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02/04/12
Negócios no Ar
Bom momento do setor de saúde tem impulsionado investimentos no transporte aeromédico em todo o Brasil. No Nordeste, a baiana DN UTI Aérea é a única habilitada a voos nacionais e internacionais
Mara Rocha

O aquecimento no mercado de saúde tem levado literalmente para o ar as oportunidades de negócios no setor médico hospitalar. Com investimentos vultosos e capacidade técnica que necessita de uma série de pré-requisitos, empresas especializadas em transferências áreas se preparam para aproveitar a onda de crescimento. No Nordeste, a tarefa vem cabendo à baiana DN UTI áerea, única habilitada na região para realizar voos nacionais e internacionais. Resultado de um investimento que já consumiu R$ 6,5 milhões, o projeto foi idealizado pelo empresário Danilo Noya, cirurgião com 30 anos de profissão dedicados ao atendimento de pacientes politraumatizados, em urgências e emergências.

 

“No começo, muitos duvidavam da ideia pelo alto risco envolvido na operação”, lembra ele. Não por acaso, a ajuda estratégica veio do sócio e irmão, dono da Aerostar, tradicional empresa de táxi aéreo da Bahia. Por lei, as UTI’s aéreas precisam estar vinculadas a uma companhia de transporte aéreo, devidamente credenciada à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para a realização do serviço.  Os números provam que o executivo estava certo: desde que o primeiro avião da empresa realizou o seu primeiro voo, há dois anos, a DN cresceu 40%.

 

“Neste momento, a operação ainda está se pagando”, avalia o médico-executivo, que a cada ano investe R$ 300 mil em novos equipamentos e manutenção. Recentemente, a companhia adquiriu, por R$ 4 milhões, um jato Learjet 35 seminovo para as viagens de longa distância. O equipamento vem se juntar ao bimotor Piper Navajo, primogênito da pequena frota. Noya – o N da empresa que leva o seu nome e sobrenome – também planeja focar mais em áreas com demanda reprimida, expandindo a atuação da companhia para outras regiões. Atualmente, a DN realiza cerca de 20 voos mensais, que custam em média R$ 12 mil, a depender da distância a ser percorrida.

 

Além das cidades do estado de origem, os destinos mais freqüentes são Brasília, Recife, São Paulo e Curitiba. Os pacientes são dos mais variados: bebês com necessidade urgente de transferência, portadores de cardiopatias, pessoas com traumas cranianos. Casos graves, mas em situação estável. Atualmente, a principal fonte pagadora é a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), com um contrato que corresponde a quase 60% do faturamento mensal da empresa. A DN mantém ainda parceria com a Cassi e a Bradesco Saúde, e já está em negociação com a Petrobras e outras operadoras. “Este ano vamos nos aproximar mais dos planos de saúde”, antecipa Noya.

 

Mercado - No que depender do mercado, os negócios no segmento de UTI aérea vão continuar em céu de brigadeiro. A maior parte das quase 20 empresas de transporte aeromédico do país está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, e não chega a suprir a metade da demanda nacional. Para analistas, até a Copa do Mundo de 2014 a tendência é que o segmento cresça pelo menos 50%. E o centro das atenções tem sido justamente o Nordeste, região com maior número de estados do país, com quatro das doze cidades sedes dos jogos mundiais – Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. São mercados como o Rio Grande do Norte e Pernambuco, que também precisam do transporte aeromédico por causa da proximidade à Ilha Fernando de Noronha.

 

De olho nas oportunidades, a goiana Brasil Vida pretende se instalar, dentro de até seis meses, na capital pernambucana e em São Paulo. A empresa, que em 2011 investiu 35% dos R$ 7,5 milhões de faturamento registrado no ano, já possui bases em Goiânia, Salvador e Belém do Pará. Atualmente, a instituição detém uma frota de três bimotores, três turbo-hélices e um jato. Um plano de expansão prevê a compra, ainda este ano, de mais um avião destinado à cobertura de longas distâncias. “Temos buscado divulgação fora do país. Nosso objetivo é dar suporte a turistas norte-americanos e membros do Mercosul”, ambiciona o diretor financeiro da companhia, Phelipe Augusto.

