home notícias Gestão
Voltar Voltar
12/12/12
Ética: Artigo aborda conflitos de interesses entre médicos e indústria
Publicação reflete sobre a prática de profissionais de saúde que expõem pacientes a procedimentos desnecessários em troca de comissões
Com informações da Folha de São Paulo

No meio médico, casos de cirurgiões que recebem comissões da indústria por indicarem seus produtos não é novidade. Recentemente, o Ministério Público Federal denunciou à Justiça dois médicos de Uberlândia (MG) acusados de implantar desnecessariamente marcapassos em pacientes da rede pública em troca de propina. De acordo com a denúncia, os profissionais envolvidos recebiam de 5% a 10% do valor do produto. Em alguns casos, a propina já chegou a mais de R$ 48 mil. Em cirurgias de coluna, por exemplo, o preço do material pode chegar a R$ 200 mil, e o bônus pago a médicos varia entre 10% e 20% do valor.

Segundo artigo de Cláudia Collucci, publicado pela Folha de São Paulo, nos EUA, algumas cirurgias de coluna, como as de hérnia de disco, estão na mira do governo devido ao fato de que, em 2008, os custos com o procedimento passaram de US$ 345 milhões, em 1997, para US$ 2,24 bilhões. Além disso, existem conflitos de interesses entre cirurgiões e a indústria de próteses investigados pelo Congresso americano. A suspeita é de que médicos estariam indicando cirurgias desnecessárias em troca de comissões.

Em 2011, o Wall Street Journal divulgou um relatório onde cinco cirurgiões do Norton Hospital, no Kentucky, foram acusados de receber, cada um, US$ 1,3 milhão da Medtronic, empresa líder em dispositivos para cirurgia de coluna. Segundo informou a empresa, o dinheiro se refere a royalties, já que os médicos ajudaram no desenvolvimento dos dispositivos. Entretanto, esses médicos estão entre os que mais indicaram cirurgias no Medicare – sistema público de saúde americano. Para se ter uma ideia, os parafusos usados em colunas custam US$ 2.000. No entanto, segundo o Medicare, o custo de fabricação não passa de US$ 100. No livro “The Treatment Trap”, a autora Rosemary Gibson explica que as cirurgias estão sendo feitas desnecessariamente ou em situações em que não há evidência de que vão funcionar.

Voltando ao Brasil, onde a situação é parecida, os conselhos de medicina até reconhecem o problema, mas alegam que não há denuncias. E sem denúncia, não há investigação. O primeiro passo para mudar essa situação, segundo a articulista, seria o país aprovar, assim como nos EUA, uma lei para obrigar as indústrias de medicamentos, equipamentos, órteses e próteses a divulgar a lista de médicos que prestam serviços a elas e o valor recebido. Cerca de 12 empresas realizam este procedimento, mas por força de decisão judicial.

O ProPublica – organização americana de jornalismo investigativo sem fins lucrativos –, montou um banco de dados com todas essas informações. Segundo a organização, qualquer cidadão americano pode pesquisar, na própria internet, se determinado médico recebe dinheiro da indústria. Basta colocar o nome e o Estado onde o profissional atua. E com o avanço das novas tecnologias em saúde, os conflitos de interesses tendem a aumentar. Alguns médicos se defendem das acusações desse tipo e afirmam que jamais receitariam um remédio pior apenas porque recebeu um brinde, uma viagem ou um jantar do laboratório que a fabrica.

Mas muitos estudos mostram o contrário. Uma análise publicada no “Jama”, em 2000, mostrou que a eficácia desse tipo de marketing é tamanha que as farmacêuticas dedicam a ele até 30% de seus orçamentos. Segundo o trabalho, o ato de pagar uma viagem para um profissional aumenta entre 4,5 e 10 vezes a possibilidade de ele receitar as drogas produzidas pela patrocinadora. 

E sobra para os pacientes, que correm riscos com cirurgias e procedimentos médicos desnecessários. Collucci conclui que, no mínimo, os pacientes deveriam criar o hábito de perguntar ao médico se ele possui algum conflito de interesse na indicação de um determinado remédio ou procedimento. "Seria ingênuo imaginar que isso, por si só, iria coibir propinas e afins, mas pelo menos criaria uma relação de mais transparência entre o médico e o paciente. O efeito inusitado - e que as más línguas juram que já anda acontecendo - será o paciente começar a exigir a sua parte também", finaliza.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.