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23/03/18
Fiocruz projeta abertura de 1ª unidade de medicina translacional de SP até junho em Ribeirão Preto
Com orçamento de R$ 7 milhões, estrutura em obras na USP vai agilizar validação de pesquisas para doenças como leishmaniose e câncer ao integrar descobertas de laboratório com exames clínicos
Da redação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pretende inaugurar sua primeira unidade de medicina translacional do Estado, no campus da USP em Ribeirão Preto (SP), ainda no primeiro semestre desse ano. O investimento inicial será de R$ 7 milhões e a instalação vai ter como principal mote de aproximação das descobertas científicas do laboratório com as pesquisas clínicas em pacientes, diminuindo o tempo de validação de medicamentos e soluções, em um primeiro momento voltados para doenças como leishmaniose e câncer.

"É uma tradução do conhecimento do laboratório para aplicação no sistema de saúde", explica o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger. Em um mesmo ambiente de inovação, profissionais da Fiocruz, da USP, além de empreendedores ligados a startups do setor de saúde poderão atuar de maneira menos fragmentada do que a convencional.

Krieger chamou isso de sinergia. "É mais do que complementar. A gente não está só somando competências individuais, a gente está obtendo um resultado que é maior do que a própria soma desses individuais", diz. A unidade de medicina translacional, que poderia ser definida como aquela que acelera a aplicação e a transmissão do conhecimento gerado em laboratório, será possível graças a um acordo de cooperação assinado com o Estado, que também prevê atividades voltadas para o desenvolvimento de exames para doenças como dengue, febre amarela, zika vírus e chikungunya.

Desses R$ 7 milhões de investimento, R$ 3 milhões são destinados à reforma de um prédio da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) que deve ser concluída em abril para posterior colocação de mobiliário e equipamentos. Nela atuarão pesquisadores especializados em imunologia e bioquímica da Fiocruz, entre eles Rodrigo Stabile, Ricardo Gazzinelli e João Santana. "É a primeira vez que estamos investindo num ambiente onde a pesquisa clínica vai coexistir com a pesquisa básica. Nesse sentido é uma inovação, é uma atividade inédita", afirma Krieger.

Outros R$ 4 milhões serão utilizados para a manutenção das atividades no laboratório por ao menos quatro anos. Demais recursos devem ser obtidos por meio de subvenções do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
De acordo com Krieger, um deles prevê um aporte de R$ 10 milhões no desenvolvimento de soluções contra doenças infectocontagiosas e crônico degenerativas.


Um dos primeiros trabalhos previstos é a concepção de nanobodies, versões reduzidas dos anticorpos encontrados no nosso organismo que serão capazes de identificar a camuflagem das células cancerígenas, o que facilitará sua eliminação.

"A célula de câncer acaba sendo na maioria dos casos reconhecida pelo sistema imunológico como uma célula própria. Existem algumas moléculas envolvidas nesse conhecimento. A ideia inicial é trabalhar com moléculas que vão impedir que moléculas de câncer utilizem essa maneira de se camuflar como se fossem células normais do sistema imunológico", explica o gestor.

Graças ao modelo de pesquisa translacional, depois de testes pré-clínicos no laboratório, a solução segue diretamente para os exames clínicos no Hospital das Clínicas da FMRP, essenciais para a validação de qualquer terapia. Em uma aplicação mais ampla, esse diálogo permitirá uma inclusão cada vez maior de professores e alunos da universidade nesse processo.

"Os estudos normalmente têm várias fases. Obrigatoriamente, com a evolução satisfatória dos resultados, você tem que partir para estudos multicêntricos em diferentes condições, mas os estudos iniciais seriam feitos no HC de Ribeirao Preto", explica o vice-presidente.  Ainda segundo ele, a entidade ligada ao Ministério da Saúde atualmente conta no país com unidades de referência na pesquisa, como o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, e na produção de vacinas e medicamentos, mas nenhuma delas promove uma sinergia tão direta entre laboratório e universidade.

"Se você tem as coisas acontecendo em ambientes diferentes, você precisa finalizar uma etapa para daí levar essa prova de conceito para outro grupo que vai iniciar outra etapa. A gente está falando de uma pesquisa básica, pré-clínica, e uma pesquisa clínica. A vantagem de ter pessoas no mesmo ambiente potencializa que esse tempo seja encurtado em alguns anos porque as equipes já estarão dialogando sobre os resultados e os protocolos em uma fase inicial."



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