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17/04/13
Complicações cirúrgicas são lucrativas para hospitais nos EUA
Segundo pesquisadores, pacientes de plano de saúde com problemas pós-operatórias devolvem ao hospital margem de lucro 330% maior do que procedimentos que dão certo
AFP

De acordo com um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), quanto mais e complicam as intervenções cirúrgicas, maior é a margem de lucro dos hospitais nos Estados Unidos, constatação que é tida como um obstáculo em relação à melhora na qualidade do atendimento.

Segundo o médico e um dos autores da pesquisa, Sunil Eappen, um dos encarregados do Centro de Massachusetts (nordeste) para olhos e ouvidos (Massachusetts Eye and Ear Infirmary), em Boston, foram descobertos indícios segundo os quais quem "reduzir os prejuízos aos pacientes e melhorar a qualidade dos tratamentos é penalizado de forma perversa em nosso sistema de atenção".

De acordo com o médico Atul Gawande, diretor dos Laboratórios Ariadne e professor de saúde pública na Harvard School of Public Health (HSPH) e principal autor do estudo, eles já tinham conhecimento de que centros hospitalares não recebem recompensas pela qualidade dos cuidados que dão, "mas se desconhecia quanto dinheiro ganhavam quando os pacientes sofriam prejuízos". 

segundo a pesquisa, os pacientes de plano de saúde que têm complicações pós-operatórias devolvem ao hospital que os atende uma margem de lucro 330% maior (aproximadamente 39.000 dólares por paciente) do que os que se recuperam satisfatoriamente após uma intervenção.

Já os pacientes com cobertura Medicare - sistema federal de seguro de saúde para aposentados -, que sofrem complicações pós-operatória, geram uma margem 190% mais elevada no hospital do que os procedimentos que dão certo.

Assim, os autores da pesquisa concluem que, um esforço maior por parte dos diretores de hospitais para reduzir a taxa de complicações cirúrgicas, das quais as 10 mais frequentes são evitáveis, poderia deteriorar fortemente as finanças das unidades.

Ainda segundo o estudo, hospitais e clínicas fazem intervenções cirúrgicas da ordem de 400 bilhões de dólares anuais e, embora haja métodos eficazes para reduzir as complicações, os avanços são lentos na hora de ser implementados. Para os pesquisadores, que analisaram dados de 34.256 pacientes submetidos a cirurgias em 2010 em 12 centros hospitalares do sul do país, o aspecto financeiro poderia ser uma das explicações.

Os cientistas examinaram 10 complicações severas que poderiam ter sido evitadas e a contribuição de cada uma delas na margem de lucro das unidades. No total, foram identificados 1.820 procedimentos que provocaram ao menos uma complicação.

*As informações são da AFP.



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