - Médicos do Hospital da Mulher, em Araçatuba, interior de São Paulo, foram obrigados a utilizar luz de aparelhos celulares para iluminar uma cirurgia de laqueadura. No início da cirurgia a energia elétrica do hospital caiu devido a uma falha no gerador e impediu que o procedimento fosse realizado normalmente. O caso aconteceu na quinta-feira (07) e está sendo apurado pelo Ministério Público Estadual. 

Segundo a paciente Carina Michele Bueno, 32 anos, que esperava pela laqueaura desde dezembro, foram os 30 minutos mais assustadores de sua vida. Ela conta que foi levada para a sala de cirurgia às 11 horas da manhã, e logo em seguida, após ser anestesiada, a luz acabou e o médico não teve como parar o procedimento.

De acordo com a paciente, assim que a energia acabou, o médico ficou nervoso, chamou algumas pessoas e pediu para que religassem a luz novamente porque se tratava de um procedimento de emergência. Enquanto esperava o gerador, as enfermeiras que acompanhavam o procedimento ligaram seus telefones celulares e deixaram a porta da sala aberta para aumentar a luz.

Carina contou que as enfermeiras apontaram três celulares em direção à sua barriga. Em seguida, o médico pediu que ela ficasse tranquila, e começou a cirurgia. "A bateria de um dos celulares ainda acabou, mas eles conseguiram fazer a operação", completou. A luz voltou logo após o procedimento ser concluído. A cirurgia demorou entre 20 e 30 minutos. 

Para Carina, o médico continuou porque achou que a energia seria restabelecida. "Acho que se ele soubesse que faltaria energia durante toda a cirurgia, ele teria adiado o procedimento, mas se isso ocorresse, não voltaria naquele hospital, não. E não quero voltar lá tão cedo", diz. O medo de da paciente se justifica. Em 2010, quando o hospital estava em crise, ela deu à luz no próprio quarto por causa da superlotação. 

Em nota, a Prefeitura de Araçatuba, que administra o hospital, informou que a queda de energia era programada, mas que decidiu manter a agenda porque o gerador estava em funcionamento normal. Ao saber da falha, a prefeitura disse que mandou a CPFL religar o abastecimento. Segundo a Prefeitura, o gerador, que está quebrado foi mandado para o conserto.

Segundo o Ministério Público, devido ao fato de a paciente não ter sofrido qualquer dano, o caso, mesmo sendo inusitado, está no contexto de uma ação civil pública ajuizada recentemente na qual pede a regularização de várias pendências constatadas no hospital. Em 2011, o centro cirúrgico do hospital havia sido interditado e a diretoria clínica teve de ser trocada após um caso em que 16 bebês morreram. 



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