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09/11/16
Ensaio: macrotendências para a saúde global
O crescimento da maior parte das economias emergentes ultrapassa neste momento os investimentos em saúde e educação de suas populações. Esse fator está criando potenciais restrições ao crescimento futuro, mas também oportunidades para preencher as lacunas
B Sebastião, G Fiorentino, K Grass e L Mattos


O aumento de dívidas soberanas, os mercados voláteis, a instabilidade de moedas, os impasses políticos e o crescimento estagnado ameaçam as economias dos países desenvolvidos. Enquanto isso, China, Índia, Brasil e outras nações emergentes se fortalecem, num dos maiores fenômenos econômicos das duas últimas décadas (Foto: Divulgação)

Turbulências diárias em escala global estão dando aos líderes e investidores muitas razões para agir com cautela, já que eles precisam enfrentar grandes desafios constantemente. O aumento de dívidas soberanas, os mercados voláteis, a instabilidade de moedas, os impasses políticos e o crescimento estagnado ameaçam as economias dos países desenvolvidos. Enquanto isso, China, Índia, Brasil e outras nações emergentes se fortalecem, num dos maiores fenômenos econômicos das duas últimas décadas.

De um ponto de vista tradicional, os sobressaltos atuais indicam mudanças profundas e estruturais que definirão a agenda dos negócios no futuro. Esperamos choques macroeconômicos nos próximos dez anos, com descontinuidades que modelarão as opções que as empresas terão para se adaptar e crescer.

Um desses aspectos macroeconômicos é exatamente a questão de saúde: o crescimento da maior parte das economias emergentes ultrapassa neste momento os investimentos em saúde e educação de suas populações, criando potenciais restrições ao crescimento futuro, mas também oportunidades para preencher as lacunas existentes. Assim, a construção de um sistema de saúde básico e de uma rede de segurança social mais forte absorverá uma proporção muito maior de investimentos do que no passado. Sua contribuição estimada ao PIB global em 2020 é de US$ 2 trilhões, conforme consta no gráfico abaixo. Já em relação aos países desenvolvidos, observamos populações envelhecendo, de maneira que podemos esperar demanda por mais e melhores tratamentos médicos, além de mudanças nos sistemas de pagamento para elevar a eficiência do gasto com saúde. Tudo isso estimulará, nos governos, a inovação e as reformas.

Sua contribuição estimada ao PIB global em 2020 é de US$ 4 trilhões. A expansão contínua da assistência médica como “bem de consumo” também criará demandas por novos produtos e inovações em serviços e, em alguns casos, aumentará o escopo do que é considerado cuidado necessário. 

Os sistemas globais de saúde estão em um ponto de inflexão com as pressões de custo que servem como um catalisador para mudanças. Em consequência disso, eles enfrentarão mudanças drásticas até o final da década. O gasto com saúde tem crescido sistematicamente acima do PIB – em alguns países os gastos com saúde representam 20% do PIB. Nos países emergentes, embora o gasto com saúde per capita continue baixo, somente crescimento expressivo do PIB permitiria expansões significativas no gasto em saúde, de acordo com os indicadores mostrados no gráfico ao lado.

A recente recessão econômica e a necessidade de reformas fiscais criarão pressões significativas nos preços para os contribuintes dos setores público e privado. As respostas devem variar, mas incluirão uma mistura de controle direto dos custos, definição de protocolos para utilização de assistência de saúde e a busca por modelos integrados que alinhem melhor os incentivos. Na melhor das hipóteses, esses esforços reduzirão o aumento dos custos ao mesmo nível do crescimento do PIB.

Os lucros permanecerão sob pressão em todos os setores, mas haverá oportunidades significativas para inovação. Produtores de equipamentos, centros de assistência médica e usuários pressionarão para que a oferta de assistência médica melhore. Mais eficiência, custos per capita reduzidos e mais transparentes, além de melhorias mensuráveis no estado dos pacientes, continuarão a dar excelentes retornos. Para reduzir a exposição a reembolsos, as empresas e os investidores financeiros verão oportunidades em produtos e serviços de assistência médica mais orientados ao consumidor e pelos quais os pacientes estarão dispostos a pagar a mais: os chamados produtos saudáveis, conforme pode ser observado nos gráficos que seguem.

No Brasil, apesar do aumento nos investimentos sociais e das melhorias alcançadas em saúde, educação, nutrição e assistência social, ainda existe uma grande lacuna a ser preenchida em comparação com as economias desenvolvidas. Essa situação cria importantes chances de negócios para as empresas desses setores, mas também uma ameaça para o desenvolvimento do país no longo prazo, caso os investimentos não sejam realizados com sucesso. Os investimentos na saúde brasileira serão impulsionados pelo foco em aumentar o acesso para a população, por uma maior preocupação com a saúde das classes médias e altas e por uma crescente demanda por mais qualidade nos serviços. Estas tendências serão acompanhadas por uma forte pressão de custos entre pacientes, pagadores e prestadores de serviço.

*Ensaio publicado na revista Diagnóstico n° 32.



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