home notícias Mercado e Negócios
Voltar Voltar
25/08/14
Brasileiros estão insatisfeitos com saúde pública e privada
Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), aponta que, para 93% da população, os serviços públicos e privados de saúde são considerados regulares, ruins ou péssimos
Paula Laboissière, da Agência Brasil

Os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população. É o que indica pesquisa do Instituto Datafolha feita a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Paulista de Medicina (APM). Para o CFM, os dados apontam insatisfação dos brasileiros com os serviços. O levantamento mostra que os principais problemas enfrentados pelo setor incluem filas de espera, falta de acesso aos serviços públicos e má gestão de recursos. De acordo com o estudo, a saúde é apontada como a área de maior importância para 87% dos brasileiros. Para 57%, o tema deve ser tratado como prioridade pelo governo federal.

A pesquisa foi feita entre os dias 3 e 10 de junho de 2014 e ouviu 2.418 homens e mulheres com idade mínima de 16 anos em todos os estados brasileiros. A margem de erro é 2 pontos percentuais. Na pesquisa, os entrevistados avaliaram os serviços da saúde como um todo no país (público e privado), com foco no SUS.

Os dados revelam que, em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), os pontos mais críticos são os relacionados ao acesso e ao tempo de espera. Mais da metade dos entrevistados que buscaram atendimento na rede pública relataram ser difícil ou muito difícil conseguir o serviço pretendido - sobretudo cirurgias, atendimento domiciliar e procedimentos específicos como hemodiálise e quimioterapia.

Em relação à qualidade dos serviços, 70% dos que buscaram o SUS disseram estar insatisfeitos e atribuíram avaliações que variam de regular a péssimo. A percepção mais negativa está relacionada ao atendimento nas urgências, emergências e em pronto-socorros.

Entre os entrevistados, pelo menos 30% declararam estar aguardando ou ter alguém na família aguardando a marcação ou a realização de algum procedimento na rede pública. Mesmo entre os que têm plano de saúde, 22% aguardam algum tipo de atendimento no SUS.

Os dados mostram que duas em cada dez pessoas ouvidas conseguiram ser atendidas no prazo de um mês, enquanto 29% aguarda há mais de seis meses para ter a demanda atendida. O grupo que passa mais tempo aguardando atendimento do SUS são as mulheres com idade entre 25 e 55 anos, que concluíram o ensino fundamental e residem na Região Sudeste.

O presidente do CFM, Roberto Luiz d'Avila, avaliou que o resultado apontado pela pesquisa é de insatisfação com a saúde como um todo. "As respostas estão aí para serem analisadas", disse. "Não somos nós, médicos, que continuamos a dizer que a insatisfação é muito grande. No nosso meio, temos certeza absoluta de que esse atendimento é insatisfatório. E eu diria mais: é prejudicial", completou.

Já o vice-presidente do conselho, Carlos Vital, classificou as dificuldades enfrentadas pelo setor como crônicas. "Vivemos uma fase de agonização desse problema nos últimos 12 anos", disse. "Orçamento e administração são os principais problemas. Não podemos continuar nessa espera. Vidas humanas se perdem nesse processo", concluiu.

O Ministério da Saúde informou que os recursos destinados à rede pública mais que triplicaram nos últimos 11 anos, passando de R$ 27,2 bilhões em 2003 para R$ 91,6 bilhões em 2014. Esses recursos, segundo a pasta, garantiram resultados como a cobertura de cerca de 60% da população pelas equipes de Saúde da Família, com ampliação do acesso a 50 milhões de brasileiros, atendidos pelos 14,4 mil médicos do Programa Mais Médicos; 75% da população com acesso ao Samu; mais de 90% da cobertura vacinal, incorporando todas as vacinas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde; manutenção do maior sistema de transplante público do mundo, com 95% do total de transplantes realizados no SUS; e ampliação, desde 2011, de mais de 16 mil leitos do SUS em unidades mais próximas da casa do cidadão.

“Importante esclarecer que a gestão e o financiamento do SUS são compartilhados entre União, estados e municípios”, finalizou o ministério.

Mais tarde, o ministério divulgou nota em que alega que a pesquisa "reitera desafios importantes para o sistema de saúde e aponta avanços como acesso superior a 84% na maioria dos tipos de serviços avaliados. Das pessoas que procuram os postos de saúde, 91,3% conseguiram atendimento, o que demonstra os bons resultados de estratégias como o Mais Médicos. Dos que utilizaram o SUS, 74% avaliam a qualidade do atendimento com notas superior a 5, sendo que um terço dos entrevistados deram notas entre 8 e 10. Lamentamos a interpretação tendenciosa e parcial dos dados e o esforço do CFM na tentativa de desconstrução do SUS".

