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14/01/13
Perfil: A história do empresário referência em radiologia no estado de Pernambuco
Em franca expansão nos negócios, Boris Berenstein não perde o foco no que o fez crescer: a relação com os clientes
Gilson Jorge


Filho de imigrantes romenos, o médico e empresário foi pioneiro no Recife em oferecer diferentes exames de imagem em um mesmo lugar (Foto: Marcelo Soares)

Mesmo comandando um grupo que emprega cerca de 300 pessoas e que deve faturar R$ 28 milhões este ano, o médico Boris Berenstein, 62 anos, circula pelo seu escritório, no centro do Recife, com a simplicidade de quem está se preparando para o almoço de domingo com a família e amigos. Voz mansa, sorriso suave e constante, o homem que reinventou a rotina de diagnósticos por imagem em Pernambuco usou, desde o início, a relação com os pacientes como um dos seus principais ativos para crescer.

Filho de imigrantes romenos que enfrentaram na Europa o horror do nazismo e, no Brasil, a falência do primeiro negócio da família, Boris parece não se impressionar com o sucesso pessoal obtido em 24 anos como empresário. Para o pernambucano que se tornou uma das maiores referências em radiologia no país, a medicina é uma paixão através da qual pode se conectar com os outros.

“Sempre digo a meu filho León que o mais importante nessa profissão é poder ajudar, conversar com as pessoas”, orgulha-se o empresário, que, com o crescimento da família e dos negócios ao longo de duas décadas e meia, já tem como colaborador direto o seu primogênito, chefe do setor de radiologia do Grupo Boris Berenstein.

Iniciado casualmente nessa especialidade, quando um professor da faculdade o convidou para estagiar em sua clínica, Boris dedicou-se a datilografar prontuários de pacientes, uma experiência que seria crucial na formação de sua futura empresa. 

Ao ver todas aquelas anotações sobre a saúde das pessoas que atendia, o jovem estudante pensou que elas poderiam fazer boa parte dos exames em um mesmo lugar. Assim nasceria, em 1988, a Boris Berenstein Imagem e Laboratório. Ou, como gosta de definir o empresário, o início de sua “carreira solo”.

O homem que quase desistiu dos estudos para ajudar a família, após a morte do pai, e que começou a vida profissional vendendo ações de grandes empresas nordestinas, abria seu próprio caminho. “Ele é um visionário”, afirma a presidente da Unimed Recife, Maria de Lourdes Correia de Araújo, que conhece Berenstein há 25 anos, ressaltando o modus operandi do amigo: enxergar oportunidades, trabalhar com afinco e prestar atenção em quem está ao seu redor. “Eu não conheço alguém que saiba ouvir tanto as pessoas quanto ele”, destaca.  

O modelo desenvolvido por Boris, pioneiro em Pernambuco, prosperou rapidamente e, duas décadas e meia depois, o serviço virou referência no estado. O grupo se espalhou por outras quatro unidades na Região Metropolitana do Recife e até o fim de dezembro abre a sua primeira unidade no interior do estado, em Arcoverde.

Importante polo regional do sertão pernambucano, o município vai passar a contar com uma vasta gama de serviços médicos, incluindo ressonância magnética, num investimento total de R$ 2,5 milhões, feito com parceiros locais. Sobre os planos de continuar a expansão da sua empresa, Berenstein anima-se: “Pernambuco está crescendo como a China”.

Cresce também a visibilidade da marca em todo o Brasil, e algumas empresas manifestaram interesse em comprar o Grupo Berenstein. O seu criador admite o assédio, mas afirma sua intenção de permanecer ainda por muitos anos à frente dos negócios. O certo é que a valorização atingida pela empresa mostra que ainda há muito por alcançar.

Um destino grandioso para o filho de um casal de imigrantes judeus que fugiu da Europa em plena Segunda Guerra Mundial, escapando da perseguição nazista, e que escolheu recomeçar a vida do zero no Recife, cidade que já contava àquela época com uma considerável população judaica, inclusive membros da família Berenstein, que vieram antes e ganhavam a vida vendendo móveis.  Essa também seria a forma com a qual o recém-chegado casal criaria os filhos, incluindo o pequeno Boris, nascido dois anos após o desembarque no Brasil, e que se tornaria, décadas depois, o representante máximo daquela comunidade, como presidente da Federação Israelita de Pernambuco.

Mas, há quatro décadas, Boris quase mudou o rumo de sua vida. A morte do pai, nos anos 1970, fez o então universitário pensar em largar os estudos para ajudar no sustento da família. A mãe, Pola, não permitiu e assumiu ela mesma a condução dos negócios até que a loja de móveis, em crise financeira, fechasse as portas.

Guarda-roupa de papelão – Boris decidiu trabalhar como vendedor de ações, mas seguiu com os estudos. Quando recebeu o primeiro salário, o jovem estudante programou uma farra para comemorar a vida nova. Seu plano, entretanto, foi abortado por uma imposição de dona Pola, hoje com 92 anos, que serviria como exemplo para toda a sua vida profissional: ele foi obrigado a poupar a metade do que ganhava.

A austeridade marcou os primeiros anos da empresa, mais do que em qualquer outra época. “Usávamos a embalagem do aparelho de raio-x como nosso guarda-roupa”, lembra Boris, sobre o início do empreendimento, quando ele e Mary, com quem havia casado recentemente, alugaram uma casa no bairro do Derby para trabalhar e morar ao mesmo tempo. Ele sabia que estava começando algo que podia ser grande e não se importava com os incômodos iniciais. “Sempre lembro daquela frase: somente no dicionário o sucesso vem antes do trabalho.”

Os investimentos feitos por Berenstein são movidos por uma série de fatores, como o acelerado crescimento da economia pernambucana e a consequente elevação da demanda por serviços de saúde, as relações cultivadas com os clientes e, principalmente, o pragmatismo de um homem acostumado a enxergar soluções para os seus negócios e para as pessoas que trabalham com ele.

Funcionários entram sem anúncio prévio na sala onde os Berenstein trabalham, no casarão do Derby, decorada com fotos da família e de cada uma das unidades do grupo. No estacionamento no pátio da empresa não há vagas reservadas à diretoria, embora tenha-se estabelecido o costume de que o carro de Boris para sempre no mesmo lugar. Dois taxistas e um flanelinha que trabalham em frente ao escritório costumam participar das festas de confraternização da empresa.

O filho mais velho do empresário, León Berenstein, vê esse clima de trabalho entre amigos como o grande capital do grupo, que realiza cerca de 30 mil exames por mês e conta muito com a propaganda boca-a-boca. O jovem médico se inspira em Boris para tocar o negócio da família. “Ele trabalha pensando nas pessoas”, afirma o primogênito, batizado com o nome do avô paterno.

Além da dedicação ao trabalho, Boris cativa funcionários e clientes pela gentileza e pelo bom humor com que enfrenta a rotina da empresa. Não grita com os trabalhadores e nem buzina se a sua vaga predileta no estacionamento estiver ocupada pelo automóvel de outra pessoa.

O crescimento dos negócios e o envolvimento da família não significaram uma redução no ritmo de trabalho de Boris, que continua acordando todos os dias às 5h20. Mas ele está cada vez menos presente no escritório e se dedica principalmente ao planejamento da empresa. “Ele vai tendo as ideias, criando as coisas, e eu fico aqui organizando, vendo como colocar em prática”, diz Mary, sorrindo.

*Matéria publicada na revista Diagnóstico n°17.



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