home notícias Mercado e Negócios
Voltar Voltar
06/12/11
Dasa: “Cerca de 500 hospitais podem ser nossos clientes”
Marcelo Barboza, diretor-presidente da Dasa fala com exclusividade à Diagnóstico sobre as estratégias da companhia para aumentar a rentabilidade de suas operações
Danielle Villela

O executivo Marcelo Noll Barboza, diretor-presidente da Diagnósticos das Américas (Dasa), tem um currículo do tamanho do desafio para gerir a maior empresa de medicina diagnóstica do Brasil, com receita na casa dos R$ 2 bilhões. Formado em Engenharia Elétrica e com mestrado em Business Administration pela Harvard Business School, Barboza tem passagem pelo setor de saúde (GE Healthcare) e financeiro em 2001, foi escolhido pela revista Institucional Investor como um dos “world´s top 40 leaders in online finance”, época em que era diretor-geral da InvestShop Corretora. Uma combinação quase obrigatória para quem precisa dialogar com o mercado, sem perder as rédeas da complexidade do setor de saúde. Com frases comedidas e gestos polidos para falar de negócios bem ao estilo de Wall Street , Barboza vem sendo pressionado pelo conselho a aumentar a rentabilidade da operação, algo que se tornou mais proeminente com os reveses nos balanços divulgados até agora (queda de 2,6% e 45,2% no lucro líquido, no primeiro e segundo trimestres de 2011, respectivamente).Não por acaso, o foco da operação mudou. Se a prioridade eram aquisições, o objetivo agora é ampliar o mercado de marcas como o Cerpe, em Pernambuco, o Labpasteur, em Fortaleza, e o Image Memorial, na Bahia –no caso específico do Nordeste. “Temos interesse em conversar”, pondera Barboza, sobre a possibilidade de eventuais incorporações. “Mas é preciso ter uma boa marca”. Em visita a Salvador, o executivo falou a Diagnóstico.

 

Diagnóstico – Qual a representatividade do mercado nordestino nos negócios da Dasa?

Barboza – Não divulgamos esse percentual. Mas posso afirmar que o Nordeste não tem uma participação tão relevante quanto potencialmente deveria ter na receita da Dasa. Estimamos que, ao longo dos próximos anos, a companhia deve crescer de forma orgânica acima de 12%.  O crescimento da região será acima da média nacional.

 

Diagnóstico – A Dasa ainda busca novos players para aquisição no Nordeste?

Barboza – Mais do que comprar uma empresa neste ou naquele estado, nosso maior gancho é colocar energia e capital para valorizar o que já temos. Nosso posicionamento no Nordeste é de marcas campeãs. Temos grandes oportunidades de crescimento no Ceará, na Bahia e em Pernambuco, com a expansão das marcas Labpasteur, em Fortaleza, Image Memorial, em Salvador, e Cerpe, em Recife. Enquanto o Image Memorial sempre se dedicou ao diagnóstico por imagem, o Cerpe tem um volume de atuação mais voltado para a área de análises clínicas. Proporcionalmente, inclusive, é muito equilibrada a inversão da atuação nas duas praças e são enormes as possibilidades de aumentar o mix de serviços dentro de nossas próprias marcas.

 

Diagnóstico – Quais são as prerrogativas para que uma instituição desperte o interesse da companhia?

Barboza – Ser líder, com uma boa marca, uma boa gestão e com um preço atraente. Nossa tendência é comprar operações em lugares onde ainda não temos atuação. Temos interesse em conversar, mas não é nosso principal foco no momento. Há cerca de um ano fizemos um negócio com o Cerpe, em Pernambuco, e acabamos de realizar uma transação de quase R$ 2 bilhões para aquisição do MD1, com mais de 4 mil pessoas se juntando à empresa. Estamos em um momento de integrar essas operações. Se aparecer uma boa aquisição, vamos fazer, a exemplo do que fizemos em São Paulo, com a Previlab e a Citolab.

 

Diagnóstico – Há um limite na relação valor final/EBTIDA?

Barboza – Algo em torno de cinco a sete vezes. Por uma razão ou outra, poderíamos estar dispostos a pagar um pouco mais em alguns casos, mas acreditamos que esses números representam uma zona de conforto.

 

Diagnóstico – Qual o caixa disponível da Dasa para aquisições?

Barboza – Não existem números fechados. No passado, até formalizávamos esse valor para o mercado, mas não mais. Não acredito em guiders ou indicativos de quanto vai ser gasto em aquisições. 

 

Diagnóstico – E no que se refere ao crescimento orgânico?

