home notícias Mercado e Negócios
Voltar Voltar
18/07/13
Gasto público com saúde se estabiliza nos EUA
Segundo o Instituto IMS de Informações sobre Saúde, os gastos com remédios com receita caíram 1% em 2012, para US$ 325,8 bilhões, a primeira queda desde 1957
Valor Econômico

A longa curva ascendente dos gastos com a saúde nos EUA finalmente parece estar se aplainando. Mas será um fenômeno temporário ou o início de uma mudança duradoura? Com os custos com a saúde atingindo quase 18% do PIB do país - US$ 2,7 trilhões em 2011 - é a saúde da própria economia que está em jogo.

Tem havido muitos sinais positivos. Os gastos com a saúde nos EUA cresceram a uma taxa de 3,9% pelo terceiro ano consecutivo em 2011, cerca de metade do ritmo dos dez anos anteriores e o mais baixo desde os anos 60. Os gastos com remédios com receita médica caíram de fato 1% em 2012, para US$ 325,8 bilhões, a primeira queda desde 1957, segundo o Instituto IMS de Informações sobre Saúde.

Com a ajuda da queda nos preços dos medicamentos, o índice dessazonalizado do Departamento do Trabalho para as despesas médicas da população caiu 0,1% em maio em relação a abril, a primeira queda em quase 40 anos.

Um estudo da Fundação Família Kaiser atribui 75% do crescimento mais lento dos gastos com a saúde à recessão, que reduziu a procura por remédios, consultas médicas e cirurgias eletivas, e alerta que as despesas podem voltar a subir quando a economia se fortalecer.

Dois grupos de pesquisadores da Universidade Harvard, num artigo publicado na revista "Health Affairs", deram mais crédito à eficiência dos hospitais, ao menor número de medicamentos novos de grande venda e ao fato de que hoje o público assume uma parcela maior dos custos. Se essas tendências continuarem, os economistas David M. Cutler e Nikhil R. Sahni calcularam que os gastos do setor público americano com saúde podem ser US$ 770 bilhões menores em relação às estimativas ao longo dos próximos dez anos.

No curto prazo, porém, a Lei dos Serviços de Saúde Acessíveis deve gerar um salto temporário nos gastos, quando milhões de americanos ganharem acesso ao serviço público Medicaid ou aos planos de saúde privados, a partir do próximo ano. Essa alta pode ou não ser compensado por uma queda nos atendimentos não reembolsáveis.

Mesmo assim, ainda haverá fortes pressões elevando ainda mais os gastos com a saúde. Uma delas é o fator demográfico: a cada dia, 10 mil americanos completam 65 anos de idade. Os custos anuais com a saúde para essa idade e acima são de US$ 9.744 per capita, comparado com US$ 2.739 para as pessoas entre 25 e 44 anos, segundo a Fundação Família Kaiser.

Outro grande gerador de custos com a saúde é a tecnologia. Em muitos outros setores, as inovações em geral tornam os procedimentos mais eficientes e menos onerosos. Mas, no atendimento médico, muitas vezes a inovação eleva custos. O câncer de próstata é um ótimo exemplo. No mês passado, um estudo no "Journal of the American Medical Association" (Jama) constatou que o uso de duas tecnologias avançadas - uma nova radiação chamada radioterapia de intensidade modulada (IMRT, na sigla em inglês), e a cirurgia robótica para remover a próstata - aumentou acentuadamente de 2004 a 2009 entre homens com poucas perspectivas de se beneficiar delas, seja porque seu tipo de câncer não oferecia risco de vida ou porque tinham alto risco de morrer de outras causas.

No entanto, muitos homens pedem tratamentos de ponta. A IMRT e a cirurgia robótica são elogiadas como métodos que minimizam o risco de incontinência urinária ou impotência associado aos tratamentos tradicionais. Mas há estudos mostrando que as vantagens são discutíveis, ou marginais, escrevem os autores no Jama.

Tanto a IMRT como a cirurgia robótica exigem cerca de US$ 2 milhões em investimentos iniciais, e o uso da IMRT representa um custo adicional de US$ 1,4 bilhão por ano, observam os autores. O estudo publicado no Jama não avaliou a terapia de feixe de prótons, uma opção mais nova e ainda mais cara, já que não era amplamente usada no período. Médicos discordam sobre a forma de calcular os custos. Alguns estudos mostram que a cirurgia robótica custa 60% a mais que a cirurgia tradicional; outros indicam apenas uma diferença modesta. A radiação custa quase três vezes mais do que essas cirurgias, de ambos os tipos.

O Medicare cobre todas essas opções de tratamento. Por lei, o serviço de saúde não pode levar em conta os preços ao decidir o tipo de cobertura concedida. Também não pode insistir que uma nova tecnologia seja muito melhor do que as já existentes, nem incentivar os médicos ou os pacientes a buscar alternativas mais baratas. E quando a Medicare começa a reembolsar os custos de dados procedimentos, os planos privados de saúde geralmente seguem o exemplo, distorcendo os mecanismos usuais de mercado, diz Arthur Kellermann, médico e analista sênior de políticas na Rand Corp.

A pesquisa comparativa sobre eficácia, exigida na nova lei da reforma da saúde, poderia ajudar a avaliar quais os avanços pelos quais vale a pena pagar, mas só se a Medicare tiver permissão de usar esses dados. "O setor vem sendo bem-sucedido ao vincular qualquer discussão sobre custos àquela palavra assustadora, 'racionamento'", diz Kellermann.

Ele tem uma solução simples: fazer com que a Medicare pague integralmente pelos tratamentos altamente eficazes e mais baratos, e que os pacientes que desejam alternativas mais caras paguem a diferença por conta própria. Isso iria desarmar o argumento do "racionamento", conservar as opções individuais e recompensar os fabricantes por criar verdadeiras inovações e alternativas de menor custo, observa Kellermann.

É também o tipo de estímulo de que o setor da saúde precisa para impedir que os custos voltem a disparar no futuro.

*As informações são do Valor Econômico.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.