home notícias Gestão
Voltar Voltar
30/10/13
Sala de cirurgia híbrida é tendência em hospitais americanos
Espaços híbridos que mesclam instalações tradicionais com diagnóstico por imagem e cateterismo estão em alta nos Estados Unidos porque permite procedimentos menos invasivos e mais seguros
Catherine Gow e Brenda Byrd*


Com o surgimento das salas híbridas aparecem implicações culturais e de design que se estendem por todo o centro cirúrgico e pelo hospital como um todo (Foto: Shutterstock)

Hospitais em todos os Estados Unidos estão criando uma nova geração de espaços de cirurgia chamados salas cirúrgicas híbridas. Elas combinam a capacidade cirúrgica de salas de operações tradicionais com os recursos de imagem de um laboratório de cateterismo – dois espaços que têm sido tradicionalmente distintos. Colocar equipamentos de imagem e de raios-x de última geração em uma sala de operação permite procedimentos menos invasivos, mais seguros e com tempos de recuperação mais rápidos para os pacientes. O equipamento de imagem ajuda os cirurgiões a identificarem a área da incisão e fornece feedback instantâneo durante os procedimentos. 

Por exemplo, os casos de neurocirurgia endovascular, como operações de aneurisma, agora podem ser realizados de forma mais segura e eficiente em uma sala de cirurgia híbrida. À medida  que os cirurgiões conduzem estes casos complexos – e de alto risco –, o diagnóstico por imagem de alta tecnologia aumenta os resultados positivos, permitindo que os neurocirurgiões transitem sem problemas de um procedimento fechado para um público, sem perder tempo crítico para transportar um paciente a outro local para fazer imagens.

Se projetada com fluxo clínico em mente, a sala cirúrgica híbrida pode ser uma força para o futuro das plataformas de intervenção. Através da combinação de imagem e capacidades cirúrgicas, os hospitais estão redefinindo a suíte intervencionista, com grandes vantagens na assistência ao paciente e eficiência de custos. 

Planejamento e projeto – Com o surgimento de salas cirúrgicas híbridas aparecem implicações culturais e de design que vão muito além da sala de cirurgia propriamente dita e se estendem por todo o centro cirúrgico e pelo hospital como um todo.

O primeiro passo no planejamento de uma sala híbrida é buscar a absorção de cada um dos especialistas cirúrgicos que irão utilizar a sala. As equipes de projeto devem incluir representantes de departamentos cirúrgico e perioperatório, administração, instalações e TI. A equipe também deve visitar salas cirúrgicas híbridas em outros hospitais e experimentar estes novos tipos de espaços.


A integração no Ambiente híbrido vai além do aspecto arquitetônico: equipe médica pode navegar em uma variedade de diferentes sistemas de equipamentos a partir de um painel de controle centralizado (Foto: Divulgação)

Durante a fase de projeto, é fundamental usar as mais recentes ferramentas de desenho 3-D para criar uma visão clara dos elementos da sala híbrida. Uma vez que o projeto seja aprovado, uma maquete em tamanho natural deve ser construída. Isto dará à equipe a oportunidade de identificar e resolver todos os desafios de design na sala antes de ela ser construída.

A seleção primária e a coordenação dos fornecedores também são passos importantes, especialmente se a adição de equipamentos de imagem acrescente complicações espaciais para a sala de cirurgia. Em particular, os tetos requerem uma consideração cuidadosa e um planejamento antecipado, pois ambos os equipamentos, cirúrgico e de imagem, tendem a ser montados no teto. Com planejamento antecipado, os designers têm a oportunidade de incentivar os fornecedores a trabalhar juntos para ajustar parâmetros específicos do projeto. Cada vez mais, os fabricantes têm se unido para oferecer soluções mais sinérgicas.

Por exemplo, na sala cirúrgica híbrida do Centro Médico Geisinger Wyoming Valley, na Pensilvânia, dois fornecedores se uniram para integrar seus sistemas em uma solução. O braço do aparelho de um fabricante foi adicionado aos monitores de outros fornecedores necessários ao sistema de hemodinâmica, reduzindo a quantidade de equipamentos no teto. Os fornecedores também estão trabalhando para oferecer sistemas que integram a TI com o equipamento. Por exemplo, agora é possível para a equipe médica navegar em uma variedade de diferentes sistemas de equipamentos, inclusive cirúrgico, vídeo e monitoramento de pacientes, a partir de um painel de controle centralizado.

Layout e equipamentos – As salas híbridas podem ter uma variedade de equipamentos de imagem, incluindo simples ou biplanos, e cada vez mais tomógrafos e ressonância magnética (RM).  As RMs podem variar em tamanho de 111 metros quadrados a 241 metros quadrados, enquanto os tomógrafos executados a partir de 74 metros quadrados e até 102 metros quadrados. Ambos os quartos devem ter espaço para a sala de controle, espaço de provisão, área de purificação, uma sequência de armários e a plataforma cremalheira do gerador, que administra o equipamento. As diretrizes para projeto e construção de estabelecimentos de saúde, versão 2014, do Instituto de Diretrizes Arquitetônicas dos EUA (Facility Guidelines Institute) vão incluir uma nova seção sobre salas cirúrgicas híbridas que requerem armários embutidos de armazenamento de aço inoxidável em vez dos racks de rolamento para armazenamento de cateteres – típicos das salas de cirurgia tradicionais. Por esta razão, os suprimentos devem ser cuidadosamente considerados.