 

Responsável pelo transporte médico de diversas Unimeds distribuídas pelo país, a Medilar, com sede em Ribeirão Preto, realiza 50% de seus atendimentos no Norte e Nordeste. A empresa, que existe há mais de dez anos no mercado e possui um milhão de cooperados, iniciou a atividade com o atendimento pré-hospitalar terrestre, para mais tarde implementar o serviço de UTI aérea. Atualmente, além dos voos dentro do Brasil, é muito requisitada na Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, também para atendimentos particulares. “Esse é um mercado em franca expansão com um mundo de oportunidades a serem exploradas”, aposta o gerente médico da Medilar, Vitor Brasil.

 

Entraves - “O segmento tem tudo para crescer, mas está muito suscetível a reveses”, pondera o médico e professor da pós-graduação em Medicina Aeroespacial da Universidade Gama Filho, Rolland Duarte. Segundo o especialista, apesar do cenário favorável, tem sido difícil encontrar novos empreendedores interessados em investir no setor. A falta de infraestrutura adequada é um dos fatores que influenciam na decisão. “Dos poucos aeroportos do país, muitos não funcionam 24h e tantos não estão em boas condições”, denuncia. Além disso, por ser um segmento ainda recente – as primeiras empresas privadas surgiram há pouco mais de uma década –, ainda não existe uma legislação clara que trate diretamente do transporte aeromédico. Burocracia que Danilo Noya conhece bem. Para atender a todas as exigências da Anac, inclusive de qualificação profissional, o empresário precisou aguardar cerca de três anos até que a DN realizasse o seu primeiro decolo.

 

Outro grande entrave é a escassez de profissionais qualificados para suprir a carência do mercado. A Universidade Gama Filho (UGF) do Rio de Janeiro é a única instituição do país a oferecer a pós-graduação em Medicina Aeroespacial, formação obrigatória para os diretores técnicos das empresas de UTI Aérea. Criada em 2002 em parceria com a Anac (na época Departamento de Aviação Civil), a UGF habilitou ao longo desses anos 60 especialistas.

 

O alto investimento inicial e os custos da atividade também são uma pedra no sapato dos empresários da área. Os equipamentos são importados e dependem diretamente do câmbio do dólar. O preço do petróleo também influencia bastante nas contas dessas empresas. Para a DN, por exemplo, os gastos com combustível, na ordem de R$ 80 mil a R$ 90 mil por mês, equivalem a cerca de 50% das suas despesas. “Ficamos a mercê dos mercados externos”, lamenta Noya.

 

São barreiras que, embora dificultem o surgimento de novos investidores no mercado, propiciam parcerias entre as empresas concorrentes já atuantes. Para reduzir os gastos com combustível, por exemplo, é comum entre as companhias do setor uma aliança na hora do atendimento. “Se um paciente vier de São Paulo para a Bahia e nosso avião não estiver lá, avaliamos se não é mais vantajoso pedir a um parceiro que esteja na cidade de origem para fazer o transporte”, exemplifica o diretor técnico da DN, lembrando que também já foi procurado inúmeras vezes por concorrentes. “É uma forma de otimizar o tempo de espera no atendimento e gastos”, sentencia.

 

Novas oportunidades - As lacunas deixadas por um mercado ainda em desenvolvimento têm gerado interessantes oportunidades de negócio em setores diretamente ligados ao setor. Para facilitar a logística do transporte aeromédico, por exemplo, a DN lançou mão de seu know-how e investiu também em UTI móvel terrestre. Além dos aviões, a companhia possui três ambulâncias, que dão suporte no atendimento “bed to bed”.

 

O bom momento da DN serviu de estímulo para que o Centro Integrado em Emergências Médicas da Bahia (CIEMBA) implantasse cursos de qualificação em transporte aeromédico. Liderado pela médica Janete Braga, coordenadora da SAMU de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, o centro, que é único em sua categoria no estado e um dos poucos no Brasil, qualifica tanto médicos e enfermeiros, quanto os pilotos das UTI’s Aéreas. “Eles precisam entender, por exemplo, como a altitude influencia no estado de saúde do paciente para identificar a melhor rota a ser seguida”, especifica Janete, que também é professora da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da Universidade Salvador (Unifacs). “Trata-se de um segmento pequeno, em relação ao restante da cadeia, mas que enxergamos como uma oportunidade de expansão dos nossos negócios”, avalia Karina Pontes, representante da Air Liquide, que fornece oxigênio para empresas que atuam no segmento de transporte aeromédico.



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