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17/04/15
Provedor da Santa Casa de Misericórdia de SP renuncia ao cargo
Kalil Rocha Abdalla deixou o cargo após a Justiça autorizar a quebra do seus sigilos bancário e fiscal. Em 400 anos, está é a primeira vez que um provedor da instituição renuncia
Estado de S. Paulo

São Paulo ­ Kalil Rocha Abdalla renunciou, nesta quinta-­feira (16), ao cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, após a Justiça autorizar a quebra do seus sigilos bancário e fiscal. Em 400 anos, está é a primeira vez que um provedor da instituição renuncia. A Santa Casa atravessa uma das maiores crises de sua história, e seus gestores estão na mira do Ministério Público Estadual (MPE). As informações são do Estado de S. Paulo.

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Cerca de 22 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao hospital filantrópico foram apontadas pela promotoria e tiveram o pedido de quebra de sigilo feito pelo MPE. Entre 2009 e 2014 (gestão de Abdalla), a Santa Casa recebeu R$ 1,8 bilhão do Sistema Único de Saúde (SUS) e de outros recursos públicos do Estado e do governo federal. Além disso, a unidade teria recebido, segundo o MPE, entre 1,8 e 2,9 vezes mais do que o valor determinado pela tabela do SUS para pacientes de média e alta complexidade.

Em 2009 a Santa Casa de SP já tinha comprometidos 56% dos seus recursos, mesmo com o montante recebido através de cofres públicos. De acordo com o Ministério Público, no ano passado, esse valor chegou a 100%, e o hospital acumulava dívidas superiores a R$ 400 milhões. O MPE também informou que uma auditoria feita a pedido da Secretaria de Estado da Saúde apontou contratações sem levantamento de custos e superfaturamento em compras e serviços.

Além de Abdalla, o MPE apura a movimentação bancária de toda a cúpula da Santa Casa que atuava na gestão do ex-­provedor. A Justiça autorizou também a quebra dos sigilos financeiros de Antonio Carlos Forte, ex-­superintendente; Hercílio Ramos, ex-­tesoureiro; Edison Ferreira da Silva, ex­-chefe de gabinete da superintendência; e de Paulino de Almeida Carvalho, ex-­diretor financeiro.

Conforme o pedido do MPE, a promotora de Direitos Humanos da área de Saúde Pública, Dora Martin Strilicherk, aponta para indícios de nepotismo dentro da entidade. Segundo documentos obtidos pelo jornal Estado de S. Paulo, a irmandade funcionava, aparentemente, como uma grande empresa familiar, na qual filhos e cônjuges dos principais executivos e dirigentes, coincidentemente, trabalhavam na mesma empresa.

De acordo com o MPE, o ex-­provedor empregou o filho, Fernando Arouche. Já Forte, ex-­superintendente, deu um cargo para a mulher, Wilma Carvalho Neves Forte, médica e funcionária da Faculdade de Medicina da Santa Casa. O ex-­diretor financeiro também empregou a companheira e seus filhos, Fernanda de Almeida Carvalho, que é arquiteta e tem um cargo no departamento de engenharia e obras da irmandade, e o advogado Paulo de Almeida Carvalho. Ambos estariam exercendo seus cargos no hospital.

Ainda de acordo com o MPE, a mulher do ex-­diretor financeiro, Nilza Aparecida de Almeida Carvalho, é fisioterapeuta e ocupava o cargo de diretora do Instituto de Fisioterapia da Santa Casa, além de ser a atual presidente do Centro de Estudo e Pesquisas em Fisioterapia. A Promotoria afirma que havia concentração de poder na gestão do hospital. Os parentes também estão sob investigação.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, o filho de Abdalla ingressou como estagiário em 2002, antes de o pai ser eleito, e se desligou do hospital em 2012 como analista jurídico. 

Sobre Wilma Carvalho Neves Forte, a irmandade afirmou que ela é colaboradora “sem vínculo”. A assessoria ainda confirmou que os filhos do ex-­diretor financeiro trabalham na instituição, mas que “nenhum” no mesmo local do pai. Sobre o restante das pessoas físicas que tiveram os sigilos quebrados, o hospital disse que quatro permanecem, nenhum em cargo de direção.

Na carta de renúncia, o ex-­provedor negou falta de transparência e má administração. De acordo com a instituição, o vice­-provedor, Ruy Altenfelder, continua interinamente. Em até 60 dias, uma eleição deve ser convocada para substituir Abdalla.

Questionado se a renúncia está ligada à quebra de sigilos, o ex­-provedor negou. Ele informa que pediu afastamento temporário (no ano passado) e a Mesa Administrativa nomeou uma comissão de sindicância para averiguar possíveis irregularidades que, segundo ele, não existem.

Abdalla disse que decidiu renunciar para dar tranquilidade à administração da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e cansado das falsas acusações, optou por renunciar ao cargo de provedor, para o qual fora eleito há um ano.

As informações são do Estado de S. Paulo.



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