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16/07/13
Farmacêutica britânica GlaxoSmithKline é acusada de subornos na China
Investigação atingiu a Glaxo num de seus mercados mais importantes e de mais rápido crescimento, onde mantém mais de 5.000 funcionários e meia dúzia de fábricas e laboratórios de pesquisa
Valor Econômico

A China apresentou ontem uma lista de acusações de corrupção e conduta irregular contra a companhia farmacêutica multinacional britânica GlaxoSmithKline PLC (GSK), iniciativa que pode sinalizar uma repressão mais ampla nesse lucrativo mercado para as empresas farmacêuticas e médicas.

Em entrevista coletiva, autoridades da divisão de investigação de crimes econômicos do Ministério da Segurança Pública disseram que quatro altos executivos chineses da Glaxo foram detidos por graves violações das leis do país. As autoridades acusaram os executivos de utilizar agências de viagens como veículos para subornar funcionários do governo, hospitais e médicos, com o objetivo de vender medicamentos a preços mais elevados.

De acordo com Gao Feng, autoridade do ministério que está à frente das investigações sobre a farmacêutica britânicaGao, desde 2007 a Glaxo e as agências de viagens trocaram 3 bilhões de yuans (US$ 489 milhões) entre si. Segundo ele, grande parte da estratégia de vendas e marketing (da Glaxo) consiste em conspirar e incentivar a possibilidade de suborno comercial. Mas ele não deixou claro se parte desse dinheiro foi usada para viagens legítimas. As agências também ofereceram o que ele chamou de subornos sexuais para altos executivos da Glaxo a fim de continuar fazendo negócios com a empresa, disse ele, sem dar mais detalhes.

As alegações resultam de uma investigação iniciada no fim de junho, quando fiscais visitaram vários escritórios da Glaxo, apreendendo documentos e detendo alguns executivos. A investigação atingiu a Glaxo num de seus mercados mais importantes e de mais rápido crescimento, onde mantém mais de 5.000 funcionários e meia dúzia de fábricas e laboratórios de pesquisa.

Por meio de um comunicado, a Glaxo afirmou que está profundamente "preocupada e decepcionada com essas graves alegações de comportamento fraudulento e má conduta ética". A empresa acrescentou que "a GSK tem tolerância zero para qualquer comportamento dessa natureza" e que o comportamento alegado seria uma violação dos padrões da empresa. A empresa vai colaborar com as autoridades chinesas na investigação de novas denúncias e está revisando suas relações com agências terceirizadas, segundo o comunicado. Em nota, a companhia também afirmou que a Glaxo parou de contratar serviços dessas agências identificadas na investigação e está fazendo revisão completa das transações realizadas com agências de viagens, acrescentando que a empresa respeita as leis chinesas e espera que todos os seus funcionários as cumpram.

Gao afirmou que o líder da Glaxo na China deixou o país e foi para Londres em junho, quando as autoridades começaram a relatar detalhes da investigação, e ainda não voltou, apesar dos pedidos para que venha prestar depoimento. De acordo com uam fonte, o principal executivo da Glaxo na China, o diretor-geral Mark Reilly, deixou o país no início de julho e atualmente está trabalhando na sede da empresa em Londres. A fonte afirmou que Reilly fez uma viagem rotineira de negócios.

Reilly estava no escritório da Glaxo na China quando autoridades do Ministério da Segurança Pública estiveram ali pela primeira vez, no fim de junho, para obter documentos, no início da investigação, disse a pessoa, acrescentando que ele não foi interrogado nem detido. Reilly não foi contatado de imediato ontem para comentar o assunto.

O setor de saúde vem registrando rápido crescimento na China, onde um grupo de consumidores cada vez mais próspero exige melhor atendimento e o governo está sob pressão da opinião pública para ampliar as ações sociais, tradicionalmente precárias. Os gastos com saúde no país devem triplicar para US$ 1 trilhão até 2020, segundo a McKinsey & Co. As vendas de produtos farmacêuticos na China atingiram US$ 82 bilhões em 2012, um aumento de 18,2% em relação ao ano anterior, segundo a firma de avaliação de risco Business Monitor International.

As vendas da Glaxo na China no ano passado ultrapassaram 800 milhões de libras (US$ 1,2 bilhão), representando 3% das vendas globais da empresa, de 26,4 bilhões de libras. Mas, como a maioria das farmacêuticas, a Glaxo conta com a China e outros mercados emergentes para impulsionar as receitas futuras, agora que as vendas nos Estados Unidos e Europa estão estagnadas ou em declínio. Enquanto as receitas da Glaxo de produtos farmacêuticos e vacinas no ano passado caíram 7% na Europa, para 5 bilhões de libras, e 2% nos EUA, para 7 bilhões de libras, elas subiram 17% na China, para 759 milhões de libras.

No entanto, pessoas da área dizem que o setor de saúde na China está submerso em uma corrupção sistêmica. Muitas empresas médicas atuam através de intermediários para alcançar mais nichos de um mercado difuso, enquanto os médicos muitas vezes procuram reforçar seus baixos salários por meio de regalias. "A corrupção é considerada por muitos um grande impedimento para as iniciativas de reforma da saúde do governo chinês", disse Jason Mann, especialista em saúde e diretor administrativo da firma de investimentos Konus Capital, em Hong Kong.

Gao sinalizou que haverá mais investigações em empresas estrangeiras na China. Quando indagado quantas firmas estrangeiras no país são prováveis suspeitas de corrupção, Gao disse que não saberia responder.

As autoridades chinesas relataram ontem em detalhes outros supostos delitos aos meios de comunicação estatais locais. A agência de notícias estatal "Xinhua" informou que os executivos da Glaxo detidos incluem Liang Hong, vice-presidente e gerente de operações da empresa na China, Zhao Hongyan, diretor jurídico, Zhang Guowei, diretor de recursos humanos, e Huang Hong, gerente de desenvolvimento de negócios.

Os executivos detidos não puderam ser contatados para comentar o assunto. Os telefones tocaram sem que ninguém atendesse nos escritórios da empresa em de Pequim, Xangai, Chongqing e Cantão. (Colaboraram Yang Jie, de Pequim, e Jessica Hodgson, de Londres)

*As informações são do Valor Econômico.



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