home notícias Gestão
Voltar Voltar
16/01/15
O que acidentes aéreos podem ensinar para a saúde
Desastre envolvendo o então candidato à presidência Eduardo Campos pode ter sido causado por sequência de falhas humanas
Da redação

A investigação da Aeronáutica sobre a queda do avião que matou o candidato à Presidência Eduardo Campos, em agosto de 2014, concluiu que o acidente foi causado por falha humana. Conforme o laudo divulgado pelo jornal Estado de S. Paulo, uma sequência de erros do piloto, agravados por desentendimentos entre os membros da tripulação, teria causado o desastre.

Leia mais:

Entre as circunstâncias apontadas para explicar o desastre, como a chuva, a neblina e a pista da Base de Santos, que é considerada difícil, está o histórico de atritos entre piloto e copiloto. A falha humana explica alguns dos principais acidentes aéreos, como o ocorrido em Tenerife, Espanha, em 1977 – o maior desastre aéreo já registrado, que vitimou 583 pessoas –, e o acidente com o Boeing 737-200 da Varig, em 1989, que se perdeu enquanto sobrevoava a selva amazônica, no Brasil, quando o avião precisou fazer um pouso forçado e 12 pasageiros morreram.

Saúde – Assim como na aviação, o erro humano também pode dizimar vidas na saúde. A comparação diz respeito à publicação Beyond the checklist: what else healthcare can learn from aviation teamwork and safety (Além do checklist: o que mais a saúde pode aprender do trabalho em equipe e segurança da aviação, em tradução livre). Lançado em 2013, o livro – ainda sem tradução no Brasil – demonstra como a assistência ao paciente melhoraria se os prestadores de saúde se apoiassem nas lições do trabalho em equipe e de segurança das companhias aéreas, que transformaram o avião em um dos meios de transporte mais seguros do mundo.

Conforme os autores, a jornalista Suzanne Gordon, o piloto Patrick Mendenhal e a PhD em medical humanities Bonnie Blair, a história da aviação pode oferecer respostas em relação a como tornar os procedimentos em saúde mais seguros, evitando erros médicos e riscos desnecessários.

Para a coautora do livro, Bonnie Blair, os problemas da comunicação e da “hierarquia tóxica” – como definem os autores do livro – na saúde são culturais, e só serão resolvidos com a conscientização e treinamento das novas gerações de médicos, enfermeiros e demais profissionais do setor, da mesma  forma  que aconteceu na aviação. Professora de pediatria do Alpert Medical School of Brown University (Rhode Island), ela defende o fim da educação interprofissional na saúde, através de um programa mais voltado para a socialização e o respeito mútuo entre as diversas categorias, o que já vem acontecendo em alguns em hospitais do Reino Unido e Canadá. Como toda mudança cultural em larga escala, Bonnie acredita que essa transformação pode levar tempo e encontrar fortes resistências. “Como os antigos comandantes, alguns médicos enxergam nesse processo uma ameaça à posição hierárquica deles, sem entender que o trabalho em equipe vai favorecer a todos os envolvidos”, lamenta.

“Trabalho em equipe requer a entrega de centenas de passageiros a salvo no seu destino, da mesma forma que é necessário para evitar erros médicos nos hospitais”, defende o comandante Chesley Sullenberger, que assina o prefácio do “Beyond the checklist”. Sully, como ficou conhecido, ganhou os holofotes da mídia internacional quando liderou, em 2009, o pouso de emergência do voo 1549 da US Airways no Rio Hudson, em Nova Iorque, em uma operação que foi a “prova dos nove” do programa CRM. No episódio conhecido como “o milagre no Hudson”, um grupo de aves atingiu o Airbus A320 pouco depois da decolagem, enquanto o avião ganhava altitude. Com as turbinas em chamas, sem condições de retornar ao aeroporto, a única alternativa era chegar ao rio em queda livre, evitando as embarcações, e evacuar o avião antes que submergisse. A operação foi um sucesso. Sully e sua equipe conseguiram salvar os 150 passageiros a bordo, protagonizando um case da aviação. 

Em Roslyn, Nova Iorque, o hospital St. Francis, referência em cardiologia nos Estados Unidos, adotou em 2011 o programa LifeWings, baseado no CRM. O projeto incentiva médicos, enfermeiros e demais colaboradores da equipe médica a se manifestar caso notem ameaças à segurança do paciente. “Treinamos nossos profissionais como as equipes de voo, porque entendemos que a segurança do paciente está acima de tudo”, afirma o diretor médico do hospital, Jack Soterakis. 

Na história da aviação, assim como na rotina de um hospital, os assistentes de voo carregavam pequenos cadernos de anotação, onde listavam as idiossincrasias pessoais dos diferentes “comandantes”. Suzanne compara a antiga realidade de dentro das cabines à das salas de cirurgia, onde “as enfermeiras catalogam as variadas preferências dos cirurgiões retrógrados”. Hierarquia essa também favorecedora, segundo o livro, de que muitas das falhas cometidas durante os procedimentos em saúde não sejam notificadas a quem é de competência. “E quando os erros são comunicados, hospitais não se esforçam para solucionar os problemas que geraram o erro”, denuncia a publicação.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.