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09/04/15
Brasil avançou pouco no comércio mundial de medicamentos
Antônio Britto, presidente executivo da Interfarma: falta de fôlego das exportações da indústria farmacêutica se reflete em um déficit comercial crescente
Valor Econômico

Nos últimos dez anos, entre 2004 e 2014, o Brasil avançou quatro posições no ranking mundial das exportações de produtos farmacêuticos. O país passou do 65º para o 61º lugar em termos de participação dos medicamentos na pauta de vendas externas, segundo levantamento da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Ainda assim, o índice de 0,66%, deixa o Brasil bem atrás da média mundial para esse mercado, de 2,8%. As informações são do Valor Econômico.

Antônio Britto, presidente executivo da entidade, afirmou que a falta de fôlego das exportações da indústria farmacêutica se reflete em um déficit comercial crescente. Atualmente, o Brasil responde pelo quinto maior déficit, com mais de US$ 6 bilhões. Na balança comercial local, a indústria farmacêutica responde pelo oitavo maior déficit, que representa 4,4% do saldo negativo do país.

Britto afirma ainda que são muitos os obstáculos à competitividade do medicamento brasileiro no mercado mundial. O ponto central, ainda segundo o executivo, é que o déficit comercial é crescente, mas a razão não está no desequilíbrio das importações, que cresce menos do que em outros países.

Ele afirma ainda que, nos últimos dez anos, o volume de produtos farmacêuticos comercializados mundialmente, considerando-­se exportações e importações, cresceu em torno de 110%, enquanto a corrente de comércio farmacêutica do Brasil avançou 287%, alcançando US$ 1,6 bilhão em exportações e US$ 8,2 bilhões em importações. 

O problema, afirma o presidente da Interfarma, é que, embora as exportações brasileiras de medicamentos tenham crescido, o ritmo foi bem menor que a média mundial e hoje elas representam 0,31% do total exportado no mundo.

O Brasil ficou em 27º lugar no ranking geral de exportação de medicamentos e ocupa a 16ª posição no de importações, com 1,54% da importação global. Para impulsionar as vendas externas, Britto acredita que o País deveria adotar medidas de estímulo à produção de insumos, que hoje são importados maciçamente. 

Em 2011, as exportações brasileiras de insumos estavam na casa de US$ 800 milhões. Em 2014, caíram a US$ 560 milhões. No mesmo ano, as importações desse tipo de produto totalizaram US$ 2,7 bilhões, frente a US$ 1 bilhão em 2005.

O medicamento básico é outro item que poderia constar da pauta de exportações, pois não teriam condições de concorrer com importantes fornecedores globais, como a Índia. O executivo explica que trata-se de um mercado que se tornou de commodity, já que não há mais a proteção de patente, e o genérico brasileiro não tem preço para enfrentar o produto indiano, por exemplo. 

Britto acrescenta ainda que, diante do tamanho do mercado farmacêutico doméstico, políticas de incentivo às vendas externas de remédios produzidos localmente não foram tratadas como prioridade.

A conclusão do presidente executivo da Interfarma é que o Brasil teria de fomentar as exportações com maior oferta e preço mais baixo do que a concorrência internacional, já que restringir seria reduzir o acesso a medicamentos. E uma potencial solução passaria pela retomada da produção local de insumos.

As informações são do Valor Econômico.



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