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20/06/13
Comércio Exterior: Israel vendeu US$ 70 milhões em produtos médicos ao Brasil
País com maior nível de inovação tecnológica em saúde no mundo tem planos ambiciosos para o mercado brasileiro de quase 200 milhões de consumidores
Gilson Jorge


Jayme Blay, presidente da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, salientou que os governos dos dois países se integraram à viagem, que serviu “para fortalecer as relações e o intercâmbio entre os dois países” (Foto: Ricardo Benichio)

Há 65 anos, em 14 de maio de 1948, o Estado de Israel entrou para o mapa ao ser declarado independente do território palestino, com a participação decisiva do embaixador brasileiro Oswaldo Aranha. A gratidão israelense é tanta que o falecido diplomata gaúcho, presidente da assembleia da ONU em 1947, quando se deliberou pela criação do país, empresta o seu nome a uma praça em Jerusalém e a uma rua em Tel Aviv. Pois no último mês de maio, Israel entrou definitivamente para o mapa dos negócios da saúde do Brasil. Uma inédita missão médica, liderada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou as sedes de algumas das principais instituições de saúde do Oriente Médio em busca de soluções para o mercado brasileiro. Poucos dias depois, um grupo de empresários israelenses do setor médico aterrissou em São Paulo para participar da Hospitalar, em busca de distribuidores para seus produtos.

O crescente interesse do país que mais investe em inovação tecnológica no mundo pelo Brasil ficou evidente em 2011, quando o Protalix, medicamento feito em Israel contra a doença de Gaucher, foi liberado pela Anvisa para consumo no país. Dois anos depois, a empresa que o produz está em avançadas negociações com o governo brasileiro para a instalação de uma fábrica de R$ 170 milhões no Ceará. O custo financeiro será bancado pelo Brasil, através da Fiocruz, e Israel entra com a tecnologia.

Em 2012, a indústria de saúde israelense vendeu US$ 70 milhões ao Brasil, um crescimento de 30% em relação a 2010. As cifras ainda são modestas, mas, ao mesmo tempo, espelham o enorme potencial que as empresas daquele país enxergam no novo parceiro. “Esses números sugerem às empresas israelenses o grande potencial de negócios no Brasil, ainda que o processo regulatório continue sendo um desafio e demande grandes recursos e cooperação com fabricantes locais”, afirmou à Diagnóstico, de Tel Aviv, Angela Rabinovich, do Israel Export and International Cooperation Institute (IEICI) – correspondente a Apex, no Brasil. Além disso, o país mais desenvolvido do Oriente Médio considera que o Brasil está enviando ao mundo uma mensagem de que é um país estável, aberto ao investimento estrangeiro e pronto para a cooperação econômica. Justamente como está acontecendo entre a Protalix e a Fiocruz.

A Teva, maior produtora mundial de genéricos, pode seguir o mesmo caminho da Protalix. Criada em 1933 como um pequeno laboratório por um cientista judeu que emigrou para a Palestina, a empresa se tornou um ícone do setor de saúde em Israel em 1976, quando uma série de fusões e aquisições de concorrentes deu origem à Teva Pharmaceutical Ltda. Um gigante do setor que, em 2012, faturou US$ 20,3 bilhões em vendas, com a fabricação de 73 bilhões de comprimidos. 

Para se ter uma ideia da importância da empresa, a cada seis genéricos prescritos pelos médicos nos Estados Unidos, um é da Teva. Diariamente, a companhia israelense vende 1,5 milhão de comprimidos na nação mais rica do planeta e outros 2,7 milhões na União Europeia.  Presente no Brasil há sete anos, a empresa tem como um dos principais produtos no mercado local o Copaxone, uma solução injetável para o tratamento de esclerose múltipla remitente recorrente (EMRR).

Hospitalar – Mas não são apenas os grandes conglomerados da indústria farmacêutica que estão querendo fincar o pé no Brasil. Um grupo de pequenos (mas promissores) empreendedores do setor participou pela primeira vez, este ano, da Hospitalar, em São Paulo, com o apoio institucional do IEICI. A entidade, sediada em Tel Aviv, montou um estande na principal feira do setor na América Latina para ajudar a promover pequenas empresas inovadoras.

Todo esse interesse pelo Brasil não é à toa. Com uma população de quase 200 milhões de habitantes, a sétima maior economia do planeta e uma crescente utilização dos serviços de saúde, o país é um mercado desejado avidamente pelas empresas de uma nação de alto desenvolvimento tecnológico e poucos consumidores: algo em torno de sete milhões de pessoas, apenas um pouco mais do que a cidade do Rio de Janeiro.

“O Brasil é muito importante para nós, e a Hospitalar é a maior feira da América Latina, por isso estamos aqui”, declarou à Diagnóstico Raphaële Moog, executiva do IEICI, que trouxe ao país oito empresas de pequeno e médio porte, mas dotadas de tecnologias avançadas em diferentes setores, como dispositivos para o tratamento do mal de Alzheimer e cápsulas com câmeras acopladas para a investigação de tumores no sistema digestivo. “São tecnologias que não existem em nenhuma outra parte do mundo”, afirma Moog. 


Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em visita ao Hadassah Medical Center, em Jerusalém: interesse bilateral pode ampliar cooperação médico-científica entre brasileiros e israelenses (Foto: Divulgação)

Algumas dessas empresas já vendiam para a América Latina, mas querem ampliar a participação no mercado regional, que responde apenas por 1,4% das vendas externas de Israel. A Cool Sense é um bom exemplo. Especializada em produtos dermatológicos, a empresa já tem distribuidores na Argentina e na Colômbia, mas resolveu pegar carona na iniciativa do IEICI e se aventurar em busca de distribuidores no maior país da região. “Queremos finalmente encontrar distribuidores apropriados e bem estabelecidos para lidar com nossos produtos. A América Latina é uma região promissora, especialmente na área de estética”, afirmou à Diagnóstico o gerente de marketing da Cool Sense, Rami Bakal. A mesma esperança de conseguir distribuidores trouxe ao Brasil a Neuronix Ltda, empresa que produz um dispositivo que combate o Alzheimer através de estímulos eletromagnéticos das regiões do cérebro afetadas pela doença. “O nosso sistema NeuroAD já recebeu aprovação das autoridades competentes da Europa e da Ásia, onde já está sendo comercializado. Mais testes estão sendo feitos nos Estados Unidos, pela FDA, e na Inglaterra”, declarou à Diagnóstico a vice-presidente de marketing da Neuronix, Orly Bar.

O IEICI não forneceu dados sobre as expectativas de negócios durante a feira. Mas a reputação de oferecer produtos eficientes e baratos coloca o pequeno país do Oriente Médio no radar dos executivos brasileiros do setor de saúde. No final de abril, uma comitiva de gestores públicos, médicos e empresários de healthcare embarcou para Tel Aviv a convite da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria e do Hospital Israelita Albert Einstein.    

Missão médica – Na comitiva, nomes de peso como os presidentes da Bradesco Seguros, Márcio de Araújo Coriolano, da Amil, Edson Bueno, e da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Francisco Balestrin, além do próprio presidente do Albert Einstein, Claudio Lottenberg. Liderado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo presidente da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, Jayme Blay, o grupo percorreu hospitais e unidades fabris de referência. 

No roteiro oficial de visita, hospitais como o Shebar Medical Center, criado em 1948, ano da fundação do Estado de Israel, para tratar das vítimas da guerra pela independência. Atualmente, a instituição é o maior centro de saúde do país dedicado a casos agudos, mulheres e crianças, atendendo pacientes de todo o Oriente Médio e mantendo ainda um centro acadêmico. Também foram visitadas instituições de vanguarda em termos científicos, como o Hadassah Medical Center, os institutos Technion e Weizmann, a Universidade Hebraica de Jerusalém, a 52ª melhor do mundo, e a seguradora Macabi, a maior empresa israelense do setor, para contemplar os executivos da Bradesco Seguros e da Amil, empresas que integram a Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria.

Uma parte do roteiro que deve ter interessado particularmente ao ministro Alexandre Padilha foi a visita à Teva, líder mundial na produção de genéricos. Como já foi dito, especula-se que a empresa estaria negociando a abertura de uma unidade fabril em território brasileiro. Mentor da missão médica, o presidente da Câmara Brasil-Israel, Jayme Blay, salientou que os governos dos dois países se integraram à viagem, que, além de fomentar a troca de expertise na área da saúde, serviu “para fortalecer as relações e o intercâmbio entre os dois países”.

O que vai sair de concreto dessa visita ainda é uma incógnita, como destaca Blay. “É como um namoro, em que você apresenta as pessoas. Mas o que eles vão fazer a portas fechadas, ninguém sabe”, brinca. O fato é que essa aproximação é muito desejada pelos dois lados. Em apenas 65 anos de existência como Estado nacional, Israel é uma das maiores referências mundiais em pesquisa e desenvolvimento. Isso é fruto do esforço para enfrentar o permanente estado bélico com a vizinhança e dos milhões de dólares que jorram em seus cofres anualmente, desde a sua fundação, por meio da diáspora judia no mundo e dos Estados Unidos, seu grande fiador no planeta. 

Inovação – Graças à mão de obra qualificada, o país recebeu nos últimos dois anos novos centros de pesquisa de duas gigantes no setor de healthcare. A GE, que já tinha sete centros de pesquisa em território israelense, investiu cerca de  US$ 4 milhões em uma oitava unidade, especializada em dispositivos médicos, além de água e energia limpa. Mais do que satisfeita com os resultados obtidos em Israel, a Philips anunciou, no final de 2012, a ampliação do seu centro de pesquisas em Haifa, onde 600 trabalhadores, incluindo cientistas e técnicos, desenvolvem scanners CT em 3D que depois são vendidos para o mundo inteiro. 

Mas nesse momento o foco principal do IEICI no setor de saúde parece estar nos pequenos inovadores. De Israel saíram soluções médicas que impressionaram o mundo, como a cápsula com uma câmera que, ingerida pelo paciente, permite ao médico fazer um preciso diagnóstico do aparelho digestivo. Agora, antes que sejam engolidas pelas multinacionais do setor, pequenas empresas israelenses de inovação tecnológica querem se apresentar ao Brasil. E os executivos brasileiros seguem comprando passagens para o Oriente Médio. 

Em junho, alguns deles estarão presentes à  MedinIsrael, principal feira de inovação médica daquele país. Sinal de que a cooperação entre os dois países está só começando.

*Matéria publicada na revista Diagnóstico n° 20.



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