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30/01/12
Saúde na Copa: o que o Brasil pode aprender com a África do Sul
A Diagnóstico foi buscar na experiência sul-africana as respostas para o Brasil montar sua estrutura médico-hospitalar para 2014
Danielle Villela

>> Veja galeria de fotos da estrutura médico-hospitalar da Copa do Mundo de 2010.

 

Quando a FIFA anunciou, em maio de 2004, que a África do Sul seria a sede da Copa do Mundo de 2010, o mundo inteiro se perguntava como uma nação com escores de saúde repletos de contrastes e encravada no continente mais pobre do planeta poderia acolher um dos maiores acontecimentos esportivos do mundo. Caberia ao país dos Bafana Bafana – como a seleção africana era carinhosamente chamada pelos seus torcedores – provar que, assim como os alemães, quatro anos antes, a África do Sul faria jus à escolha. “Não vamos decepcionar o mundo”, disse o então presidente sul-africano Thabo Mbeki, logo após a escolha do país pela FIFA. Além do gosto pelo futebol, a África do Sul guarda outras semelhanças com o Brasil: ambos fazem parte do BRICS – grupo político de cooperação formado também por Rússia, Índia e China –, têm uma população pobre dominante e uma estrutura hospitalar bastante heterogênea, com instalações modernas e medicina de padrão internacional, aliada à convivência com a proliferação de doenças medievais, como malária e tuberculose, em regiões mais pobres.

 

Mesmo assim, quatro anos depois, a estrutura de saúde do mundial montada pelo país, assim como o evento esportivo de um modo geral, foi avaliada com louvor pela própria entidade máxima do futebol.

 

Para dar suporte médico aos 3,18 milhões de espectadores que compareceram aos 64 jogos da Copa do Mundo de 2010 – terceira maior audiência registrada pela FIFA, atrás apenas das edições da Alemanha e dos Estados Unidos –, o governo da África do Sul atuou em conjunto com o comitê organizador local e a iniciativa privada, definindo 163 hospitais como referência para atendimento médico em todo país. Além da exigência elementar de estarem acessíveis 24 horas para atendimentos de emergência, consultas e admissões, as unidades deveriam estar preparadas para lidar com surtos de intoxicação alimentar, situações envolvendo grandes multidões, como tumultos, casos de histeria e acidentes de trânsito com múltiplas vítimas, assim como possíveis incidentes químicos, biológicos, radiológicos e acidentes nucleares. 

 

O Departamento Nacional de Saúde selecionou 105 unidades públicas, cada uma delas com atribuições específicas de atendimento definidas a partir de indicações das regionais do comitê organizador de cada província. Foram fatores determinantes os padrões dos serviços de urgência da unidade, o número de leitos e as especialidades disponíveis, sobretudo ortopedia, cardiologia e área de queimaduras, além da distância a ser percorrida dos locais relacionados à competição. “Isso significa que o hospital não era necessariamente o mais próximo dos estádios, mas aquele com as melhores instalações e atendimento médico naquela região”, detalhou à Diagnóstico Peter Fuhri, gerente do Programa do Setor de Saúde para a Copa do Mundo de 2010.

 

Homem forte das ações do Departamento Nacional de Saúde para o campeonato, Fuhri explica que coube ao governo assegurar toda a estrutura de atendimento necessária para cidadãos sul-africanos e visitantes. Durante os 30 dias de realização da Copa, foram registradas, em média, 36 admissões diárias de pacientes relacionadas ao evento em todo o país, sendo dois em cada três atendimentos realizados referentes a traumas, seguidos por atendimentos clínicos, cirurgias gerais e ortopédicas. Cada uma das unidades de referência recebeu designações específicas para atender casos de incidentes de massa, descontaminação, isolamento, queimaduras, especialidades como ortopedia e pediatria, além de VIPs, jogadores e membros da FIFA. “Naturalmente, o foco da federação durante o evento foi sobre os esportistas, familiares e seus próprios membros”, pondera Fuhri.

 

A FIFA, por sua vez, credenciou 58 hospitais privados, distribuídos por todas as províncias da África do Sul, para atender prioritariamente a esse público. Mais da metade das instituições se concentravam nas províncias de Gauteng – onde se encontram a capital Pretória e o centro econômico Joanesburgo – e Western Cape, região da segunda cidade mais populosa do país, Cidade do Cabo. “Recebemos indicações do comitê organizador sobre os hospitais de cada região e fizemos visitas individuais a essas instituições, para verificar se elas possuíam instalações de alto padrão internacional e condições totais para atender a todos os tipos de emergência médica dos times visitantes e da federação”, resume o neurologista Jiri Dvorak, chefe médico oficial da FIFA.

 

APOIO PRIVADO – Maior companhia de saúde da África do Sul, com 29% do mercado privado e 7% dos leitos registrados em todo país, o Grupo Netcare teve 22 hospitais credenciados pela FIFA, provendo atendimento médico para mais de 500 pacientes locais e estrangeiros durante a Copa do Mundo. “A FIFA buscou instalações com uma gama abrangente de serviços, incluindo diagnóstico por imagem, laboratórios, fisioterapia e serviços especializados, além de habilidade para lidar com pacientes do mundo todo”, comenta Mande Toubkin, coordenadora de serviços médicos do Grupo Netcare para a Copa do Mundo de 2010. “Nossos hospitais têm todas essas soluções disponíveis”, ressalta. Todos os hospitais do Grupo Netcare são credenciados pela Health Quality Service (HQS), do Reino Unido, além de serem certificados por seus padrões de qualidade com ISO 9001:2000. Durante a competição, a companhia também atuou com o Netcare 911, considerado o melhor serviço de emergência da África do Sul.

 

As cinco maiores unidades do Grupo Netcare foram definidas como instalações médicas especiais da FIFA: Netcare Milpark Hospital, em Joanesburgo, Netcare Unitas Hospital, em Pretória, Netcare Christiaan Barnard Memorial Hospital, em Cidade do Cabo, Netcare Greenacres Hospital, em Porto Elizabeth e Netcare St Augustine’s Hospital, em Durban. A escolha das unidades não implicou, no entanto, qualquer remuneração ou investimentos específicos provenientes da FIFA. “Embora não houvesse benefício financeiro real, nossos preparativos para o evento foram altamente positivos. Amadurecemos como grupo e como unidades de saúde individuais”, avalia Mande.

 

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