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26/04/16
A criatividade é um impulso para o negócio, diz diretora do Lions Health
Para Louise Benson, premiar campanhas em saúde é o melhor meio de mostrar que é possível fazer sucesso em um ambiente de publicidade regulada
Filipe Sousa


Diretora do Lions Health, Louise Benson: “O Brasil é claramente um país no qual devemos prestar atenção” (Foto: Divulgação)

O Festival Lions Health nasceu em Cannes, em 2014, do ventre do mais conceituado festival de publicidade do mundo. Considerado o mais importante prêmio da publicidade mundial, o festival chama o mundo criativo à cidade mais badalada do sul da França desde 1953. A primeira edição do prêmio para a área de healthcare coroou nove participantes brasileiros. Ano passado,  o país levou 17 leões.  A Diagnóstico conversou com a diretora do Lions Health, Louise Benson, logo após  o festival, que acontece todos os anos no mês de junho. Além de exaltar o poder da criatividade para ir além da comunicação e alcançar resultados em saúde, ela diz que o país já se consolidou como um dos grandes da publicidade mundial também quando o assunto é o mercado de healthcare. “O Brasil é claramente um país no qual devemos prestar atenção”.

Por que vocês decidiram criar um festival dedicado à área da saúde?
Louise Benson – Acreditamos que a criatividade é um impulso para o negócio, para mudança e para o bem, e que é tão relevante para o setor de healthcare quanto para qualquer outra indústria. O enquadramento regulatório em que operam as agências no espaço da saúde pode ser considerado restritivo quando falamos de criatividade. Nosso objetivo é mudar essa opinião, ajudando clientes e agências a compreender o valor de produzir trabalhos criativos.

Como o festival contribui para estimular a criatividade em um mercado com tantas restrições?
Benson – Divulgar o trabalho é uma das melhores formas de estimularmos a criatividade. Os delegados que participam no festival veem apresentações e exposições de vários pontos do globo – o que é realmente uma oportunidade exclusiva de colher ideias e se inspirar. Nesse sentido, o festival este ano vai oferecer quatro correntes de conteúdo, com os temas de inspiração criativa, grandes questões, ferramentas criativas  e inovação, além de concentração do conhecimento. Nelas, serão analisados os temas mais prementes e os desenvolvimentos mais empolgantes do setor de healthcare.

O Festival de Cannes foi a grande inspiração para o prêmio?
Benson – Nosso festival de referência, Cannes Lions, premia a criatividade há mais de 60 anos. Decidimos usar o quadro existente, com o conhecimento e o alcance adquiridos, para criar algo único para a indústria de healthcare. Nosso sistema de prêmios tem um julgamento que resulta em vencedores que lideram o esforço de determinar o futuro da indústria. Nosso programa de conteúdo oferece a melhor e mais atual plataforma para palestrantes de classe mundial partilharem conhecimento e ideias.

É possível quantificar a contribuição do Lions Health para a indústria de saúde?
Benson – No futuro, acredito que sim. Afinal, ainda estamos no segundo ano. O que sabemos é que o evento vem propiciando um ponto de encontro para a indústria global. Um networkin único em que podemos estabelecer indicadores, olhar para o futuro e estimular cada vez mais intercâmbios. Algo que não existia no calendário da indústria de healthcare.

O público esperado para este ano correspondeu às expectativas?
Benson – As inscrições tiveram um aumento de 30%. Devemos ter recebido 10% a mais de delegados, o que mostra uma indústria que entende o potencial da criatividade. Ainda temos um potencial enorme para crescer, mas estamos caminhando em uma direção bastante positiva.

A presença brasileira aumentou em 90%. O Brasil é o melhor “cliente” do Lions Health?
Benson – O número de inscrições do Brasil duplicou este ano, algo que é incrível. O Reino Unido e os Estados Unidos inscreveram mais trabalhos, mas, no final, o Brasil conquistou mais Leões. Assim, posso afirmar que é o nosso “cliente” de maior sucesso.  

