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01/03/13
Ferramenta permite que médicos sejam avaliado pelos próprios pacientes
Sites de troca de contatos possibilita aos internautas darem notas aos médicos. Segundo o Cremesp, profissionais de saúde não devem usar redes sociais para se autopromover
Do iG

Com três filhos, a funcionária pública Maria Thereza Tosta Camillo, de 38 anos, reclama da dificuldade para achar pediatra. Ao encontrar um bom profissional, sempre que pode partilha com qualquer pessoa conectada à internet, através do site Recomind.net – espécie de agenda online em que os usuários trocam contatos e avaliações sobre prestadores de serviço, como babás, mecânicos, arquitetos e, cada vez mais, sobre médicos. "Havia uma lista de pedidos de pediatra e obviamente eu ia indicar o meu", diz Maria

Um dos fundadores do serviço, Juliano Martinez diz que a Agenda Recomind conta hoje com aproximadamente 400 contatos de médicos partilhados publicamente, de um total de 5 mil profissionais em 12 áreas. O número total é maior, pois os usuários também podem cadastrar um contato e apenas partilhá-lo com conhecidos. Em 2012, o Recomind foi adquirido pela Buscapé Company, dona do site de comparações de preços, e conta hoje com 13 mil usuários ativos.

Martinez afirma que já começou a ampliar a base de dados de médicos disponível na agenda ao negociar parcerias com operadoras de planos de saúde. A expectativa, segundo ele, é chegar a 5 mil profissionais em março. Outra ideia é digitalizar os livros dos convênios e disponibilizar na plataforma. "Assim, será possível saber qual é o médico mais próximo que seus amigos consultaram", diz.

Em um modelo semelhante ao que é usado no site Netflix, que permite assistir filmes on-line, os usuários podem avaliar os profissionais de saúde, além de trocar contatos de profissionais. É possível dar notas de 1 a 5 sobre o profissional em três critérios – preço, qualidade e comprometimento. Em seguida, o sistema faz uma média. Além disso, o usuário pode deixar um depoimento em texto.

A Unimed, uma das maiores operadoras do Brasil, com 18,9 milhões de beneficiários – cerca de um terço do mercado brasileiro – e 109 mil médicos cooperados, também está desenvolvendo um modelo para que seus clientes possam trocar avaliações sobre os médicos. Segundo a operadora, ainda não é possível saber se os comentários negativos também poderão ser postados. A operadora diz que será possível que os clientes recomendem médicos, poderão "curtir" e dar opiniões sobre o atendimento.

Nivelar por cima – Daniel Diógenes de Paula, ginecologista e especialista de reprodução humana de Fortaleza, que nesta semana contava com duas recomendações na Agenda Recomind, avalia que a chance de falar bem ou mal publicamente dos médicos é perigosa, mas positiva. Segundo ele, não é possível agradar 100% dos pacientes. "Tem gente que não vai te recomendar e a ferramenta vai só amplificar os comentários. E o cliente é muito passional”, diz. 

Mas o médico faz uma ressalva. "É como as avaliações no mercado livre ou na Amazon. Você vai comprar do cara que tem 99% de avaliação positiva, e não do cara que tem um preço menor mas tem 49%”, diz. Para ele, a ferramenta abre um leque para um maior nivelamento dos profissionais em termos de qualidade.

John Swapceinski, fundador do norte-americano Rate MDs – site dedicado exclusivamente à divulgação de avaliações de pacientes sobre a forma como foram atendidos por seus médicos, e que já publicou 1,5 milhão de comentários desde 2004 -, diz que a maior parte do "feedback" que recebe dos médicos é negativa, embora o serviço nunca tenha sido processado. "Mas o "feedback" dos clientes, que é a nossa preocupação real, é sobretudo positiva", conclui.

Já Reinaldo Ayer, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e professor de bioética da Faculdade de Medicina da USP, demonstra preocupação com o cenário. “A melhor propaganda do médico é o seu paciente. E, ao que parece, eles estão usando a internet para fazer isso, e é complicado”, diz.

A possibilidade de que a ferramenta seja usada como instrumento de propaganda abusiva por profissionais de saúde também chamou a atenção dos órgãos de classe. Por meio de nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que irá avaliar o caso em sua próxima reunião, em abril. Uma resolução de 2011 do órgão sobre publicidade médica proíbe a divulgação, pelos médicos, de endereço e telefone de consultório na imprensa ou nas redes sociais.

Segundo Ayer, do Cremesp, não é recomendável que os profissionais aproveitem as redes como a Recomind para se autopromover – seja diretamente ou indiretamente, pedindo por exemplo a um amigo ou parente para "curti-lo". "Seria condenável, não seria ético um indivíduo usar de um subterfúgio, como um nome falso ou pedir a um amigo seu 'manda lá para aquele site dizendo que eu sou bom'", afirma. "Não é ético do ponto de vista do médico. É pouco provável que isso ocorra. Eu acredito na honestidade, mas a possibilidade existe".



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