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11/04/16
Servidores do Hospital Pedro Ernesto (RJ) denunciam sucateamento e temem privatização
Unidade sofre com a falta de recursos, que deixou terceirizados e residentes sem salário integral desde 2015
Isabela Vieira, da Agência Brasil

Servidores, estudantes, profissionais e pacientes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) denunciaram nesta quinta-feira (07) a precarização do atendimento na unidade e disseram que o sucateamento é o primeiro passo para a privatização de hospitais públicos.

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A manifestação desta quinta, Dia Mundial da Saúde, ocorreu em frente à unidade. Vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Pedro Ernesto sofre com a falta de recursos, que deixou terceirizados e residentes sem salário integral desde 2015 e com a falta de insumos básicos como seringas, gaze e remédios.

Diante da gravidade da situação, na semana passada, o diretor do hospital, Edmar José Alves dos Santos, admitiu, em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que se os repasses não forem regularizados até junho, o hospital fechará as portas.

Segundo a nutricionista Cíntia Teixeira, integrante do Fórum de Saúde do Estado, uma das organizadoras da manifestação, o Pedro Ernesto é o único hospital universitário do Rio que não é administrado por empresas. Com a crise financeira do estado, que deixou de fazer repasses regulares à unidade, a principal preocupação é evitar o fechamento ou a privatização.

“Eles sucateiam, deixam o hospital na capa, dizem que não tem dinheiro, deixam faltar medicamento, a população ficam sem assistência, as consultas demoram, não tem concurso para servidores. Esse é o check-list da privatização”, disse Cíntia, que estudou no Pedro Ernesto e também integra a Central Sindical e Popular CSP-Conlutas.

Segundo Cíntia, a gestão do hospital por organizações sociais foi objeto de denúncia por órgãos de controle como o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado. Entre as irregularidades, foram identificados desvios de recursos e insumos do hospital para fazendas de proprietários das organizações.

Para a ativista, o dinheiro que é repassado para a gestão privada deveria ser investido diretamente nos hospitais para que as condições de atendimento melhorem. “Dinheiro tem. Para que entregar para pessoas suspeitas?”, questionou Cíntia.

Greve - Em greve, os servidores do Pedro Ernesto, que se revezam para não prejudicar os pacientes, disseram que, sem a paralisação, a situação estaria pior. “A greve é para lutar por recursos para o hospital e pelo nosso pagamento. Mesmo que não tivesse greve, com essas condições, o hospital não teria como funcionar plenamente”, disse a assistente social Perciliana Rodrigues, do comando de greve.

Representando os profissionais vinculados à Uerj, a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Regina de Souza, disse que, apesar de o Pedro Ernesto sofrer ameças de fechamento, a unidade cumpre papel importante na formação de profissionais da saúde, além de ser referência para pacientes.

“É um hospital pioneiro em transplante de coração, transplante renal, de fígado e em uma série de coisas. Tem uma unidade que atende adolescentes de todo o Brasil, mas que está perdendo seus leitos nos últimos anos e diminuindo o atendimento por questões diversas”, disse. Atualmente, o hospital tem cerca de 500 leitos disponíveis, nas contas do sindicato.

Os principais problemas, segundo Regina, são as condições das enfermarias, que sofrem com a falta de equipamento, problemas estruturais e déficit de profissionais.

Não há previsão de encerramento da greve dos servidores e docentes do hospital, que se juntaram a outras 30 categorias profissionais do estado do Rio que também pararam.

Procurados pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde e a assessoria do governo do estado não se pronunciaram sobre a regularização dos repasses para o hospital. A administração do Pedro Ernesto disse que não conseguiu contatar o diretor da unidade para dar entrevistas e informou que a situação continua crítica. A previsão de fechar as portas por falta de recursos não mudou, confirmou a assessoria.



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