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04/10/13
Novela transforma hospital em ambiente de crimes e gera polêmicas
Amor à Vida, da Rede Globo, já gerou insatisfações entre entidades médicas, laboratórios e enfermeiros. Emissora reforça que os folhetins não têm vínculo com a realidade
Adalton dos Anjos

Um hospital virou o "protagonista" da novela das 21h, da Rede Globo, horário e canal mais nobres da TV brasileira. Todo o enredo do folhetim, intitulado Amor à vida, se vincula à instituição que virou palco de inúmeros crimes e atitudes questionáveis do ponto de vista ético entre os profissionais de saúde. O desenrolar da história dos personagens provocou a ira de diversas associações e entidades representativas de profissionais do setor de saúde por retratarem procedimentos e atitudes incompatíveis com o ambiente hospitalar. Entre os grupos que protestaram estão os cardiologistas, dermatologistas, enfermeiros e laboratórios de DNA. 

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) fez a mais recente crítica ao folhetim e enviou uma nota de esclarecimento à emissora. Eles reclamam da condução do tratamento psiquiátrico dado à personagem principal da novela. A protagonista passou por terapia de eletrochoque e era diariamente dopada por remédios a partir de um diagnóstico propositalmente errado da psiquiatra. “Nosso intuito com a carta foi apenas esclarecer ao autor e a população, prestando assim um serviço não só aos familiares, mas aos pacientes”, explicou ao portal Diagnósticoweb a gerente geral da ABP, Simone Paes. 

Os profissionais da categoria acreditam que os prejuízos à imagem da profissão são imensuráveis. “A abordagem foi preconceituosa e reforça o estigma em desfavor dos doentes” opinou Simone. O autor da novela informou por meio da assessoria de imprensa que tem assessores especializados para lhe ajudar na criação da história. A APB se colocou à disposição da emissora para consultorias e para evitar que os mais de 40 milhões de pacientes psiquiátricos do Brasil sejam desrespeitados.

Enfermeiros indignados - Os enfermeiros foram um dos primeiros grupos a se manifestar logo após a estreia da novela. O Conselho Federal de Enfermagem organizou um abaixo-assinado contra a forma que os profissionais estavam sendo retratados. Frases como: "enfermagem é o playground dos médicos" e "é mais fácil contratar uma enfermeira do que uma empregada doméstica", ditas por um dos personagens revoltaram integrantes da categoria.

"Antes de partirmos para esta decisão, fomos à imprensa explicar as razões da nossa indignação. Mas, a TV Globo não nos deu atenção. Da mesma forma, o autor Walcyr Carrasco”, informava nota publicada junto ao link para a coleta de assinaturas que mobilizou 7 mil pessoas entre julho e setembro. O Coren-RJ alega que ofereceu-se para orientar o autor da novela quando a obra estava na fase de pré-produção. A Federação Nacional de Enfermeiros também notificou a emissora.

Cardiologistas e dermatologistas preocupados - Os médicos também relatam desde o primeiro capítulo do folhetim diversos erros no andamento das cenas que reproduzem alguns procedimentos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a personagem grávida que morreu de parto junto com o bebê por conta de uma crise hipertensiva não poderia ter passado por uma tentativa de ressuscitação através do desfibrilador, já que a parada cardíaca foi em assistolia (coração totalmente parado) e em ritmo não chocável. As manobras de RCP usadas de maneira errada contribuem, segundo a entidade, para desinformar o público.

Os dermatologistas enviaram uma carta à emissora com a mesma preocupação quanto aos procedimentos dos personagens que representam a categoria e, assim como os enfermeiros, ofereceram ajuda ao autor. Segundo a carta, a personagem Amarilis, durante uma consulta, disse que desconhecia o que é o HLA - antígeno de histocompatibilidade, assunto que faz parte da rotina de um profissional que cuida da pele. "A medicina brasileira vive um momento delicado e nossa especialidade luta por uma prática de qualidade", disse em nota a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Gestores ponderam – O presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Luiz Aramicy Pinto, acredita que a “categoria é forte” e a novela fica no ar apenas por alguns meses. “Precisamos condenar as condutas irregularidades, não aceitamos determinados comportamentos, mas acho que a imagem do setor hospitalar privado não será atingida com a obra”, declarou. 
Questionado sobre possíveis reclamações que tenham chegado dos associados, o presidente informou que nenhum registro foi documentado.  A informação foi a mesma passada pela Associação Médica Brasileira (AMB) à reportagem. 

DNA falsos - Dois laboratórios de DNA, que não tiveram os nomes revelados, emitiram em julho uma reclamação formal às novelas da Globo, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Tanto o folhetim das 21h, quanto o das 19h, intitulado Sangue Bom, abordam em seus enredos trocas de resultados de exames de DNA, que colocam em risco a confiabilidade e a imagem dos serviços prestados por estas empresas no dia-a-dia, segundo elas. 

Cenário hospitalar - Outras cenas do folhetim foram motivos de polêmica. O hospital já foi palco de um assassinato de uma enfermeira por uma médica, de uma entrada de um recém-nascido sem qualquer registro e da falsificação de documentos dentro da instituição. Além disso, houve uma tentativa de assassinato de uma criança internada por um dos diretores da unidade através de uma alteração da medicação administrada e flagras de médicos mantendo relações sexuais nas dependências do hospital. Outras categorias profissionais também se manifestaram contra as representações encenadas na novela, a exemplo de advogados e de veterinários.

Qual o limite? - A Rede Globo informou em nota divulgada à imprensa que "as telenovelas são obras autorais de ficção e as histórias são resultado unicamente da imaginação do autor, estão no terreno da fantasia, sem vínculo necessário com a realidade". Os enfermeiros e psiquiatras informaram que entendem o fato de a obra ser de ficção, mas acreditam que as novelas influenciam a opinião dos telespectadores.  “Acreditamos que por se tratar de grande difusora da informação de massa, um retrato mais saudoso e fiel deva ser representado”, finalizou Simone da APB.

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