PLANOS DE SAÚDE E GOVERNO CONTESTAM PESQUISA SOBRE SAÚDE NO BRASIL

Os resultados da pesquisa feita pelo Instituto Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), sobre a saúde no país foram questionados pelo governo e representantes da saúde privada.  Divulgado na última terça-feira (19), o estudo aponta que os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população. De acordo com a pesquisa, 60% dos entrevistados deram nota de 0 a 4 para a saúde (pública e privada); 32%, nota de 5 a 7; 7%, nota de 8 a 10; e 0,4% responderam que não sabem.

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as principais operadoras de saúde do país, considera que o resultado da pesquisa contraria o cenário apontado por indicadores do próprio órgão regulador do mercado e do Procon-SP.

“Segundo a última edição da publicação Foco – Saúde Suplementar, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em março de 2014, o índice de reclamações dos beneficiários caiu pelo quinto mês consecutivo, para os conjuntos de operadoras de pequeno, médio e grande porte. Entre as dez áreas monitoradas pelo Procon-SP, os planos de saúde ocupam, ano após ano, as posições 7º, 9º, 8º e 7º no ranking de queixas, de 2010 a 2013. As operadoras de planos de saúde estão empenhadas em corrigir eventuais imperfeições no atendimento e os indicadores mostram essa determinação”.

Procurada pela reportagem, a ANS, agência que regula os planos de saúde, informou que não vai comentar os resultados da pesquisa porque não há um recorte que trate especificamente da saúde privada no país. A pesquisa do CFM tinha o objetivo de  "conhecer a percepção e as opiniões da população brasileira com idade acima de 16 anos sobre a saúde no país, com foco especial no atendimento oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde)".

Já o Ministério da Saúde divulgou ontem (20) uma nota de repúdio ao estudo, argumentando que o levantamento foi feito de maneira tendenciosa e distorcida e se referindo aos dados como um desserviço ao SUS. “A atitude desrespeita e denigre o esforço de milhões de gestores e profissionais que atuam na rede pública e privada de saúde, como os próprios médicos. A pesquisa, se analisada com seriedade, poderia trazer contribuições para o aperfeiçoamento do sistema de saúde brasileiro, nas suas esferas público e privada.”

Para a pasta, o conselho induz a opinião pública ao erro quando afirma que 93% da população atribuíram uma nota negativa ao sistema de saúde (público e privado) no país, já que a pesquisa mostra que 74% dos entrevistados deram notas superiores a 5 para os serviços ofertados pelo SUS. De acordo com a pesquisa, dos entrevistados que usaram um serviço da rede pública, 26% deram nota de 0 a 4 sobre a qualidade dos serviços; 44%, nota de 5 a7; 30%, nota de 8 a10; e 1% não sabem.

“Não há dúvida que, ao apontar que 96,7% dos entrevistados tiveram acesso aos serviços de saúde, a pesquisa permite dizer que União, estados, municípios, prestadores de serviço complementar e parceiros estão no caminho certo para a garantia do direito constitucional à saúde”.

O CFM, por sua vez, divulgou uma nota de esclarecimento onde ressalta que os resultados da pesquisa expressam a percepção dos brasileiros sobre o tema e que os dados foram coletados e analisados por uma das instituições mais reconhecidas do país.

“As conclusões foram organizadas metodologicamente pelos pesquisadores do Datafolha, que fizeram a análise dos resultados com autonomia, isenção e idoneidade, cabendo ao CFM apenas sua divulgação. Para o CFM, a efetiva e real construção do Sistema Único de Saúde (SUS) passa pela transparência e pelo respeito à percepção e às necessidades dos cidadãos, as quais devem pautar as políticas públicas e as decisões dos gestores nas três esferas – União, Estados e Municípios”.

O conselho acrescentou que repudia ataques à instituição, que representa 400 mil médicos e participou do processo de construção do SUS com outorga legal para agir em defesa da medicina e da assistência de qualidade. “Ao revelar os dados da pesquisa, o CFM agiu imbuído do seu senso de responsabilidade e apresentou ao conhecimento público a percepção dos brasileiros, que, como reiterado, diariamente demonstram sua insatisfação com os rumos da saúde do país”, concluiu.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.