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26/01/15
Investidores estrangeiros já assediam hospitais no país
Uma das negociações que já encontra-se em andamento é a compra de parte da Rede DOr São Luiz pelo fundo americano Carlyle
Folha de S. Paulo

Após a Lei 13.097, que permite participação e controle de empresas ou capital estrangeiro na assistência à saúde, ter sido sancionada ela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira (19), alguns investidores estrangeiros já começaram a assediar os hospitais privados no país. O setor agrega 3.979 instituições e movimenta cerca de R$ 100 bilhões ao ano.As informações são da olha de S. Paulo.


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Uma das negociações que já encontra-se em andamento é a compra de parte da Rede D'Or - maior rede independente do país, com 27 hospitais próprios -, pelo fundo americano Carlyle. Procurada, a Rede D'Or, que é controlada pelo BTG Pactual, não quis comentar o assunto.

Até então, a participação de investimentos estrangeiros no setor de saúde era vetado pelo artigo 199 da Constituição Federal. Em 1998, a lei que regulamentou o setor de saúde suplementar abriu uma brecha para os planos de saúde. Em 2012, a Amil foi comprada pela empresa UnitedHealth, e a Intermédica foi vendida para o grupo de investimentos americanos Bain Capital.

Para Francisco Balestrin, presidente do conselho da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP), emissários de corporações internacionais ou nacionais com conexões fora do país já começaram a visitar executivos do setor para entender a situação e as alternativas. A perspectiva, segundo o dirigente, é muito positiva.

Ainda segundo Balestrin, a entrada de capital etrangeiro também poderá trazer mais qualidade ao setor e padrões de governança corporativa, de processos e de compliance (mecanismos para prevenção de ilícitos).

"É injeção de dinheiro novo", disse Ana Maria Malik, coordenadora do núcleo de saúde da Fundação Getulio Vargas. Segundo ela, os hospitais estão dando "pulos de alegria".

Sistema único - Claudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein, acredita que a abertura é bem­vinda desde que não haja um objetivo especulativo, para beneficiar grupos econômicos. Conforme Lottemberg, já existe o Sistema Único de Saúde no país. "O sistema privado é para complementar o público."

Algumas entidades do setor criticaram a medida e deverão entrar com uma ação de inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal).. Elas alegam que fere a Constituição e que isso representa um passo rumo à privatização da saúde no país e desmonte do SUS.

Para Ana Maria Malik, o interesse dos investidores de fora do país será mais em participações em negócios já existentes do que na abertura de novos hospitais.

Já Walter Cintra Ferreira Júnior, especialista em administração hospitalar, acredita que os estrangeiros virão atrás do mesmo filão disputados pelos investidores do país, que são as áreas de neurocirurgia, ortopedia, cardiologia e oncologia.

Segundo Cintra, são áreas lucrativas, em que hospitais ganham vendendo remédio, prótese e outros materiais. Ele não vê perspectiva de investimentos onde há carência assistencial, como maternidades, tidas como pouco rentáveis.

As informações são da Folha de S. Paulo.



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