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30/04/13
Oncologistas denunciam preços abusivos de medicamentos contra o câncer
Entre os 12 tratamentos aprovados em 2012 pela agência americana que regula os medicamentos, 11 custam mais de 100 mil dólares por ano. Nos EUA, os preços abusivos contribuem para a crise no sistema de saúde
AFP

No ano passado, 12 tratamentos contra o câncer foram aprovados pela agência americana que regula alimentos e medicamentos (FDA, em inglês). Destes, segundo médicos oncologistas que assinaram um artigo denunciando a situação, 11 custam mais de 100.000 dólares por ano. O artigo foi publicado na última quinta-feira (25), na versão digital da revista americana Blood, publicação da Sociedade Americana de Hematologia (ASH).

Segundo os oncologistas especializados em leucemia, os custo não se justificam porque os medicamentos não deveriam estar submetidos às leis do mercado. O texto informa que, quando um produto afeta a vida ou a saúde das pessoas, "o preço justo deveria prevalecer por suas implicações morais". Os médicos citam o exemplo do preço do pão na época da fome, e da vacina da poliomielite e tratamentos de patologias crônicas como diabetes, hipertensão arterial ou tuberculose. 

De acordo com os autores, no caso da leucemia mieloide crônica, um câncer raro do sangue e da medula óssea, a taxa de sobrevida a cinco anos é de 60% nos Estados Unidos, segundo o Instituto Nacional americano do Câncer. Na Suécia e na França, esse índice chega a 80%. A diferença é explicada pela variação do custo de um tratamento comum, como o Gleevec, do grupo suíço Novartis, e pelo fato de que a maioria dos americanos não possuem cobertura médica.

Segundo os oncologistas, aproximadamente 10% dos pacientes afetados por este tipo de leucemia nos Estados Unidos não tomam os anticancerígenos prescritos, principalmente devido ao custo elevado. Nos Estados Unidos, os pacientes podem pagar, em média, 20% do custo dos remédios do próprio bolso (20.000-30.000 dólares ao ano, o que representa entre um quarto e um terço do orçamento de um lar de classe média), "e as doenças médicas e os preços dos medicamentos são as causas mais frequentes de ruínas pessoais", completa.

O medicamento Gleevec custa atualmente 92.000 dólares ao ano nos Estados Unidos, contra 29.000 dólares/ano em países como México e Coreia do Sul, e 40.000 dólares anuais na França. Por outro lado, o Tasigna, da Novartis, chega a custar 115.000 dólares anuais nos Estados Unidos, contra 51.500 dólares/ano na Suécia.

Nos Estados Unidos, os preços também contribuem para a crise no sistema de saúde, dizem os médicos. O custo dos tratamentos representou 18% do PIB americano em 2011, enquanto na Europa este segmento se situou entre 6% e 9%.

Em comunicado, a Novartis destacou que o Gleevec permite que nove de dez pacientes possam continuar levando uma vida normal, enquanto, anteriormente, a expectativa de vida cinco anos após o diagnóstico desta doença se situava em 30%. O grupo também informou que colabora com os sistemas públicos e privados de assistência de saúde e com as organizações de caridade para reduzir o custo dos medicamentos. Segundo o grupo, globalmente, cerca de um terço do Gleevec produzido anualmente pelo laboratório é distribuído de forma gratuita a cerca de 50.000 doentes em mais de 80 países de baixa renda.

*As informações são da AFP.



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