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11/11/16
Médicos cubanos são homenageados em BH durante despedida
Profissionais receberam certificados e se reuniram com pacientes e colegas de trabalho. Eles estão encerrando suas atividades e retornam à Cuba esta semana
Léo Rodrigues, da Agência Brasil

O Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte (CMS-BH) homenageou na última terça-feira (08) os 26 médicos cubanos que trabalharam na capital mineira nos últimos três anos no Programa Mais Médicos. Em cerimônia no Espaço Cultural Casa do Jornalista, na capital mineira, os profissionais receberam um certificado e puderam se reunir com pacientes e colegas de trabalho. Eles estão encerrando suas atividades e retornam à Cuba esta semana.

Os médicos cubanos atuaram em sete das nove regionais de Belo Horizontes. Eles foram distribuídos em 22 unidades de saúde. A homenagem foi feita em parceria com a Secretária Municipal de Saúde. "É muito especial. Nós não fazemos o trabalho com a expectativa de ganhar homenagem. Fazemos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas e a saúde. Então quando você recebe um certificado desse, é sinal de que o trabalho foi bom, que nós conseguimos fazer alguma coisa", diz a cubana Anilec Oliva Gutierrez, de 38 anos.

Durante os três anos em que esteve em Belo Horizonte, Anilec conseguiu visitar Cuba algumas vezes, mas a saudade persiste e ela está ansiosa para retornar à Cienfuegos, sua cidade natal. Por enquanto, a médica só pensa em voltar para casa, para seu antigo posto de trabalho e curtir sua família, mas não descarta aceitar um novo desafio no futuro ou mesmo voltar ao Brasil.

Em Belo Horizonte, a cubana atuou no Centro de Saúde Cícero Idelfonso, no bairro Vista Alegre, na região oeste. Ela lembra dos primeiros dias. "Eu falava pouco português, outras pessoas não falavam nada, mas os colegas brasileiros se esforçavam muito para nos ajudar. Então começamos a fazer o que a gente sabe, o que nós aprendemos. E nós vimos o resultado na melhora dos nossos pacientes, nos indicadores do município e hoje tem muita gente que pede para gente não ir embora. Os pacientes têm muita gratidão", diz.

O presidente do CMS-BH, Bruno Pedralva, diz que os cubanos fizeram um trabalho silencioso que deu resultados. "Eles trazem a solidariedade como princípio e entendem a saúde como um direito das pessoas. Recebemos cotidianamente elogios de pessoas maravilhadas com o carinho que eles demonstram e com a dedicação ao trabalho. Eles cumprem rigorosamente seus horários. Frequentemente trabalham até mais".

Convênio - O Programa Mais Médicos (PMM) é composto por um conjunto de medidas que visam melhoras no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele prevê a contratação de médicos brasileiros e estrangeiros para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais. A chegada dos médicos cubanos para atuar no programa se deu por meio de um convênio intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O Mais Médicos alcançou 72,8% dos municípios brasileiros, beneficiando 63 milhões de pessoas. O programa inclui investimentos em infraestrutura e na formação profissional. Até 2017, a previsão é que sejam criadas 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica.

Em setembro, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou o reajuste em 9% da bolsa dos profissionais que atuam no programa. Ele também confirmou a renovação do convênio com a Opas. No entanto, a meta é reduzir a participação dos cubanos e aumentar a dos brasileiros.

Atualmente, o Mais Médicos tem 18.240 vagas na atenção básica de saúde em 4.058 municípios e 34 distritos indígenas. Destas vagas, 11.429 são preenchidas por profissionais que vieram de Cuba, o que representa 62,6%. Para o presidente da CMS-BH, o trabalho dos médicos cubanos prova que profissionais bem formados atuando nas comunidades e nos centros de saúde fazem a diferença.

"Na nossa visão, o governo federal deve assegurar o convênio com a Opas e manter a presença dos profissionais cubanos por mais três anos no Brasil. Nós precisamos formar médicos brasileiros para ocupar estes postos, mas estes três anos ainda não foram suficientes. Precisamos de mudanças nos cursos de graduação em medicina e nas residências para formar mais médicos de família e de comunidade, que são os especialistas no cuidado das pessoas nos centros de saúde. Os médicos cubanos são especialistas nessa área. Os brasileiros ainda não [são]", diz Pedralva.



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