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22/11/17
EUA aprovam nova droga anti-HIV: a primeira a juntar dois compostos da nova geração
Medicamento 'Juluca' combina dois antirretrovirais da nova leva. Drogas foram adotadas recentemente por possuírem menos efeitos colaterais
Da redação

Um novo medicamento que foi aprovado nos Estados Unidos. A medicação é uma combinação entre outros antirretrovirais já existentes no mercado: o dolutegravir e a rilpivirina. Entre os medicamentos da nova geração,  o Juluca, como é conhecido comercialmente, é o primeiro a combinar dois compostos. "A ciência tem tentado combinações para um menor número de drogas, com menor toxicidade para esquemas de manutenção do tratamento", explica o infectologista do Emílio Ribas, hospital de referência em São Paulo, Jamal Suleima. "E é isso que esse medicamento faz". "Depois do tratamento mais eficiente de nova geração, esse é o primeiro com somente duas drogas", diz o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Esper Kallás. A nova geração de antirretrovirais tem como principal característica o fato de possuírem menos efeitos colaterais que tratamentos mais antigos - como o efavirenz, que piorava sintomas de pacientes psiquiátricos. 

Segundo o FDA (órgão americano similar à Anvisa), a eficácia do Juluca foi testada em dois ensaios clínicos com 1024 participantes. Eles foram divididos aleatoriamente: parte tomou o Juluca; e a outra continuou com o tratamento prévio. Os resultados mostraram que a droga foi eficaz em manter o vírus suprimido tanto quanto a terapia de referência. "Por enquanto, é um medicamento de manutenção, com base nesses estudos que o FDA analisou", diz Suleiman. "Então, será necessário começar o tratamento com outros medicamentos. E aí, quando a carga estiver indetectável, começar a usar essa nova droga. "O medicamento aprovado nesta terça-feira (21) deve ser utilizado em pacientes com supressão do vírus ao menos por seis meses (ou seja, que estivessem usando outros tratamentos). Também ele não deve ser administrado em indivíduos que já apresentaram resistência a alguns dos componentes da nova droga. Jamal Suleiman, que trabalha com pacientes portadores há 34 anos, comemora a nova droga. Ainda, o infectologista salienta ser imprescindível diminuir a quantidade de medicamentos, principalmente em pacientes que ficam mais velhos. "Eles já vão ter que tomar muitos medicamentos, para além dos antirretrovirais", diz.

A principal vantagem do novo medicamento, assim, é a junção de outros dois componentes de drogas mais modernas, o que diminui a toxicidade e contribui para maior adesão ao tratamento. "Quanto menos você mexer na rotina do sujeito, é melhor", diz Suleiman. "Estamos caminhando para um momento que será possível uma injeção por mês". A junção de drogas anti-HIV não é uma novidade. Outras drogas, como o ATRIPLA (junção de efavirenz, emtricitabina e tenofovir) já foram inseridas no mercado e adotada no mundo inteiro -- inclusive no SUS (que utiliza uma variação do composto). Esse medicamento, no entanto, foi associado a efeitos colaterais como alucinações e pesadelos, o que levou o Ministério da Saúde a adotar o dolutegravir. Com isso, alguns pacientes passaram a associar o dolutegravir combinado com outras drogas ao invés de tomar um único medicamento. Desde a introdução de drogas mais modernas, assim, o mercado ficou carente de uma nova pílula que fizesse a junção desses compostos mais modernos.

O Juluca é produzido pela ViiHealth Healthcare, empresa estabelecida em um consórcio com duas grandes da indústria: a Pfizer e a GSK. A ViiHealth é especializada em produção e pesquisa de novas opções para o tratamento do HIV.

Tags: HIV, Juluca


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