O Brasil conquistou o maior número de prêmios e teve mais candidatos. Como você definiria o status do país no Lions Health?
Benson – O Brasil levou para casa 17 Leões. É um desempenho realmente forte e mostra que é um país que rompe barreiras, oferecendo um exemplo a todo o mundo do que pode ser alcançado. É claramente um país no qual devemos prestar atenção.

Foi uma boa ideia separar o setor de saúde do festival principal?
Benson – A indústria da saúde está limitada por um conjunto próprio de normas e restrições. Queríamos que esse mercado tivesse um lugar em Cannes, mas a indústria nos disse que, devido aos desafios específicos que enfrenta, precisaria de uma plataforma dedicada para concentrar o debate sobre como a criatividade pode efetuar uma mudança positiva no setor. Vemos o Lions Health como a marca de abertura do Cannes Lions. 

Resultados comerciais são um dos critérios principais para avaliar campanhas. Vocês têm ideia do impacto que a primeira edição teve no mercado? 
Benson – É impossível precisar com números. Mas a experiência sugere que o Festival Lions Health já está incrementando a ambição criativa, permitindo que as pessoas façam uma análise comparativa do seu próprio trabalho, um autobenchmarking.  

O FESTIVAL EM NÚMEROS

O Brasil regressou triunfante de Cannes mais uma vez. Na segunda edição do festival Lions Health, as agências de publicidade nacionais voltaram a brilhar na costa francesa do Mediterrâneo, conquistando 17 prêmios no evento que premia a criatividade na área da saúde. O Lions Health recebeu candidaturas de 60 países em 2015, totalizando 1.862 inscrições, um aumento de 30% em relação ao ano passado. A participação brasileira quase dobrou em relação a 2014, passando de 98 para 185 candidaturas, das quais 171 foram inscritas na categoria de saúde e bem-estar.

O júri do festival Lions Health também teve representantes brasileiros. Em saúde e bem-estar, Ricardo John, vice-presidente de criação da JWT foi o eleito; em farmacêutica, foi Emerson Braga, vice-presidente de criação da Revolution Brasil. Ricardo John destacou a emotividade das campanhas brasileiras como o fator que conquistou a simpatia dos jurados.

Tal como na primeira edição, a categoria de saúde e bem-estar rendeu 16 Leões, dos quais cinco foram de ouro. A eles, juntou-se um de bronze na categoria farmacêutica.

Dois dos cinco Leões de ouro foram para campanhas de marcas de protetor solar. Um foi para a campanha da Nivea Sun Kids (da agência FCB Brasil) e o outro para a Sol de Janeiro (Ogilvy Brasil). Os demais ficaram com Granado (Ogilvy), fraldas Huggies (MoodTBWA) e Graac (Ogilvy), organização de apoio a crianças com câncer que recebeu duas distinções em diferentes subcategorias. 

O Grand Prix de Mobile Lions foi dado à Nivea Sun Kids, pelo trabalho desenvolvido pela FCB Brasil, que levou às praias bonecas que simulam a pele vermelha queimada de sol para conscientizar as crianças sobre o uso do protetor solar.

As campanhas que receberam Leão de Prata foram as da Huggies (MoodTBWA), Nivea Sun Kids (FCB),  Graac (Ogilvy), Bayer (AlmapBBDO) e Sol de Janeiro e (Ogilvy). A da Ogilvy para a Sol de Janeiro recebeu também um bronze. Os criativos responsáveis pela Purina (NBS), pela Mars Brasil (AlmapBBDO) e pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (Leo Burnett) também conseguiram um Leão de Bronze, e a equipe da JWT foi premiada duas vezes com o bronze pelo trabalho realizado para a organização de alcoólicos anônimos. 

O Brasil recebeu ainda um Leão de Bronze com uma campanha das Farmácias Sant’Ana, desenvolvida pela Revolution Brasil.

*Entrevista publicada na revista Diagnóstico nº 30.



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