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06/02/12
Indústria chinesa do setor médico-hospitalar cresce no país
Mônica Fang, vice-presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico, fala sobre o mercado brasileiro
Danielle Villela

Radicada no Brasil há 25 anos, Mônica Fang acumula atualmente os cargos de vice-presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE) e de diretora-geral da Anatomic, fabricante chinesa de modelos anatômicos e microscópios com sede em Cotia (SP). “Existem outras indústrias que gostariam de vir atuar no Brasil”, comenta sobre o crescente número de empresas do setor médico-hospitalar da China que vêm se instalar no país. “É algo muito sólido e construtivo”, sentencia. Com a desconfiança típica dos chineses, a empresária evitou falar em números e cifras, recorrendo a adjetivos e elogios às oportunidades do mercado brasileiro. Fang ainda defendeu a China das críticas quanto à preocupação com a qualidade dos seus produtos e os impactos ao meio ambiente, além de minimizar possíveis tensões com empresários da indústria brasileira. “Quanto maior a concorrência, maiores as possibilidades de melhorarmos e nos tornarmos mais competentes”.

 

Diagnóstico - Quais são as estratégias para que os produtos chineses sejam tão competitivos?

Mônica Fang - O governo chinês dá muitos incentivos para que as empresas do país façam investimentos no exterior, sobretudo no Brasil. Temos impostos reduzidos, incentivos para capital de giro, tanto para indústrias que se lançam no mercado externo, como para operações internas. Nosso governo é um grande parceiro dos empresários, inclusive com investimentos nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. É uma vantagem do comunismo, tudo acontece muito rápido, não há burocracia. Além disso, o custo de vida na China é muito baixo e nosso contingente de trabalhadores é enorme.

 

Diagnóstico - Qual a importância do mercado brasileiro?

Fang - O Brasil oferece muitas oportunidades. Já existe um volume grande de indústrias vindo atuar no Brasil, com preparo, boa estrutura e boas parcerias. Em média, estamos crescendo cerca de 30% todos os anos no país e existem outras indústrias do setor que gostariam de vir atuar no Brasil. Não viemos só fazer negócios, queremos investir, nos instalar no Brasil, ter funcionários brasileiros. É algo muito sólido e construtivo.

 

Diagnóstico - Quanto o setor deve investir no Brasil nos próximos anos?

Fang - Cada momento tem suas particularidades, mas observamos um aumento no número de empresários chineses que vêm ao Brasil para fazer pesquisas e contatos em feiras como a Hospitalar, por exemplo. A indústria da China continuará investindo no Brasil, mas é muito difícil falar em números ou volume, porque depende da economia do mundo inteiro e dos incentivos do governo. Encontramos muita burocracia no Brasil.

 

Diagnóstico - As parcerias com brasileiros são uma alternativa para maior inserção?

Fang - Temos ótimas possibilidades de trocar conhecimento e fazer negócios juntos. Representantes de multinacionais chinesas tiveram muito sucesso em parcerias com indústrias nacionais. É uma estratégia importante ter parceiros que conheçam os procedimentos para facilitar a distribuição dos produtos. A diferença cultural é outra dificuldade, o empresário chinês precisa de um período de adaptação. Muitos executivos contratam consultorias para agilizar esse processo. O chinês gosta de agir por passos, primeiro conhece, para depois confiar.

 

Diagnóstico - Executivos ponderam que a indústria chinesa não preza por questões ambientais e pela qualidade dos produtos. Pode comentar?

Fang - Isso não existe mais. Há 17 anos, lembro que os equipamentos chineses eram considerados muito ruins. Nos últimos dez anos, o mundo demandou um padrão, e as nossas indústrias precisaram buscar essa qualidade para sobreviver. O mesmo para as questões ambientais, que talvez não fossem uma preocupação em outras épocas. O crescimento de um país é um processo complicado, e a primeira preocupação da China foi com o desenvolvimento. Isso vem mudando, muitas cidades já recebem incentivos governamentais para cuidar e ajudar na melhoria do meio ambiente.

 

Diagnóstico - E a competitividade com a indústria brasileira?

Fang - Quanto maior a concorrência, maiores as possibilidades de melhorarmos e nos tornarmos mais competentes. O mercado é grande, há espaço para cada empresa oferecer as suas vantagens, o seu conhecimento e o seu perfil para atender aos seus clientes. Ninguém sozinho domina o mercado.



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