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27/06/13
Brasil irá produzir remédios e vacinas para cortar custos
A partir de 2015, país pretende fabricar 100% de vacinas contra a gripe A e medicamentos biossimilares. Economia poderá ser de R$ 225 bilhões por ano
Terra

O Brasil pretende produzir, a partir de 2015, todas as vacinas contra o vírus da gripe H1N1, também conhecido como influenza A, necessária para suprir a demanda nacional. Ao todo, serão 44 milhões de doses. Em relação à campanha de vacinação de 2013, o fabricante das vacinas brasileiras, Instituto Butantan, já produziu 15% do total.

Outros 14 medicamentos biológicos também deverão ter fabricação 100% nacional. A prioridade é que misturas que combatem diferentes tipo de câncer, como o de mama e a leucemia, tenham prioridade. Fazem ainda parte da lista remédios para artrite reumatoide, diabetes, um medicamento cicatrizante, um hormônio do crescimento e uma vacina contra alergia.

Entre os países que mais gastam com o mercado de medicamentos em todo o mundo, o Brasil encontra-se na sétima colocação, com cerca de R$ 55 bilhões por ano. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior comprador do mercado nacional. De acordo com o Ministério da Saúde, o consumo acelerado gera um déficit comercial de aproximadamente R$ 11 bilhões na área de saúde.

Dependência estrangeira - Ainda segundo o ministério, a decisão de investir na produção nacional poderá fazer com que o País economize R$ 225 milhões por ano. Segundo João Batista Calixto, especialista em farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, o governo não deveria se concentrar apenas na questão financeira. "Não basta ter só dinheiro. Recursos humanos são fundamentais. Nós contamos com profissionais estrangeiros o tempo inteiro. Este é o grande problema do País."

Os medicamentos biológicos são produzidos a partir de um processo complexo e por isso são considerados produtos de última geração e alto custo. Do total de remédios vendidos no Brasil, esse grupo representa 3%. Já os biossimilares possuem a mesma estrutura dos biológicos, mas nascem de um processo de engenharia reversa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é quem decide se a versão biossimilar é segura para entrar no mercado.

Mesmo assim, o farmacologista ressalta que os biossimilares são muito complexos e não podem ser simplesmente "copiados", como acontece com os genéricos. "Não acredito que vai ser fácil se tornar um produtor completamente independente. A Anvisa aprovou uma lei para biossimilares, mas ainda há muita pesquisa a ser feita. Com os genéricos, houve um ganho na escala de preços – cerca de 30% de redução – mas a matéria-prima ainda vem de outros países. No fim, acaba sendo tudo um grande gasto para o Brasil", alega Calixto.

Caso o País consiga uma estrutura tecnológica capaz de produzir biológicos de forma independente, além de gerar mais empregos, o corte de gastos deverá superar o registrado com a fabricação de genéricos. Mas este não é um objetivo fácil. "A briga pelo mercado, por patentes, será maior. Com a produção de biossimilares, o risco também cresce, em função da complexidade da composição. A população terá acesso aos remédios, porque o SUS pagará tudo e fará com que as composições se tornem bem mais baratas. Mas isso não quer dizer que o País terá sucesso de hoje para amanhã."

Apesar das dificuldades observadas por pesquisadores e cientistas, Carlos Gadelha, do Ministério da Saúde, mostrou-se otimista. Segundo ele, 33% dos investimentos na ciência brasileira são feitos na área da saúde e o País conta com uma boa indústria de formação final. "A ideia não é produzir tudo no Brasil, mas reduzir a dependência do País. O objetivo é verticalizar a produção e reforçar a estratégia de desenvolvimento tecnológico."

Gadelha disse ainda que a produção acelerada da vacina contra a influenza se enquadra neste aspecto, pois as parcerias realizadas farão com que a população tenha mais segurança na área da saúde – não apenas contra grandes epidemias, mas também contra doenças sazonais, como a gripe.

O representante não enxerga uma possível briga por pantentes. Segundo ele, as patentes concedidas às empresas que comercializam medicamentos para o Brasil e para o mundo estão quase expirando. "Depois disso, não existirá mais patentes. Não haverá mais motivo para briga. Por isso, a realização de 27 parcerias com oito laboratórios públicos e 17 privados é interessante. Não é somente uma terceirização, mas sim, um desenvolvimento conjunto entre instituições públicas e estrangeiras, que vai fazer com que haja uma economia na produção de R$ 225 milhões por ano".

Ele disse ainda que não há motivos para duvidar que o País seja capaz de alcançar os objetivos até 2015. "Nós temos todas as condições de mercado, capacidade produtiva, demanda pública do Sistema Único de Saúde e ciência instalada. Estou confiante que daremos este salto. Quem acreditar, vem junto. Quem não, vai ver o filme passar".

*As informações são do Terra.



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