Barboza – Os investimentos devem chegar a R$ 150 milhões até o final deste ano (R$ 40 milhões a menos que em 2010). Em 2012, esses valores serão 20% a 25% maiores em relação a 2011. Provavelmente, teremos um recorde de investimentos, mas ainda não fizemos o orçamento para o próximo ano e nem aprovamos com o conselho. Não temos ainda um número fechado.

 

Diagnóstico – A Dasa já identifica resultados satisfatórios com as alianças operacionais?

Barboza – Sim, principalmente na área de análises clínicas. Achamos que faz todo sentido para um hospital terceirizar e ter um fornecedor com o perfil da Dasa. Estamos entre os cinco principais clientes do mundo quando se trata dos principais itens de consumo de reagentes e materiais ligados à área técnica de laboratórios. Não negociamos mais no Brasil, mas direto nas matrizes. Ou seja, a diferença de custo que temos em relação ao hospital de médio porte é muito grande.

 

Diagnóstico – Como essa vantagem se expressa em números?

Barboza – Não revelamos esse tipo de informação, mas posso dizer que temos a possibilidade de oferecer uma equação custo x benefício bastante interessante para os hospitais. Por isso mesmo, estamos otimistas quanto à nossa expansão nesse segmento.

 

Diagnóstico – Pode haver guerra de preços?

Barboza – Partimos do princípio de que temos que garantir um retorno ao acionista, então não é nosso costume entrar na região e praticar preços abaixo do mercado. Essa não tem sido a nossa prática e não vejo nenhuma sinalização de mudança. Achamos que devemos praticar preços de mercado e oferecer uma equação de qualidade do serviço prestado versus custos. Hoje atuamos em cerca de 80 hospitais, e nossa meta é dobrar, provavelmente, chegando a 150 hospitais nos próximos cinco anos.

 

Diagnóstico – Qual o tamanho do mercado de diagnóstico nos hospitais nordestinos?

Barboza – Estimamos que, em todo Brasil, haja aproximadamente 500 hospitais privados que poderiam ser nossos clientes. A quantidade de hospitais é muito grande e estamos estruturando um time comercial para escolher algumas instituições e bater na porta de todas elas. A maioria dos hospitais ainda não terceirizou seus serviços de análises clínicas e diagnóstico por imagem, e acredito que essas atividades estão mais verticalizadas dentro da própria instituição. Especificamente no Nordeste, queremos ter uma participação muito forte na área hospitalar, com a estratégia de adotar uma modelagem parecida com a que montamos no Hospital Santa Izabel, em Salvador. Atuamos em oito hospitais em Fortaleza, sete em Recife e um em Salvador.

 

Diagnóstico – A emissão de laudos a distância vem avançando no segmento de diagnóstico por imagem, uma realidade em mercados maduros, como o americano. A Dasa já estuda a adoção desse mecanismo?

Barboza – Pode ocorrer, mas para nós é algo pouco provável, pois acreditamos muito que o médico e o radiologista têm que estar no local, falando com o paciente, entendendo as questões. A telerradiologia, para nossa companhia, é um acessório importante apenas como uma revisão, uma segunda opinião. A grande operação de nossos laudos vai continuar sendo em nossas próprias unidades.

 

Diagnóstico – A companhia registrou queda de 45,2% em seu lucro líquido no segundo trimestre de 2011. Pode comentar?

Barboza – O lucro líquido caiu por várias razões. Uma delas é que a taxa de juros é maior, então nossa despesa financeira é maior proporcionalmente do que era há um ano. Tínhamos uma dívida de US$ 250 milhões e recompramos praticamente 90% desse passivo, o que provocou um impacto muito grande no curto prazo. A gente acredita que a operação como um todo é muito lucrativa, mas isso teve um impacto neste segundo trimestre e uma despesa financeira além do normal. Apesar de termos registrado essa queda no lucro líquido, a EBTIDA em relação ao ano anterior foi substancialmente maior.

 

Diagnóstico – Analistas do mercado financeiro avaliam que os últimos resultados da Dasa indicam que a companhia terá dificuldades para cumprir suas projeções para esse ano. A empresa já se adequou a esse novo cenário?

Barboza – Já fizemos uma revisão dessas projeções. Tínhamos uma projeção para o ano de R$ 590 milhões de margem EBTIDA e esse montante foi redefinido para a faixa de R$ 560 milhões a R$ 580 milhões. Foram duas as razões principais para a necessidade de rever essa margem para baixo. Primeiro, contávamos com algumas licitações grandes no Rio de Janeiro ainda no primeiro trimestre, o que não ocorreu e, obviamente, houve um atraso na receita e na margem. A segunda questão é o fato de o CADE ainda não ter concluído a análise do processo da MD1. Temos sete marcas diferentes no Rio de Janeiro e já estávamos trabalhando, fechando algumas unidades. Tínhamos programado vários processos de sinergia que não vão mais acontecer esse ano [a entrevista foi concedida antes do Cade decidir pelo congelamento da operação].

