home notícias Gestão
Voltar Voltar
02/02/15
Siemens é questionada sobre envolvimento com ditadura brasileira
Em reunião de prestação de contas, grupo de acionistas pediu que a multinacional explicasse informação da CNV de que a multinaciona financiou o DOI-Codi
Opera Mundi

Durante a reunião anual de prestação de contas, a Siemes, multinacional alemã que atua no setor de equipamentos médico-hospitalares, foi questionada por um grupo de acionistas minoritários sobre o envolvimento da empresa com a ditadura militar brasileira (1964-1985). As informações são do portal Opera Mundi.

Ao exigir esclarecimentos, a Associação de Acionistas Críticos - organização alemã que luta por melhores condições de trabalho - utilizou o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que cita a alemã como uma das empresas que financiou a Operação Bandeirante (Oban), órgão de repressão que deu origem ao DOI-Codi, principal centro de tortura e morte do regime militar.

Durante a reunião, realizada na última terça-feira (27), o relatório foi entregue pela associação e lido para acionistas e diretores da multinacional. Conforme o documento, o Conselho de Supervisão da Siemens se negou a investigar e esclarecer os incidentes, mesmo tendo em vista o contexto de 50 anos do golpe militar no Brasil. "A Siemens deve encarar sua responsabilidade histórica e admitir os atos que cometeu”, completa o relatório.

O relatório final da CNV foi publicado no dia 10 de dezembro de 2014. consta no documento, na página 320 do volume II, a informação de que. "Ao lado dos banqueiros, diversas multinacionais financiaram a formação da Oban, como os grupos Ultra, Ford, General Motors, Camargo Corrêa, Objetivo e Folha. Também colaboraram multinacionais como a Nestlé, General Eletric, Mercedes Benz, Siemens e Light".

Christian Russau, membro da diretoria da Associação dos Acionistas Críticos, acrescentou, durante a reunião, que diversos relatos dão conta de que, no total, 66 pessoas foram assassinadas nas dependências do complexo Oban/DOI-Codi, e 39 morreram sob tortura. O número é confirmado pelo jornalista Marcelo Godoy, autor do livro "A casa da vovó", biografia sobre o centro de repressão paulista.

Em resposta, Gerhard Cromme, chefe do Conselho de Administração da multinacional, disse que os acontecimentos ligados à ditadura aconteceram há 40 anos e o que interessa é a Siemens dos dias atuais. Em réplica, Russau declarou que a fala de Cromme denigre a memória daqueles que morreram sob tortura. "Isto é cínico”, replicou o acionista, ao insistir na importância de esclarecer os crimes ocorridos décadas atrás.

Gerhard Cromme também questionou o CEO da Siemens, Joe Kaeser, sobre se a empresa possui conhecimento sobre o conluio com órgãos de repressão da ditadura brasileira, ou se há planos para investigar denúncias do tipo. 

De acordo com Kaeser, ao ter notícia do envolvimento, a Siemens pesquisou nos arquivos financeiros do grupo, mas não encontrou nada. Procurada por Opera Mundi, a Siemens Brasil afirmou que não iria se posicionar sobre o episódio.

As informações são do Opera Mundi.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.