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23/04/12
Resenha: Um guia para os gestores
“Gestão em Saúde”, de Gonzalo Vecina Neto, é uma grata contribuição para um setor sedento por obras de referência
Aline Cruz

Gonzalo Vecina Neto e Ana Maria Malik se perguntam, na introdução de Gestão em Saúde, que tipo de livro construíram e qual seria o objetivo da publicação. A resposta é fácil: os autores – ele superintendente corporativo do Sírio- Libanês e ela presidente do conselho da ALASS (Associação Latina para Análise de Sistemas de Saúde) – reuniram, nos mais de 30 artigos que compõem a obra, uma coletânea valiosa – e em alguns momentos extremamente técnica – sobre as engrenagens do negócio chamado saúde. O mérito é compartilhado com articulistas do porte de José Marcelo Amatuzzi, diretor executivo de pessoas do Grupo Fleury, Marcos Fumio Koyama, diretor executivo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e Antônio Carlos Cascão, diretor de engenharia e manutenção do Hospital Israelita Albert Einstein. Dividida em cinco partes, a obra reúne mais de 40 colaboradores, que apresentam artigos concisos e claros, apesar do alto teor de especificidade. Os autores (e organizadores) também fizeram uma cuidadosa análise do cenário do mercado no Brasil, debatendo, com os autores-colaboradores, temas relacionados à ética, humanização e aos mais diversos tipos de gestão existentes na administração médico-hospitalar.

 

A IMPORTÂNCIA DO EXEMPLO – Uma importante sacada dos autores de Gestão em Saúde foi a apresentação de casos, escritos por jovens executivos, que trazem a experiência destes profissionais em situações como a substituição de lideranças em um grande hospital de São Paulo e o processo de incorporação de uma policlínica a um hospital de grande porte.

 

No primeiro caso, o artigo dos mestres em Administração de Empresas pela FGV Rodrigo Macedo e Pedro Zanni traça um panorama bem estruturado do processo de entrada de um novo gestor em um hospital antes gerido por um grupo familiar. A instituição, que estava sofrendo com as mudanças no mercado paulista e o aumento de custos relacionados a materiais e tecnologia, passando, assim, a perder espaço para outros hospitais, notou a necessidade de mudar o modelo de gestão.

 

Para tentar minimizar o impacto da elevação dos custos, a estratégia escolhida pela nova direção geral da empresa, de acordo com os articulistas, foi a de projetar um resultado de aumento do faturamento em um curto prazo de tempo, com o orçamento que já havia sido aprovado no ano anterior. Para isso, o diretor reunia-se constantemente com os gestores e manteve o foco do trabalho do time em resultados operacionais. Este método trouxe benefícios e problemas, como apontam Macedo e Zanni: se por um lado houve um aumento da receita líquida e dos resultados operacionais, a busca pelo incremento de lucros a curto prazo ocasionou um declínio  na qualidade da gestão de pessoas.

 

Outro case interessante tratou da incorporação da Clínica Lar pelo Hospital Umberto, tema do também mestre em Administração pela FGV Fábio Ricardo Loureiro Sato. O artigo relata os benefícios da aquisição para o hospital e para a própria clínica, que havia se expandido de forma desordenada e, por isso, entrou em um processo de decadência. Como conta Sato, a incorporação transformou a clínica em hospital dia, aumentou seus rendimentos, a qualidade e o número de atendimentos. O hospital que arrendou a clínica, ao transferir pequenos procedimentos para o hospital dia, ampliou o número de serviços de alta complexidade – ganhou mais foco. O ganho mútuo ocasionou uma constante expansão: de acordo com Sato, o aumento dos lucros fez com que os dois hospitais do novo grupo continuassem investindo em novos equipamentos e serviços.

 

A DIFÍCIL TAREFA – Tentar definir quais os temas mais relevantes a serem incluídos no livro não deve ter sido fácil. Até porque os assuntos em alta no mercado variam mês a mês. Por isso, Vecina e Malik trataram de adiantar: buscariam discutir apenas “assuntos clássicos” ou, pelo menos, potencialmente clássicos. Esta proposta – uma das diversas apresentadas – parece ter sido cumprida. São tantos temas e subtemas que não haveria título melhor para a obra que Gestão em Saúde, amplo para abarcar todo o conteúdo possível.

 

Dentro dos objetivos propostos por Vecina e Malik, porém, existem alguns problemas. O primeiro diz respeito ao público-alvo. Para os autores, o público leitor partiria desde os que não conhecem os tipos de serviço de saúde até os gestores da área. E não é bem assim que acontece. Gestão em Saúde pode sanar dúvidas de teor histórico ou básico do leitor mediano, mas apenas em alguns casos. Na maioria das vezes, os artigos são dirigidos aos administradores do setor médico-hospitalar. Além disso, grande parte dos artigos apresentados tem cunho didático, atendo-se a análises históricas e descrições de “modos de fazer” bons orçamentos, modelos de planejamento, entre outros.

 

Outra questão – pelo menos quando se trata de abranger a complexidade do termo-título do livro – é o excessivo direcionamento para o tema “saúde pública”. Isso, provavelmente, dada a experiência de Vecina no assunto, já que o médico foi presidente da Anvisa, no governo FHC, e, durante a gestão de Marta Suplicy, foi secretário de Saúde da prefeitura de São Paulo.

 

Apesar disso, Vecina e Malik cumprem o que disseram ser o objetivo básico do livro: ser útil. Obviamente, Gestão em Saúde não é uma obra para se ler de uma vez só. Mas também não será um material esquecido. Pelo contrário, a obra tem tudo para ser um manual de consulta obrigatório para quem deseja se destacar no mercado.



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