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20/10/14
Médicos se posicionam em campanha e geram polêmica
Para o jornalista Kiko Nogueira, Mais Médicos originou oposição da categoria a Dilma
Da Redação

Depois do anúncio oficial da Associação de Médicos do Brasil (AMB) de apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) para a Presidência da República, realizado na semana passada, o jornalista e diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo, Kiko Menezes, publicou um artigo relatando o papel dos médicos nestas eleições. Para o jornalista, o programa Mais Médicos foi um dos principais motivos que influenciou a classe médica a fazer uma forte oposição à presidente Dilma Rousseff.

Leia abaixo na íntegra a postagem de Kiko Nogueira no site Diário do Centro do Mundo.

Toda generalização é perigosa, inclusive essa, mas se houve uma categoria que surpreendeu nessas eleições é a dos médicos. Não necessariamente pelas melhores razões.

Desde a gritaria xenófoba com os cubanos do programa Mais Médicos até as recentes manifestações de ódio aos nordestinos — uma senhora sugeriu um holocausto na região –, eles foram responsáveis, em sua grande maioria, por um vale de lágrimas.

O corporativismo deu as caras de um jeito feio, sujo e malvado. No domingo passado, desembocou no apoio da Associação Médica Brasileira a Aécio, que afirmou que não vai, se eleito, “financiar a ditadura cubana, como ocorre hoje”. O que ele pretende “é que não haja mais necessidade de estrangeiros no Brasil.”

O maluco que chamou Dilma de “grande filha da puta” nas redes sociais não é uma exceção. Milton Simon Pires, de Porto Alegre, recebeu uma advertência carinhosa do presidente do Conselho Regional do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Weber Matos. Não se trata de um problema “ético” e Milton não estava fazendo aquilo como profissional, mas como cidadão. Vai saber o que é problema ético segundo esse pessoal.

Pires é uma figurinha conhecida na direita lelé. Conseguiu fazer uma releitura do juramento de Hipócrates, amplamente compartilhada por seus amigos. É assim: “Juro por Deus, juro como médico, como homem e como brasileiro, não dar um minuto de trégua, de paz ou de descanso a essa organização criminosa e associada ao narcotráfico que humilhou minha profissão perante os médicos de todos os outros países – o Partido dos Trabalhadores. Nem todas as enfermeiras, técnicos, fisioterapeutas e psicólogos do país juntos vão conseguir me parar!”

Como é que um sujeito desses pode atender alguém se está tão ocupado combatendo o Mal Supremo? E se o paciente — cliente, segundo a nova nomenclatura — for, que azar, petista? O que Simon faz? Deixa gaze no abdômen? Se recusa a atender? Doctor Simon é chegado de Lobão e já participou de um de seus famigerados hang-outs. Os dois dividem a mesma paranoia anticomunista.

Houve algumas tentativas de correção de rota. Tímidas. No ano passado, num debate sobre o mercado de trabalho na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Miguel Srougi, professor titular de urologia da USP, ensaiou um mea culpa. “Erramos. Não soubemos fazer o diagnóstico da situação. A população ficou contra a gente”, disse, sobre os ataques ao Mais Médicos.

Alguns de seus colegas admitiram o “grande equívoco”. “Tive vergonha”, afirmou o professor de patologia da USP Paulo Saldiva, se referindo à histeria nos aeroportos.

Não durou muito tempo. Com a ascensão do aecismo furibundo, os homens de jaleco se sentiram à vontade para berrar seu preconceito. Um grupo criado no Facebook que recebeu o nome “Dignidade Médica” reuniu um número assombroso de mentecaptos falando, por exemplo, na “necessidade de sermos terroristas para nos colocar no nível de conversa que pobre entende”

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou recomendando a instauração de procedimentos criminais ou administrativos contra os autores dos posts.

No início do mês, folhetos foram distribuídos entre a classe em Minas Gerais. O texto tinha como título “Sou médico, não voto PT”. Treze nomes conhecidos assinavam a peça, que declara a necessidade de “banir o PT do poder”.

Não havia nada mais importante para fazer? Na sexta (17), o Ministério Público de Minas ajuizou uma ação contra o governo por suposta fraude orçamentária nos gastos com saúde durante a gestão de Aécio, de 2003 a 2010. É requisitado o ressarcimento aos cofres públicos de 1,3 bilhão de reais.

O estado também é acusado de maquiar outros 4,3 bilhões que deveriam ter sido gastos entre 2003 e 2008. Uma promotora propôs, em 2010, uma ação de improbidade administrativa contra Aécio.

Não houve protesto, não houve nada. O importante, para eles, é fazer proselitismo eleitoral de baixo nível. A saúde que se exploda. 2014 será lembrado como o ano em que Mister Hyde prendeu Doutor Jekyll no armário e saiu para passear pelo país tocando o terror branco.

Confira a postagem original aqui.



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