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19/03/12
ABRAIDI: É preciso tirar a comercialização dos hospitais
Presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Implantes (Abraidi), Gilceu Serratto atribui aos prestadores a responsabilidade pelos altos custos do setor
Danielle Villela

Presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Implantes (Abraidi), o empresário Gilceu Serratto atribui aos prestadores a responsabilidade pelos altos custos do setor e pelas dificuldades na inclusão de novas tecnologias na cobertura dos planos de saúde. “Se as operadoras pagassem esses valores diretamente aos distribuidores e importadores, os custos seriam reduzidos”, sugere. Para o economista, que atua há 20 anos no setor de saúde, a expansão do segmento de próteses encontra obstáculos também nas regras impostas pelo governo. “Estamos apreensivos com as novas regulamentações”, revela ele, referindo -se às medidas restritivas às importações no setor. Apesar de considerar o lobby da indústria de medicamentos mais estruturado, Serratto admite que a Abraidi atua de forma política nos bastidores. “Nos reunimos sempre com as fontes pagadoras, principalmente com aquelas nas quais a remuneração é intermediada pelos hospitais”.

 

Diagnóstico – É possível conciliar os interesses da ABRAIDI com a melhor solução para o paciente e custos justos às operadoras?

Serratto – Sim, perfeitamente. Mas para isso é preciso retirar a comercialização de materiais dos hospitais para reduzir custos. Hoje, 54% do faturamento de um hospital se refere à compra e venda de materiais, enquanto outros 12% são taxas. Isso significa que 66% do faturamento é proveniente da intermediação do material utilizado. Se as operadoras pagassem esses valores diretamente aos distribuidores e importadores, os custos seriam reduzidos e novos procedimentos poderiam ser autorizados.

 

Diagnóstico – As margens do setor sempre foram vistas como muito altas.

Serratto – Estamos estrangulados com os preços. O Ministério da Saúde é um dos maiores clientes, e os valores são tabelados pelo Diário Oficial. Alguns importadores não têm condições de atender essa determinação e muitas operadoras definem seus preços com base na tabela do SUS.

 

Diagnóstico – O lobby do setor de próteses pode ser considerado tão forte quanto o da indústria de medicamentos?

Serratto – Discordo. A indústria de fármacos é mais bem estruturada. Quando se fala em custos e melhorias, os gestores só se lembram do medicamento e se esquecem da importância dos implantes. É preciso bem menos tempo para trazer um novo medicamento do que um implante de fora.

 

Diagnóstico – Quanto o mercado de próteses e implantes deve crescer nos próximos anos?

Serratto – Registramos crescimento anual de 9%. Alguns associados possuem percentuais de expansão acima de dois dígitos. Mesmo assim, estamos apreensivos com as novas regulamentações do governo, com valorização da indústria nacional e restrição da importação de novas tecnologias. Quando identificamos um produto no exterior, enfrentamos muitas dificuldades no processo de registro. Esperamos até quatro anos pela certificação da Anvisa.  É muita burocracia.

 

Diagnóstico – Algumas operadoras vêm negociando a compra de próteses diretamente com fabricantes. Qual o posicionamento da ABRAIDI?

Serratto – Isso gera um grande desconforto, pois alguns importadores e fabricantes acertam valores que distribuidores locais não podem acompanhar. Convênios com estrutura verticalizada têm mais poder para fazer esses acordos. Para hospitais de pequeno e médio porte, principalmente fora de São Paulo, é mais difícil administrar essa logística. As instituições não têm recursos para manter grandes níveis de estoques, por exemplo. O papel do distribuidor é justamente manter todos os produtos consignados e atender o mercado de forma mais prática.

 

Diagnóstico – Como a ABRAIDI fomenta o diálogo entre as partes?

Serratto – Estamos nos reunindo com fontes pagadoras, principalmente aquelas nas quais o pagamento é intermediado pelos hospitais. Algumas operadoras alegam dificuldades nos processos internos; outras dizem que a política de compra se mantém por força de contratos já formalizados com os prestadores. Há uma série de situações que dificultam uma mudança na formação de preços, mas as operadoras enxergam isso com bons olhos. Nosso obejetivo é desonerar o mercado.  



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