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08/10/15
Médico no Maranhão xinga farmacêutico em receituário
Agressão ocorreu porque farmacêutico não entendeu a prescrição escrita. Resolução da Anvisa determina que receitas médicas devem ser escritas de forma legível
Da redação

Um médico otorrinolaringologista de São Luís (MA) xingou um farmacêutico de "imbecil" e "analfabeto" em uma receita médica. O motivo a agressão foi porque o profissional não entendeu a prescrição escrita que, segundo ele, estava de forma ilegível quando o paciente apresentou o receituário para comprar a medicação. O farmacêutico pediu que o paciente retornasse ao médico, João Melo e Sousa Bentivi, para solicitar uma nova receita.

O caso ocorreu na quinta-feira da semana passada (01). Nesta terça (06), o CRF-MA (Conselho Regional de Farmácia) informou que vai acionar o CRM-MA (Conselho Regional de Medicina do Maranhão) para tomar as providências necessárias. Além disso, o CRF-MA pediu que o médico se retrate perante a classe.

No receituário, o médico chama o farmacêutico de burro e analfabeto, diz que vai traduzir a quantidade da medicação prescrita e, no final, descreve a medicação completa com a frase "tenho dito e viva a burrice." O papel contém o timbre da clínica e o carimbo do médico.

Para o CRF-MA, todos os profissionais foram atingidos pelo insulto do médico. "O CRF-MA em nome da classe farmacêutica repudia, veementemente, o ato ao tempo que se entristece por se tratar de um profissional da área da saúde, tanto quanto o farmacêutico", disse em nota. 

De acordo com Maria José Luna, presidente do CRF-MA, o farmacêutico agiu de forma correta, respaldado pela resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que determina que a receita médica deve estar de forma legível.

Abson Murad, presidente do CRM-MA, também apoiou a atitude do farmacêutico ao pedir uma nova receita. O conselho médico informou que vai aguardar uma notificação para abrir uma sindicância na qual serão ouvidos o farmacêutico e o acusado. 

Em nota, o médico João Bentivi explicou que o papel não se trata de uma receita, e sim um bilhete "desaforado para um profissional de farmácia, que foi deselegante comigo, ao se recusar a vender um medicamento a uma humilde paciente e, sem critérios, assacar-me com adjetivos inapropriados." "A recusa não se referiu, portanto, a ser a prescrição legível ou não legível, mas às ponderações mal educadas do farmacêutico de como deveria ser a minha redação. Reitero, mais uma vez, o respeito aos farmacêuticos do Brasil, inclusive o meu bilhete tinha um destino específico: 'ao farmacêutico'", completou Bentivi.



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