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16/02/17
Farmacêuticas cortam produção de medicamentos para quimioterapia por não serem lucrativos
A situação é considerada muito grave pelos profissionais de saúde portugueses e afeta Europa e Estados Unidos
da redação

Estão escasseando os medicamentos básicos para a maioria dos doentes oncológicos. A indústria farmacêutica está se desinteressando pela produção dos fármacos usados nas quimioterapias de muitos tipos de câncer, porque são baratos e dão menos lucro. A notícia foi publicada no diário português “Jornal de Notícias”, segundo o qual o problema é global e afeta toda a Europa e também os Estados Unidos.

“Estamos a falar de fármacos básicos necessários para cerca de 80% dos doentes oncológicos”, afirma a responsável da Unidade da mama e do Programa de Investigação do Cancro da Mama do Centro Clínico Champalimaud, Fátima Cardoso. A especialista diz-se preocupada e o diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas da Direcção-Geral de Saúde, Nuno Miranda, fala em “problema muito grave”, dado que muitos dos medicamentos em causa são insubstituíveis.

O Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde -, que tem por missão regular e supervisionar os setores dos medicamentos e produtos de saúde (dispositivos médicos e produtos cosméticos e de higiene corporal), confirma a dificuldade de aquisição dos fármacos, o que obriga a um controlo maior dos estoques, mas descarta a ideia de ruptura persistente – “existem pontualmente medicamentos em situação de ruptura”, afirma.

Por isso, diz Nuno Miranda, as farmácias hospitalares estão a emprestar medicamentos umas às outras para ir resolvendo as falhas" e, acrecenta, “em alguns casos, tem-se optado por terapias mais caras ou tentar encontrar outros fornecedores”.

Na opinião de Fátima Cardoso, o problema de produção leva a carências na distribuição: “como não são produzidas quantidades suficientes, são vendidos nos países que podem pagar mais e esgotam nos países mais pobres”, explica, avançando que a Alemanha, por exemplo, “chega a pagar cinco vezes por alguns destes fármacos”.

Nuno Miranda afirma que não cabe a um só país resolver este problema grave e cíclico. “Já foi discutido na União Europeia e na Organização Mundial de Saúde, mas ainda não foram dados significativos”, lamenta, em declarações ao Jornal de Notícias.



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