Centro Médico Geisinger Wyoming Valley, na Pensilvânia, EUA:  a era das salas cirúrgicas híbridas abre portas para a eficiência na redução de custos em recursos humanos, equipamentos, materiais e procedimentos (Foto: Divulgação)

Todas as ressonâncias magnéticas híbridas exigem equipamentos não ferrosos, assim como as quatro zonas de segurança, que vão desde o acesso público gratuito (Zona I), a rigorosamente controladas zonas de acesso restrito (zonas III e IV) – identificados pelo Colégio Americano de Radiologia (American College of Radiology). Se uma sala híbrida vai ser um espaço flexível usado por várias especialidades que utilizam as salas de maneiras diferentes e exigem diferentes configurações de sala, dimensionar a sala híbrida para acomodar cada um é fundamental durante o processo de planejamento. Hospitais podem atingir dimensionamento ideal, certificando-se de consultar representantes de cada especialidade que irá utilizar a sala.

Localização – Idealmente, salas cirúrgicas híbridas devem ser integradas em uma suíte de intervenção – isto mantém a logística simples. No entanto, se as salas de cirurgia existentes de um hospital são separadas de sua sala de raio-x, então é importante localizar salas cirúrgicas híbridas com outras salas de cirurgia. Colocar o quarto híbrido dentro de um centro cirúrgico evita a duplicação de espaços de apoio, incluindo material cirúrgico, instrumentação e equipamentos. Isso leva o hospital a economizar custos adicionais para a duplicação de equipamento e evita ineficiências no movimento dos materiais limpos e sujos. A colocação da sala cirúrgica híbrida também reduz as preocupações dos funcionários, pois o pessoal de  apoio cirúrgico, como as equipes de enfermagem perioperatória, perfusionistas, anestesistas e cirurgiões, não terá que trabalhar em mais de uma área do campus.

Fluxo de Trabalho – A fim de alcançar um fluxo de trabalho eficiente na nova sala cirúrgica, a equipe de design também deve levar em conta o fluxo de pacientes e o fornecimento de material, além da proximidade da equipe. Salas cirúrgicas híbridas reúnem um novo espectro de usuários no mesmo departamento, misturando diferentes disciplinas de cirurgiões com intervencionistas, anestesistas, cardiologistas, eletrofisiologistas, patologistas, enfermeiros, técnicos e muito mais. Em uma sala de cirurgia tradicional, as posições de trabalho, aplicações clínicas e os requisitos de equipamentos, logística paciente/materiais e agendamento para cada um dos itens acima seriam preocupações mutuamente exclusivas. As salas cirúrgicas híbridas borram essas linhas. Elas também aumentam a quantidade de espaço necessário ao pessoal de apoio. O design destes espaços deve facilitar a interação interdisciplinar entre as equipes de atendimento. Materiais adequados para todas as disciplinas também precisam estar à mão na suíte cirúrgica. Assim, a equipe de planejamento deve considerar o armazenamento para o inventário exigido. Será que é necessário haver uma mudança no manuseio de materiais em termos de cases de fornecimento? 

Os novos tipos de procedimentos que ocorrem em uma sala cirúrgica híbrida exigem novos tipos de carrinhos para medicamentos, que carregam os pacotes de materiais e instrumentos necessários para cada caso. Suprimentos para procedimentos de neurocirurgias endovasculares, cardiologia e eletrofisiologia devem estar todos disponíveis.

Salas cirúrgicas híbridas nem sempre têm que ser utilizadas para procedimentos híbridos. Elas podem ser projetadas para permitir procedimentos operacionais normais quando o equipamento de imagem é girado para fora do caminho, ou para uso de imagem intervencionista. Os pacientes geralmente se deslocam da preparação para um longo procedimento na sala híbrida, e, em seguida, para uma unidade de cuidados intensivos especiais. No entanto, quando o espaço é utilizado como uma sala tradicional ou para geração de imagens, haverá uma rápida virada e um aumento da taxa de utilização do espaço e dos seus recursos. Isto irá aumentar o número de espaços de preparação e de recuperação necessários e demandar pessoal e recursos de armazenamento de suprimentos adicionais.

Esforço que vale a pena – Embora haja um número relativamente pequeno de salas cirúrgicas híbridas nos Estados Unidos hoje, este número deve crescer significativamente no futuro próximo. A pesquisa de 2011 pelo Millenium Research Group prevê uma taxa de crescimento anual de 15% para as salas híbridas ao longo de um período de cinco anos. 

As vantagens dessas salas incluem melhorar a experiência do paciente, permitindo procedimentos minimamente invasivos que aumentam a segurança do paciente e diminuem o tempo de recuperação, reduzindo a inconveniência de os doentes serem transferidos de uma ala do hospital para outra. Para os hospitais, a era das salas cirúrgicas híbridas abre a porta para a eficiência na redução de custos em recursos humanos, equipamentos, materiais e procedimentos. Tal como acontece com todas as novas tecnologias, integrar uma sala híbrida perfeitamente em um hospital existente requer premeditação e planejamento significativo, mas as recompensas para os pacientes e hospitais fazem o processo valer a pena.

*Catherine Gow e Brenda Byrd são arquitetas e trabalham na área de planejamento de construções do escritório de arquitetura Francis Cauffman, respectivamente, nas filiais da Filadélfia e de Nova Iorque. Publicado originalmente na revista Healthcare Design. Todos os direitos reservados. 

**Matéria publicada na revista Diagnóstico n° 22.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.