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06/01/16
Hospitais de excelência apontam queda na receita pela primeira vez em dez anos
Anahp divulga estimativa do ano que surpreende pela desaceleração significativa do setor de hospitais privados. Segundo levantamento, receita líquida dos 22 maiores hospitais particulares caiu 1,8% em 2015, para R$ 8,3 bi
Da redação

Pela primeira vez nos últimos 10 anos, desde que passou a acompanhar de perto o desempenho do sistema de saúde, a Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) registrou em 2015 uma desaceleração nos principais indicadores financeiros do Grupo Controle, formado pelos hospitais fundadores da entidade. Com informações do Valor Econômico.

De janeiro a dezembro de 2015, as estimativas indicaram uma queda nas receitas líquidas de 1,8% em relação ao ano anterior, para R$ 8,3 bilhões. No mesmo período, porém, as despesas se elevaram em 8,3%, o que reduziu drasticamente as margens operacionais.

A redução das margens operacionais dos hospitais também é visível quando se observa a variação da receita líquida e da despesa por paciente-dia, em 2015 em relação ao ano anterior. De acordo com os dados preliminares da Anahp, a receita líquida por paciente-dia aumentou 3,5%, ao passo que a despesa por paciente-dia subiu 9,4%, no mesmo período. "A expectativa é de uma iminente elevação em 2016, tendo em vista que mais de 30% dos nossos insumos são baseados em moeda estrangeira", afirma Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp.

O ritmo de contratações de empregados neste ano também sentiu o impacto da desaceleração. As estimativas da Anahp apontam que os hospitais privados provavelmente encerraram o ano com um crescimento de apenas 4,1% em suas contratações, contra 11,6% em 2014, totalizando 54 mil colaboradores.

Se os últimos anos foram marcados pelo forte crescimento do setor de saúde, estimulados, até então, pelo bom desempenho do mercado de trabalho e da economia, a mudança do cenário se refletiu na interrupção da expansão do número de beneficiários na saúde suplementar, que vinha apresentando crescimento a uma taxa média de 3,1% entre 2010 e 2014 De janeiro a setembro deste ano foi computada uma perda de 0,9% do número de beneficiários dos planos de saúde, o que representa a perda de 449 mil beneficiários. 

Do ponto de vista assistencial, a queda também foi mais expressiva. Como resultado da redução do número de usuários do sistema de saúde, a utilização dos serviços de pronto socorro caiu 7,2%, em 2015, de acordo com as estimativas da Anahp. Outro indicador importante é a queda do crescimento de cirurgias nos hospitais dos associados da Anahp em relação aos anos anteriores. Em 2015, o número de cirurgias cresceu apenas 0,4%, ao passo que em 2014 apresentou uma elevação de 5,5%.

A taxa de ocupação dos leitos hospitalares e a média de permanência dos hospitais do Grupo Controle, no entanto, apresentaram um comportamento favorável. A taxa de ocupação dos hospitais mantém-se em níveis superiores a 80%. Ao mesmo tempo, o tempo médio de permanência dos pacientes nos hospitais da Anahp apresenta uma progressiva redução nos últimos anos, chegando a 4,6 dias em 2015 ? o que reflete uma melhor gestão operacional dos hospitais.

Crise  A demissão de mais de 450 mil pessoas no ano passado, que consequente perderam seus planos de saúde, é um dos fatores que explica o mau desempenho no setor.  Devido ao provável aumento do desemprego e da alta do dólar, que eleva os custos dos hospitais que importam cerca de 30% dos medicamentos, materiais e equipamentos, a expectativa para 2016 continua pessimista, segundo alguns gestores. Além disso, estão previstas negociações mais acirradas entre operadoras e seguradoras de saúde.

Este cenário tem forçado os hospitais a se readequarem. O Sírio­Libanês não pretende abrir novos leitos este ano. O hospital, que tinha previsão de colocar 656 novos leitos em operação até o final do ano, deverá fechar 2016 com 451 leitos.

Já o Albert Einstein, que em 2015 registrou queda no volume de procedimentos de alta complexidade e ortopedia, está revendo investimentos cotados em moeda americana e contratos com fornecedores. Além disso, poderá haver acumulos de funções, o que pode resultar em demissões. 

De acordo com o presidente do Einstein, Cláudio Lottemberg, é preciso ter uma visão mais racional do uso da tecnologia na saúde e trabalhar com outros modelos de remuneração. E, conforme o gestor, um desses modelos é o hospital se responsabilizar com parte do risco do sinistro e trabalhar com medicina preventiva.

Para Balestrin, presidente da Anahp, esta é a primeira vez, desde 2004, que há queda no volume de atendimentos em pronto­socorro. Ainda segundo o gestor, esses dados referem-se aos hospitais de ponta, como Einstein, Sírio­Libanês, Samaritano e Rede D'Or. Ou seja, em hospitais menores, o impacto pode ter sido ainda maior.



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