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14/10/15
Santa Casa de São Paulo começa a desligar 1.397 funcionários
Em nota, hospital filantrópico informou que lamenta o desligamento dos colaboradores, mas ressalta que a ação ajudará a reequilibrar as contas e garantirá os atendimentos
Da redação

São Paulo ­ A Santa Casa de São Paulo, que atravessa a pior crise financeira de sua história, iniciou nesta terça-­feira (13) o processo de demissão de 1.397 funcionários ­ cerca de 12% de toda a equipe. Anteriormente, a instituição havia comunicado que o corte atingiria cerca de 1,5 mil funcionários, mas uma revisão nas contas tornou o ajuste menor. A lista de demitidos inclui médicos, funcionários do setor de saúde, técnicos de segurança, psicólogos, entre outros. As iformações são da agência Folhapress.

Em nota, O maior hospital filantrópico da América Latina informou que lamenta o desligamento dos colaboradores, mas ressalta que a ação ajudará a reequilibrar as contas e garantirá os atendimentos. Outros nove mil postos de trabalho serão mantidos. Além disso, a nova gestão afirma que trabalha para garantir a reestruturação completa da unidade.

Ainda segundo a Santa Casa, a demissão dos funcionários não afetará o atendimento prestado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e as metas estabelecidas em contratos serão cumpridas. O comunicado reforça que a "a decisão foi necessária para reequilibrar as contas e adequar o quadro de colaboradores às novas necessidades, e está em linha com o propósito de manter os serviços de assistência médica à população e, ao mesmo tempo, garantir um futuro sustentável para a instituição".

Na semana passada, visando apresentar uma proposta de demissão aos funcionários, um encontro foi realizado entre a Santa Casa e 10 dos 13 sindicatos que atuam na instituição, além de representantes do MPT (Ministério Público do Trabalho). As negociações duraram dois dias. 

Os sindicatos tiveram até sexta­feira (09) da semana passada para se manifestar com relação à proposta. Segundo a entidade, dos 13 sindicatos, sete concordaram com o processo de desligamento, dois recusaram a proposta e outros três ­ que inclui o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) ­ não se posicionaram. A instituição também informou que um dos sindicatos já não tinha mais funcionários.

Os pagamentos das rescisões somam cerca de R$ 60 milhões, serão realizados de forma parcelada e a quitação poderá levar de quatro meses a mais de um ano. Segundo informações do ministério público, cada parcela vai corresponder, no mínimo, ao valor do último mês de salário do trabalhador demitido. 

A Santa Casa chegou a administrar 39 instituições. Atualmente, conta com 28, sendo seis hospitais e 22 UBS (Unidades Básicas de Saúde), administradas por meio de Organizações Sociais de Saúde (OSS). A instituição informou que, devido à redução do número de unidades, muitos colaboradores foram incorporados ao quadro de funcionários do Hospital Central.

O ministério também informou que a receita da instituição, até o ano passado, foi de R$ 1,5 bilhão e, atualmente, é de R$ 800 milhões. Além disso, a Santa Casa realiza ajustes desde o mês de junho e já conseguiu reduzir o deficit operacional de R$ 11,5 milhões para R$ 3,5 milhões. Conforme Paulo Isan, procurador do MPT, tudo isso foi feito "sem tocar na questão trabalhista", e agora será preciso adequar o número de trabalhadores. Ainda de acordo com Isan, se os sindicatos aceitarem o acordo, esse será o desfecho de uma gestão caótica.

Desde o início da crise, em setembro de 2014, cerca de 400 pessoas já foram dispensadas, de um total de 11 mil funcionários. Em janeiro de 2015, o MPT interveio para auxiliar as negociações com os sindicatos e para "garantir que os trabalhadores a serem dispensados no futuro viessem a receber as rescisões o mais rápido possível, dentro das possibilidades financeiras da Santa Casa".

Em junho desse ano, José Luiz Setúbal foi eleito novo provedor da Santa Casa de São Paulo. O médico, que pertence à família fundadora do banco Itaú, comprometeu­se a adotar medidas de transparência e democracia no início de sua gestão, que vai até 2017. Setúbal assumiu o cargo de provedor, que antes era ocupado por Kalil Rocha Abdalla, que renunciou ao posto em abril e tem sua gestão investigada pela Promotoria.

No inicio do mandato, o novo provedor colocou como meta a busca por apoio político para conseguir mais prazo e mais espaço para renegociar as dívidas do hospital. Além disso, ao assumir o cargo, ele também afirmou que serão necessários ajustes no potencial de atendimento do hospital e no quadro de funcionários.

A dívida da Santa Casa de São Paulo supera os R$ 770 milhões, segundo uma auditoria contratada pelo governo do Estado de São Paulo realizada no final do ano passado. Só os débitos com fornecedores superam os R$ 100 milhões. Em julho de 2014, a instituição chegou a fechar o atendimento de urgência e emergência por pouco mais de um dia. Na época, a unidade alegou falta de recursos para comprar medicamentos e materiais como seringas e agulhas.



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