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06/02/12
Afinal, qual o destino correto do lixo hospitalar?
Assunto gerou polêmica em 2011, quando foram encontrados restos hospitales em cargas do Porto de Suape (PE)
Raissa Ebrahim, do Recife

O Diário Oficial da União (DOU) publicou, na semana passada, uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que regulamenta as práticas de funcionamento das unidades de processamento de roupas nos serviços dos hospitais e clínicas de saúde em todo o País. No fim do ano passado, a polêmica da infecção por tecidos e materiais hospitalares foi largamente explorada pelos noticiários, com destaque para Pernambuco, onde chegaram, no Porto de Suape, toneladas de carga suspeitas vindas dos Estados Unidos.

 

O assunto chamou ainda mais atenção quando descobriu-se que inúmeras empresas do Polo de Confecções do Agreste do Estado costumam trabalhar com retalhos de tecidos contendo logomarcas de hospitais. Até o Federal Bureau of Investigation (FBI) foi envolvido nas investigações, pois, na carga apreendida, também foram encontradas seringas e cateteres.

 

O tratamento de resíduos de unidades de saúde envolve lavanderias hospitalares e empresas especializadas. O que pode ser lavado, a exemplo de lençóis, cobertores e toalhas, deve ser encaminhado para uma lavanderia especial e não pode ser misturado a outros materiais infectantes. O material é separado de acordo com o grau de sujidade. Os mais leves contém apenas suor, por exemplo. Já os mais pesados podem conter manchas de sangue e outras secreções.

 

Caso não possa ser reutilizado, o material deve seguir para uma empresa especializada em tratamentos de resíduos da área de saúde. No Grande Recife e em Petrolina (sertão de Pernambuco), o serviço é realizado pela multinacional americana Stericycle, antiga Serquip.

 

Segundo a gerente de controle de qualidade e meio ambiente da empresa, Camila Coimbra, o lixo infectante é divido em grupos. O grupo A contém materiais como luvas, máscaras, toda parte de descartes de cirurgias, amputação de membros e também procedimentos envolvendo animais em clínicas veterinárias. No grupo B, estão contidos resíduos químicos como medicamentos. Já no E é descartado todo material perfurante, como ampolas, agulhas e brocas.

 

Pela Resolução 358 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o tratamento adequado pode ser feito pela autoclavagem ou pela incineração. Camila explica que a função da autoclave é esterilizar o material, a uma temperatura que varia entre 800º C e 1.200º C.

 

A autoclave, no entanto, não consegue tratar resíduos mais perigosos e tóxicos. Consegue apenas inativar a massa microbiana e eliminar patógenos.

 

A autoclave, no entanto, não é indicada para todos os processos, como, por exemplo, descarte de peças anatômicas e restos de remédios. Alguns materiais mais pesados e infectantes precisam ser incineradores, atingindo algumas vezes 130°C.

 

A coleta dos hospitais costuma ser feita diariamente. Independentemente de o destino final ter sido a autoclavagem ou a incineração, o que é gerado tem que, obrigatoriamente, ser levado para um aterro sanitário licenciado. Os gases emitidos como produtos finais também são tratados, e as cinzas que resultam da queima são analisadas e enviadas para um aterro.

 

Só no Grande Recife, são 600 toneladas de lixo por mês e cerca de 150 funcionários, a maioria trabalhando na coleta, para os 4.500 clientes da empresa – entre hospitais, clínicas veterinárias, tatuadores e farmácias, etc. –, se revezando nas diversas rotas dos caminhões baú da Stericycle.



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