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27/01/15
BNDES tem R$ 1,6 bilhão para apoiar laboratórios
Recursos servirão para financiar projetos em biotecnologia. Especialistas do setor acreditam que a nova fronteira poderá gerar uma revolução tecnológica na indústria farmacêutica nacional
Valor Econômico

O Profarma, programa de apoio à indústria farmacêutica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), possui cerca de R$ 1,6 bilhão para emprestar até 2017. Entre outros propósitos, os recursos servirão para financiar projetos em biotecnologia. Especialistas do setor acreditam que a nova fronteira poderá gerar uma revolução tecnológica na indústria farmacêutica nacional, melhorar a visibilidade do setor internacionalmente, além de reduzir o déficit da balança comercial da Saúde, que em 2014 deve ficar em US$ 13 bilhões. As informações são do Valor Econômico.

De acordo com o presidente da Cristália, Ogari Pacheco, o Profarma é muito importante para garantir recursos o longo prazo e a indústria está sempre às voltas com investimentos de produção mais imediata. A empresa trabalha com biotecnologia há 14 anos e já contratou R$ 75 milhões pelo Profarma para 23 projetos. Além disso, estuda a possibilidade de um novo financiamento de aproximadamente R$ 300 milhões, para dar continuidade a 20 projetos. A proposta foi entregue ao BNDES, mas ainda não foi aprovada.

A Bionovis, empresa de biotecnologia fundada por outras farmacêuticas, encontra-se em fase pré­operacional e já submeteu pedido de financiamento ao BNDES. A quantia gira em torno de R$ 500 milhões para a construção de uma fábrica. A companhia já possui contratos com laboratórios públicos e sete parcerias para desenvolvimento e e produção no país voltadas para o tratamento de doenças do sistema imunológico.

A Orygen, outra empresa de biotecnologia pré-­operacional formada por farmacêuticas e com parceria de transferência tecnológica com a Pfizer, estima investir cerca de R$ 500 milhões para a construção de uma fábrica ainda este ano e também deverá pedir recursos ao BNDES.
Já a farmacêutica Libbs obteve diversos financiamentos do BNDES. O primeiro, em 2004, foi de R$ 16,9 milhões para a instalação de um parque fabril. Em 2007, a empresa recebeu R$ 15,8 milhões para pesquisa e desenvolvimento de produtos. Em 2010, recebeu R$ 47,3 milhões para investir em novos medicamentos e farmoquímicos não produzidos no Brasil.

Em 2013, a Libbs recebeu outro financiamento de R$ 250,8 milhões para construir uma nova unidade de biofármacos, que será inaugurada em 2016. No ano passado, outro investimento de R$ 266,7 milhões para projetos de pesquisa e desenvolvimento de fármacos e medicamentos foi aprovado.
Conforme Márcia Bueno, diretora de relações institucionais da empresa, o Profarma é importante porque permitiu o aumento da produção nacional, adensamento tecnológico, aumento da realização de estudos clínicos no país e ajudou na redução da importação de medicamento.

Mauricio Neves, superintendente da área industrial do BNDES, concorda. Segundo ele, há uma relação direta entre as prioridades do programa com o desenvolvimento tecnológico da indústria no país. Já de acordo com Pedro Palmeira, chefe de departamento de produtos para a saúde do banco, o Profarma financiou R$ 5 bilhões para 116 projetos de farmacêuticas.
Há consenso entre os executivos do setor, no entanto, de que é preciso fazer mais, pois a produção nacional de medicamentos ainda depende da importação de princípios ativos. De acordo com Pacheco, da Cristália, a produção nacional desses componentes e a redução da dependência internacional são "calcanhares de Aquiles".

Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do ministério da Saúde, admite que há déficit comercial na saúde, mas rebateu as críticas sobre a importação de princípios ativos. Segundo ele, não existe falsa dicotomia entre inovar e transferir tecnologia.

Em 2007, o ministério se aproximou do Profarma e lança, anualmente, uma lista de produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). A medida garante demanda para que as farmacêuticas inovem e produzam no país. Cerca de 98 processos de transferência de tecnologia para produzir 92 produtos no país estão em curso. Destes, 26 já são comprados pelo ministério, e 27 são de biotecnológicos.

Para os últimos anos, Gadelha estima que o programa do BNDES, em conjunto com a Finep, deverá proporcionar R$ 13 bilhões em investimentos na indústria farmacêutica. Atualmente, ele explica que a lista de produtos representa poder de compra de R$ 9 bilhões ao ano e a economia para o SUS é de R$ 3 bilhões anuais. Ainda segundo Gadelha, com a lista do ministério, as farmacêuticas têm mercado garantido, que oferece segurança ao desenvolvimento tecnológico e reduz custos com comercialização e marketing.

O Governo lançou outra lista de produtos. As empresas deverão apresentar projetos para 21 deles, até o mês de abril. O enfoque é em equipamentos e biotecnologia. O secretário avisa que irá lançar, ainda no primeiro trimestre, um marco regulatório de parceria de pesquisa e desenvolvimento para produtos inovadores que tenham sido feitos no Brasil.As informações são do Valor Econômico.



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