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18/01/16
SAMU-DF poderá ser o primeiro serviço público acreditado pela JCI
De acordo com o médico Rafael Vinhal da Costa, coexecutor do Programa de Educação para Melhoria da Segurança e da Qualidade, é necessário rever missão, visão e valores da instituição, refletir sobre os direitos dos usuários e criar comissões de ética
Da redação

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do Distrito Federal poderá ser o primeiro serviço público móvel de transporte do país a ser acreditado pela Joint Commission International (JCI), representada exclusivamente no Brasil pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA). Antes, em 2012, o Amil Resgate Saúde foi primeiro serviço móvel particular acreditado pela JCI.

De acordo com o médico Rafael Vinhal da Costa, coexecutor do Programa de Educação para Melhoria da Segurança e da Qualidade, o SAMU do Distrito Federal sempre foi uma referência nacional para a Atenção Pré-Hospitalar. Costa, que também e colaborador dos Protocolos Clínicos de Atenção Pré-Hospitalar do Ministério da Saúde e instrutor em Política Nacional de Urgências, Regulação Médica e Transferências Interhospitalares do Núcleo de Ensino em Urgência (NEU/SAMU/DF), ressalta que, ao longo de dez anos de funcionamento, o serviço esteve à frente de projetos inovadores no país, como o das bikelâncias e do núcleo de saúde mental, com psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais inseridos ao serviço.

Conforme Costa, iniciativas como a criação do Observatório de Saúde – que há cerca de três anos monitora os indicadores de saúde do sistema –, a construção de Protocolos Operacionais Padrão e de Protocolos Clínicos para as urgências pré-hospitalares – estes últimos, em parceria com a Coordenação Geral de Urgência e Emergência (CGUE), do Ministério da Saúde –, motivaram o SAMU-DF a buscar a acreditação. 

"Mas faltava algo à nossa instituição. Sentíamos a necessidade de ir além do monitoramento de indicadores e da criação de protocolos", revela o gestor. Segundo ele, o serviço estava consolidado e preparado para tonar a segurança e a qualidade princípios do atendimento pré-hospitalar. "Começamos, então, as negociações com o Consórcio Brasileiro de Acreditação. E, em agosto de 2015, iniciamos o Programa de Educação para Melhoria da Segurança e da Qualidade", explica. 

Sobre a adequação do serviço aos padrões de qualidade e segurança estabelecidos pela JCI, ele explica que esses padrões são também os objetivos do SAMU-DF. "Adotá-los é um desafio. A implementação da segurança e qualidade impõe uma mudança na cultura organizacional. É necessário que todos os atores envolvidos no cenário pré-hospitalar estejam familiarizados com os padrões e que internalizem a sua importância", observa. 

"A mudança da cultura organizacional e dos processos de trabalho é, a um só tempo, doloroso e instigante", complementa Costa. "Doloroso, pois cada um dos trabalhadores da instituição deve estar aberto a aprimorar o seu processo de trabalho de forma a abandonar a cultura do 'fazer a sua própria maneira' e adotar rotinas de excelência baseadas em evidências. E instigante porque entramos em contato com ferramentas de gestão de excelência, padronizadas internacionalmente", completa. 

Para ele, motivar a equipe talvez seja o grande segredo para a melhoria da segurança e da qualidade em uma instituição pública de saúde. "Como trabalhadores do SAMU, temos a missão de salvar vidas e garantir a saúde dos usuários do sistema de saúde. É preciso que esse serviço seja avaliado porque isso guia o nosso processo de trabalho e aprimoram o nosso serviço. Não apenas pelo reconhecimento, que, por si só, seria excelente. Mas, acima de tudo, por saber que estamos no caminho certo, que estamos salvando vidas com qualidade e excelência. É isso que motiva a equipe: a eficiência em salvar vidas". 

Mudanças – Durante o Programa de Educação para Melhoria da Qualidade e da Segurança do SAMU, foi necessário modificar processos de trabalho. Coexecutor do Programa, Costa detalha que uma das maiores deficiências nacionais na Atenção Pré-Hospitalar é o controle de infecções. "Não há portarias e legislação específica de controle de infecções para o ambiente pré-hospitalar. Com isso, impôs-se a criação de uma Comissão de Controle de Infecção no SAMU-DF, objetivando criar um programa de controle de infecções mediante a construção de protocolos e de cursos de educação permanente". 

"Durante o processo, tem sido ainda necessário rever a missão, a visão e os valores da instituição; repensar os indicadores de saúde, de qualidade e de resultados; refletir sobre os direitos e os deveres de nossos usuários; e criar comissões de ética, de revisão de prontuários e de revisão de óbitos", enumera. "O SAMU-DF e a população só têm a ganhar. A mudança organizacional trazida pelo Programa de Melhoria da Segurança e da Qualidade nos traz a certeza de que estamos prestando um serviço de excelência", garante. 

Outra expectativa é com a avaliação externa e com o diagnóstico situacional realizado pelo CBA. "Teremos a chance de expor as deficiências de nossas bases descentralizadas. E poderemos colocar como prioridade de nossa agenda: a garantia de condições dignas de higiene e repouso para nosso trabalhador e; um adequado armazenamento e dispensação de medicamentos, materiais e insumos", completa.



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