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22/05/17
Brasil será autossuficiente em fármacos para câncer
Atualmente, país importa da Argentina, Rússia e África do Sul
Da redação

O Brasil deverá tornar-se autossuficiente em fármacos para o diagnóstico e tratamento de câncer e outras doenças com a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), cujo projeto detalhado começa a ser desenvolvido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul).

Atualmente, o Brasil compra os insumos da Argentina, Rússia e África do Sul. Para atender à demanda anual de 2 milhões de procedimentos em medicina nuclear, o país importa cerca de US$ 15 milhões (cerca de R$ 48 milhões) em radioisótopos que são processados e enviados a mais de 400 hospitais e clínicas brasileiras.

Na assinatura do acordo de cooperação técnica entre a Cnen e a Amazul, o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Elton Santa Fé Zacarias, garantiu que o ministério dará todo apoio à construção do RMB Brasileiro.

“Estamos confiantes na capacidade técnica da Amazul e da Marinha do Brasil para desenvolver esse projeto”, afirmou Elton Santa Fé Zacarias. “O ministro Gilberto Kassab entendeu a luta de tirar do papel grandes projetos como o navio oceanográfico, o satélite geoestacionário e o superlaboratório Sirius. Faltava o RMB e por isso tenho muito orgulho de participar deste momento”, acrescentou. Disse, ainda, que o Ministério da Saúde deverá participar também do financiamento do projeto.

A serviço da vida

“O RMB é a tecnologia nuclear a serviço da vida”, sintetizou o professor José Augusto Perrotta, coordenador técnico do projeto na Cnen. O reator produz radioisótopos que são usados na fabricação de fármacos para diagnóstico e tratamento do câncer e outras doenças"

“Para nós, o RMB tem um incalculável valor social, já que coloca a tecnologia nuclear a serviço da saúde dos brasileiros, salvando vidas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes”, afirma Ney Zanella dos Santos, diretor-presidente da Amazul. “Além disso, promoverá uma sinergia de conhecimento com o Programa Nuclear Brasileiro.”

“A demanda reprimida de radioisótopos tanto na rede pública quanto na particular é muito grande e será melhor suprida quando o RMB estiver operando em sua plena capacidade”, reforçou o presidente da Cnen, Paulo Roberto Pertusi. Ele lembrou que a pesquisa a partir do RMB contribuirá também para o Programa Nuclear da Marinha e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos.

“O projeto traz soberania ao país na área da saúde”, observou Silvia Maria Velasques de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares. “O reator é importante para produzir material para diagnóstico e terapia, mas também precisamos pesquisar sintomas e doenças para as quais ainda não existem remédios. Não vamos precisar esperar pelo que é desenvolvido lá fora, mas poderemos produzir aqui os medicamentos de que a nossa população precisa”, acrescentou.

Para Marília Marone, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, a entidade continuará a mobilizar médicos, clínicas, institutos de pesquisa e outras instituições ligadas à medicina nuclear para apoiar o desenvolvimento do projeto.

O RMB terá outras aplicações além da medicina nuclear. Ele disponibilizará tecnologias que poderão ser aplicadas na agricultura, no meio ambiente e na indústria. Essas tecnologias permitem, por exemplo, testar materiais, localizar fissuras em superfícies como asas de avião ou verificar a quantidade de agrotóxicos contida em alimentos.

Convênio com a Finep

O projeto detalhado do RMB será desenvolvido por meio de convênio com a Financiadora de Projetos (Finep), no valor de R$ 150 milhões. O empreendimento, incluindo a construção do reator, absorverá investimentos de US$ 500 milhões (R$ 1,6 bilhão a câmbio atual), recursos que virão do Tesouro Nacional.

Também participará do desenvolvimento do projeto detalhado a Invap S.E., empresa pública argentina de tecnologia e projetos, uma das responsáveis pelo projeto básico do RMB.

A Amazul, co-executora do projeto, agregará a expertise de seus empregados que há décadas participam do Programa Nuclear da Marinha, Programa Nuclear Brasileiro e Programa de Desenvolvimento de Submarinos.

O projeto básico do RMB está pronto e o empreendimento já tem a Licença Prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Licença Local da Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear da Cnen.

O empreendimento será construído em terreno de 2 milhões de metros quadrados (cerca de 200 campos de futebol), parte cedido pela Marinha do Brasil e parte em processo de desapropriação pelo governo do Estado de S. Paulo, localizado ao lado do Centro Industrial e Nuclear de Aramar, em Iperó, onde também está sendo desenvolvido o reator para o submarino nuclear brasileiro.

“É um privilégio termos em São Paulo um projeto desta envergadura, que traz benefícios para a população e produção de conhecimento, numa região estratégica para o desenvolvimento do Estado de São Paulo, como é a região de Sorocaba”, observou o assessor da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, Ricardo Viegas, que representou o secretário Samuel Moreira no evento. “O governo do Estado, por meio da Casa Civil, está de portas abertas para dar o apoio necessário ao desenvolvimento desse projeto”, prometeu.



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