 

Diagnóstico – A atual crise econômica nos mercados financeiros internacionais pode afetar o mercado brasileiro de laboratório e diagnóstico por imagem?

Barboza – Nossa indústria não é afetada no curto prazo por uma crise internacional. Não exportamos, nem vendemos bens de capital para exportadores. O nosso negócio está baseado em um consumo interno. Além disso, com crise ou sem crise, as pessoas ficam doentes, buscam atendimento, vão ao médico e fazem seus exames. A crise de 2008/2009 mostrou que, na verdade, houve até uma aceleração do mercado de saúde naquele momento, porque você tinha mais gente, por exemplo, que estava com medo de perder o emprego e queria saber como andava sua saúde. No curto prazo, não vemos nenhum tipo de impacto. Tenho certeza que 2012 será um ano favorável, até porque o passado mostrou que, mesmo em crises maiores, não há impacto em nosso mercado em um prazo curto, de até 12 meses.

 

Diagnóstico – Mas a empresa tem se mostrado mais cautelosa com endividamento...

Barboza – Estamos mais cautelosos e mais conservadores na gestão financeira porque não sabemos como a taxa de juros vai se comportar. Por isso, eliminamos praticamente todas as nossas dívidas em dólar, porque não queremos correr esse risco cambial. Sabemos que, se a crise afetar o Brasil de forma prolongada, vamos ver uma diminuição do crescimento do número de segurados. Mas prefiro evitar falar se isso pode acontecer ou não, porque economia não é meu forte.

 

Diagnóstico – O Grupo Fleury decidiu eleger uma bandeira única para trabalhar aqui no Nordeste. A política da Dasa, ao contrário, é de manutenção das marcas locais. Trata-se de uma medida temporária?

Barboza – Não há razão para eliminá-las. Se tivéssemos marcas fracas, talvez fizéssemos esse movimento. Mas temos uma força local e não há marcas no Nordeste que possam tirar a participação da outra, ou seja, o Image Memorial, o Cerpe, o Labpasteur não chocam umas com as outras. Naturalmente, há também uma dinâmica de respeito cultural, a importância que isso tem para a região e o orgulho que os funcionários têm com a marca.

 

Diagnóstico – Quais estados nordestinos, ainda sem operação pela Dasa, seriam candidatos a receber investimentos da empresa?

Barboza – A atratividade de um estado é composta por várias questões, desde tamanho de zona metropolitana, penetração dos seguros de saúde e nossa potencial relação com as fontes pagadoras, além de um bom time médico. Não vamos falar neste ou naquele estado, porque olhamos essa combinação de fatores, incluindo o perfil da empresa que está disponível para conversar conosco e o seu preço. Mas posso afirmar que temos interesse em toda região metropolitana que tenha aproximadamente um milhão de habitantes, considerando ainda dados específicos de cobertura por plano privado. Há algumas praças interessantes na Região Norte, como Manaus e Belém, mas não é nosso foco. Podemos falar em expansão na Região Norte através das operações de apoio, que são extremamente interessantes. Acreditamos muito nesse mercado, pois conseguimos atuar no Brasil inteiro sem necessidade de ter uma marca própria.

 

Diagnóstico – Qual a posição do apoio na área de negócios da Dasa?

Barboza – O principal negócio da companhia é o mercado privado, formado por nossas próprias marcas e unidades como o Image Memorial, em Salvador, o Cerpe, em Recife, e o Labpasteur e a Unimagem, ambos em Fortaleza. Esse mercado concentra dois terços da nossa receita. O outro terço é dividido entre a área de apoio e a prestação de serviços a hospitais privados e públicos. A área de apoio ainda é o quarto mercado nos negócios da Dasa, mas nós enxergamos possibilidade de expansão em vários estados. Atualmente, o mercado de laboratórios no Brasil ainda é muito pulverizado, são mais de 16 mil instituições. Desse total, apenas cinco mil são nossos clientes de apoio, concentrados, principalmente, em São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Diagnóstico – Quando se fala em aquisições, se fala muito de quem compra como agente ativo no processo. A Dasa também recebe muitas propostas de venda?

Barboza – Muita gente nos procura, o que é natural. Em alguns casos, analisamos, em outros não. A diferença é que há outros compradores no mercado, que ficou mais competitivo. A maior empresa do mundo em medicina diagnóstica, a Labcorp, tem valor de mercado de US$ 8,2 bilhões. A Dasa, US$ 3,5 bilhões. Ou seja, a diferença não é tão grande. Não é todo mundo que tem um cheque nesse valor.

 



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.