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25/05/16
Em greve, funcionários do Hospital da USP protestam contra corte de verba
Médicos, que ainda não aderiram à greve, farão assembleia nesta quarta para decidir se participam da paralisação
Fernanda Cruz, da Agência Brasil

Funcionários em greve do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) fizeram uma manifestação nesta terça-feira (24) contra o corte de verbas, por contratação e por reajuste salarial. Profissionais das categorias de saúde, como enfermeiros, técnicos e nutricionistas, iniciaram ontem (23) a paralisação. Eles organizaram um abraço simbólico ao hospital e caminhavam, por volta das 11h30, em direção à Reitoria da USP.

Os médicos, que ainda não aderiram à greve, farão uma assembleia hoje para definir se entram na paralisação. De acordo com Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), os trabalhadores das universidades paulistas reivindicam aumento de 12,34%, que considera a inflação e a reposição salarial de perdas anteriores. A USP oferece 3% de reajuste.

A partir da próxima segunda-feira (30), os professores da universidade também iniciam paralisação. “A nossa greve é contra o desmonte da universidade, que não devia ser uma luta só nossa, ela é da população de São Paulo”, disse Magno.

O diretor do Sintusp esclarece que não fez um levantamento da adesão ao movimento grevista, mas garante que o percentual mínimo de 30% de atendimento será respeitado no Hospital Universitário. “Vamos parando a internação, desativando os leitos aos poucos, até ficar só a emergência. A greve vai aumentar à medida que os pacientes forem tendo alta”, disse ele.

Demissão voluntária - Gerson Salvador, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo e vice-diretor clínico do Hospital Universitário, disse que a contratação de mais profissionais é a principal demanda. Segundo ele, com o plano de demissão voluntária em 2014, 213 funcionários (de um total de 1,4 mil) deixaram a instituição.

“Isso resultou no fechamento de um quarto dos leitos de internação no hospital e de 30% da unidade de terapia intensiva. Os pacientes passaram a ficar aglomerados no Pronto-Socorro, causando um estresse muito grande para a equipe médica e de enfermagem”, explica Gerson.

Bárbara Della Torre, técnica administrativa e membro da comissão de mobilização do Hospital Universitário, disse que mesmo sem vaga para internar novos pacientes as pessoas são recebidas porque chegam em situação de urgência e emergência, o que deixa o Pronto-Socorro lotado.

“Vários anestesistas, pediatras, técnicos de enfermagem, enfermeiros e auxiliares administrativos pediram demissão por conta da pressão que era trabalhar aqui. Muita gente com problemas emocionais, físicos. Os trabalhadores querem manter o nível de atendimento”, disse Bárbara.

Em nota, a assessoria de imprensa da USP informou que novas contratações estão suspensas em toda a universidade como medida para o reequilíbrio financeiro. A instituição negou que houve corte de verbas para o hospital. A assessoria informou ainda que a negociação salarial, que propôs reajuste de 3% aos servidores, está em discussão entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas e o Fórum das Seis, entidades de classe dos servidores técnico-administrativos e docentes das universidades e do Centro Paula Souza.



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