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08/01/13
Grupo Intermédica pretende concorrer com gigantes do setor de saúde
Presidente Paulo Barbanti ignora o assédio e diz que não precisa vender o negócio. O foco, segundo ele, é reorganizar a governança da empresa para se adaptar às mudanças do mercado
Com informações do Brasil Econômico

O setor de saúde suplementar costuma especular sobre o destino da Intermédica, terceira maior operadora do país. Fala-se sobre se o fundador Paulo Barbanti irá conseguir vender a empresa, se ela sobreviverá sem um parceiro financeiro e sobre quem será o sucessor do empresário de 72 anos. Segundo Dr. Paulo, como é conhecido, o fato é que apenas uma constatação incomoda a concorrência: “A Intermédica não está à venda”.

O empresário garante: “Tem muita gente que queria me ver longe daqui". Ele afirma que todos os dias recebe propostas. Mas não vende. Barbanti já considerou essa possibilidade, mas rapidamente mudou de ideia. Em 2011, contratou a consultoria Galeazzi para estruturar a abertura de capital da empresa. Mas a parceria durou apenas dois meses porque não havia a necessidade de venda.

“O grupo não deve nada em banco e nunca vai dever. Tenho R$ 300 milhões em reservas nas contas das empresas e mais R$ 700 milhões à disposição do grupo. São R$ 1 bilhão aplicados conservadoramente”, afirma Dr. Paulo. Segundo ele, o montante seria necessário para garantir a saúde financeira da empresa durante os próximos 20 anos. “Não vou inventar outro negócio. É um valor líquido para qualquer necessidade. O suficiente para me deixar dormir tranquilo”, completa. 

“Somos o único concorrente que sobrou”, diz o empresário. Em 2012, a Amil foi comprada pela UnitedHealth, maior operadora de saúde do mundo e as outras operadoras são oriundas do mercado financeiro. Por isso, o que o empresário pretende é ver o negócio que construiu crescer em condições de enfrentar os gigantes do setor. 

Quanto à abertura de capital no futuro, Barbanti afirma que isso não o preocupa. “Meu foco é reorganizar a governança da empresa”, diz, e ressalta que já há três opções de sucessão, e uma delas é a Julia Barbanti, sua filha. Mas isso não o tiraria da presidência do negócio que criou há 43 anos. Seria uma forma de readequar a estratégia de negócio para se adaptar às mudanças do mercado. “Em 43 anos, fiz apenas cinco grandes mudanças na empresa. Minha estratégia é passar a usar a capacidade ociosa dos hospitais para vender leitos a outras operadoras.”

Para Dr. Paulo, a meta é que 30% do faturamento da Intermédica — que inclui a operadora de saúde de mesmo nome, a seguradora Notre Dame e o plano odontológico Interodonto — venha dos serviços hospitalares. A empresa, que nos últimos dois anos abriu dois hospitais, é a única que tem excesso de oferta de leitos para internação, segundo Barbanti. São cerca de 120 leitos ociosos que serão vendidos no mercado. Em pouco mais de um ano, esse número será de 200 leitos.

Como Dr. Paulo é avesso à empréstimos bancários, a Intermédica investiu, com recursos próprios, R$ 35 milhões na ampliação e abertura de hospitais em 2012. “Estamos reinvestindo lucro, nunca precisei aumentar o capital da empresa. Não quero o lucro pelo lucro, quero sim a lucratividade no limite para o investimento necessário para a expansão do grupo”, explica.

Mas Dr. Paulo também se dedica à redução dos contratos deficitários da empresa e tornar a carteira de clientes mais saudável. “Antes, minha lógica era investir no crescimento da carteira”, disse. Entre novembro de 2011 e novembro de 2012, a Intermédica teve uma redução de mais de 500 mil vidas, de acordo com os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Segundo o empresário, a diminuição do número de vidas significa reoxigenar a carteira. Ou seja, deixar de ter clientes que davam prejuízo e ficar com aqueles onde podemos obter resultados. Barbanti acrescenta que o Grupo Intermédica fechará o ano com uma lucratividade entre R$ 90 e R$ 100 milhões, em 2012. Os dados consolidados de 2012 ainda não foram fechados. Mas, segundo a ANS, só o plano de saúde Intermédica fechou o terceiro trimestre de 2012 com um faturamento de R$ 1,3 bilhão.



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