home notícias Mercado e Negócios
Voltar Voltar
10/01/14
Pete Mooney, da Deloitte: os EUA continuarão investindo no Brasil
Em entrevista à Diagnóstico, diretor executivo da área internacional de saúde da Deloitte faz uma análise do mercado global de saúde e diz que a consultoria não errou ao apostar nos BRICS
Adalton dos Anjos


O executivo Pete Mooney, da Deloitte: mercado global de saúde vai continuar aquecido (Foto: Divulgação)

O inglês Pete Mooney, que acabou de assumir o cargo de diretor executivo  da Deloitte Center for Health Solutions – uma das mais renomadas consultorias de negócios do mundo –, é um otimista quando o assunto é mercado global de saúde. Segundo ele, as incertezas que rondam mercados importantes, como EUA, China e Brasil, não vão frear o ímpeto de uma indústria em plena expansão.“Um exemplo de que o mercado continua atrativo foi a compra, em 2012, da Amil pela United Health Care”, compara. “Esta é somente uma experiência de como as companhias, neste caso nos EUA, estão vendo grandes oportunidades em países como o Brasil”. Mercados emergentes, aliás, são uma das expertises de Mooney, que sempre conciliou a carreira de consultoria com obras de caridade ao redor do mundo. Membro da Health Opportunities for People Everywhere (HOPE), organização internacional voltada para soluções duradouras para problemas de saúde em cidades carentes do planeta, o executivo diz que esse tipo de experiência tem sido fundamental para sua compreensão sobre como melhorar os cuidados com a saúde de forma sustentável. “Tive a chance de trabalhar com diversos líderes de grupos, que trouxeram diferentes perspectivas sobre a dinâmica do setor”, enfatiza Mooney, que assumiu o cargo ocupado nos últimos seis anos pelo norte-americano Paul Keckley. Do escritório da Delloite, em Boston, o executivo concedeu a seguinte entrevista à Diagnóstico.

Diagnóstico – Em julho de 2009, a capa da revista The Economist trazia como manchete: “Brazil takes off” (“Brasil decola”), mas, depois de quatro anos, a mesma publicação rescreveu a manchete: “Has Brazil blow it?” (“O Brasil estragou tudo?”). A mesma frustração é estendida aos BRICS. Os consultores estavam errados em suas previsões?
Pete Mooney – Era inevitável que o crescimento nos BRICS passaria a ser mais moderado com o passar do tempo. Os índices de crescimento do passado eram insustentáveis. Isto não significa que esses mercados não são atrativos ou que não serão daqui para frente, e sim que serão ajustados para um índice de crescimento mais normal. A propósito, as questões que criaram um hipercrescimento no Brasil demandarão um tempo para serem trabalhadas, já que o sistema conta com 40 milhões de pessoas que acabaram de entrar na classe média. Outro ponto é como ofereceremos serviços de saúde para uma população que está se descobrindo e se mostra como grandes oportunidades para as companhias. Um exemplo de que o mercado continua atrativo seria a compra da Amil pela United Health Care [Em 2012]. Esta é somente uma experiência de como as companhias, neste caso nos EUA, estão enxergando grandes oportunidades no Brasil. 

Diagnóstico – Nos EUA, os custos em saúde aumentarão 5,8% ao ano até 2020, segundo uma pesquisa divulgada pela Deloitte. Vocês tem uma solução para essa equação?
Mooney – A estimativa dos 5,8% foi de uma pesquisa feita pelo Centers for Medicare and Medicaid Services. Existe uma necessidade de moderar o crescimento das taxas, mas, ao mesmo tempo, não há como o sistema de saúde dos EUA oferecer um serviço a estes custos. Contudo, certamente existem formas de modificar isto – fazer com que as pessoas sem planos de saúde obtenham uma cobertura ajudará a modificar as necessidades desses novos consumidores nos serviços de saúde. Eles terão menos demandas de cuidados críticos ou níveis de atendimento de emergência e se moverão mais para o cuidado preventivo. Além disso, a mudança na forma como oferecemos os serviços de saúde trará impactos de custos. Avanços tecnológicos, que talvez aumentem custos em um curto prazo, devem ter um impacto em cortes de gastos no futuro. Outros fatores, como o aumento contínuo da necessidade de divisão de custos com as operadoras de saúde e o lento crescimento dos programas de governo, também surtirão efeitos. Será necessário muito tempo e esforço para alcançarmos os resultados. Mas está claro que mudanças precisam ser feitas.

Diagnóstico – Os consultores falharam em prever o colapso do sistema de saúde dos EUA?
Mooney – Acho que é um pouco prematuro dizer que o sistema de saúde dos EUA entrou em colapso. Direi que os EUA reconheceram que o sistema atual é insustentável e medidas têm que ser tomadas para resolver isto. Para uma grande porção da população norte-americana, o sistema de saúde trabalha muito bem. Mas alguns dos problemas que impactam o sistema de saúde nos EUA – condições preexistentes, pessoas sem seguro saúde e coberturas limitadas – estão sendo tratados com a legislação recente.

Diagnóstico – Durante muitos anos, a telemedicina foi apontada por consultorias como a solução dos problemas de cobertura e redução de custos em saúde em países continentais como o Brasil e os EUA. O que não deu certo?
Mooney – Uma questão interessante sobre a inovação tecnológica é a sua facilidade em prever para onde ela vai e, ao mesmo tempo, uma dificuldade em saber em que momento. Então, necessariamente, não diria que não deu certo, somente que o nível ou o tempo de adoção está sendo mais lento do que o esperado. As barreiras que precisam ser transpostas nos trabalhos em telemedicina são muito complexas. O Centre for Health Solutions da Deloitte, no Reino Unido, fez um estudo em telemedicina e enfrentou algumas barreiras como custos, cultura, infraestrutura e questões legais. Muitas dessas barreiras têm sido mudadas lentamente, com o objetivo de implantar plenamente a telemedicina. E não é somente a tecnologia, mas também como a tecnologia permite soluções em saúde. Portanto, uma vez que você encontre a solução, é preciso descobrir como aplicar telemedicina. Mesmo diante de tantos obstáculos, estou convencido de que esse tipo de tecnologia vai  melhorar os cuidados em saúde e reduzirá custos a longo prazo.

Diagnóstico – Com a chegada da lei Affordable Care Act (ACA) no EUA, as empresas do mercado de planos de saúde estão prontas para atender uma nova demanda? Como impedir que as operadoras criem novas diferenças entre os públicos que já possuíam planos de saúde e os novos consumidores?
Mooney – A questão fundamental em torno do ACT é menos sobre a criação de diferenciais nos planos de saúde e mais sobre descobrir como oferecer uma cobertura para 40 milhões de pessoas nos EUA que não têm atualmente qualquer tipo de plano de saúde. Assim, o foco principal do programa é trazer pessoas para cobertura de saúde e nivelar este campo de jogo entre as que já têm planos de saúde – pagos através das empresas onde trabalham – e aqueles que historicamente nunca tiveram cobertura. Trata-se de uma grande oportunidade para operadoras de saúde, que estão diante de um mercado absolutamente promissor. 

*Leia a entrevista completa na revista Diagnóstico n° 23.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.