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09/08/13
Na Índia, empresário reduz cirurgias pela metade do preço
Com 21 centros médicos, Devi Shetty economiza na roupa cirúrgica e no ar condicionado: ponte de safena sai por US$ 1,5 mil
Bloomberg Businessweek

Devi Shetty mantém fotos de Madre Teresa e de Mahatma Gandhi em sua mesa e é obcecado por tornar a cirurgia cardíaca financeiramente acessível a milhões de indianos. Mas esses dois fatos não têm ligação entre si. Shetty é um cirurgião cardíaco que virou empresário e fundou uma rede de 21 centros médicos operante em toda a Índia. Reduziu os custos comprando roupas cirúrgicas mais baratas, desprezando ar-condicionado e adotando medidas de aumento de eficiência. Isso ajudou a reduzir o preço da cirurgia de ponte de safena para 95 mil rúpias (US$ 1.555) - metade de seu custo de 20 anos atrás. Quer diminuí-lo para US$ 800 dentro de dez anos. O mesmo procedimento custa US$ 106.385 na Cleveland Clinic, de Ohio, segundo dados dos Centers for Medicare & Medicaid Services, do Departamento de Saúde dos EUA, que administram, respectivamente, a assistência médica federal para pessoas de mais de 65 anos e para pessoas de baixa renda.

"Isso mostra que os custos podem ser significativamente contidos", disse Srinath Reddy, presidente da Federação Mundial do Coração, sediada em Genebra. "É possível prestar assistência cardíaca de qualidade muito alta a um custo relativamente baixo."

Especialistas da área médica como Reddy acompanham a empreitada de perto, para ver se a severa contenção de custos de Shetty pode servir como modelo para tornar operações cardíacas mais lucrativas e mais acessíveis a pacientes da Índia e de outros países emergentes. "O preço atual de tudo o que se vê na área de assistência médica é predominantemente oportunista e resultante da ineficiência", diz Shetty, que abriu o hospital que é o carro-chefe da empresa, o Narayana Hrudayalaya Health City, em Bangalore em 2001.

Controlar custos é fundamental na Índia, onde mais de dois terços da população vive com menos que US$ 2 ao dia e 86% da assistência médica é paga por pessoas físicas. Os gastos per capita com saúde são de menos de US$ 60 ao ano. Um estudo da Fundação de Saúde Pública da Índia e da London School of Hygiene & Tropical Medicine detectou que, na Índia, doenças não transmissíveis como cardiopatias são hoje mais comuns entre os pobres do que entre os ricos.

Um em cada quatro indianos morrem de enfarte, mas o país faz apenas de 100 mil a 120 mil cirurgias cardíacas ao ano, bem menos que 2 milhões de procedimentos estimados por Shetty como necessários. "A urbanização acelerada na Índia mudou os padrões alimentares e do estilo de vida", diz Usha Shrivastava, diretora de saúde pública da Fundação Nacional de Diabetes, Obesidade e Colesterol. "Isso está causando esse salto das doenças cardiovasculares."

Shetty pretende reforçar com 30 mil leitos, nos próximos dez anos, o número de 6 mil leitos oferecidos atualmente por seus hospitais, e identificou 100 cidades indianas com populações de 500 mil a 1 milhão de habitantes que não têm hospital do coração.

Toda essa expansão depende de seu sucesso em manter os custos baixos. Um hospital pré-fabricado de um só andar, na cidade de Mysore, custou US$ 6 milhões à empresa de Shetty e levou apenas seis meses para ser construído, diz ele. Para reduzir os custos com energia, apenas as salas de operação e as unidades de terapia intensiva do hospital têm ar-condicionado. Shetty também economiza eliminando exames pré-operatórios desnecessários. A coleta de urina para exames, antigamente rotineira antes da cirurgia, foi eliminada quando só um número pequeno de casos detectou presença de bactérias nocivas. E a rede usa softwares da internet para gerir a logística, em vez de licenciar ou montar sistemas caros para cada hospital.

Quando Shetty não conseguiu convencer uma fabricante europeia a baixar o preço dos aventais e panos cirúrgicos descartáveis para um nível acessível, persuadiu um grupo de empresários de Bangalore a fabricá-los - a preço 60% inferior.

*Com informações do Valor Econômico e do Bloomberg Businessweek.



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