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22/11/13
Por que os sócios decidiram vender o Fleury só agora?
Um grupo de médicos tem o destino do mais conceituado laboratório do país, o Fleury, nas mãos. Se sair do papel, esse poderá ser um dos maiores negócios do setor de saúde do país
Exame


Sede do Fleury, em Jabaquara (SP): donos do laboratório -- 23 médicos e uma administradora -- contrataram o banco JP Morgan para achar quem queira comprar a parte deles na empresa (Foto: Divulgação)

São Paulo - Na universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos vestibulares mais concorridos do país -- especialmente para o curso de medicina --, é tradição ex-alunos virarem professores, mais pelo prestígio do que pelo dinheiro, com um salário médio de 5 500 reais. Mas um grupo de seis professores da Unifesp tem vida diferente. Eles são sócios do Fleury, o mais conceituado laboratório de análises clínicas do país. Dos sócios, alguns são amigos, outros mal se conhecem. Apenas sete se envolvem no cotidiano da empresa. Entenda porque só agora eles decidiram vender a empresa. As informações são da revista Exame.

Como sócios, nos últimos quatro anos passaram a receber dividendos periódicos em torno de 49?000 reais por mês. Mas agora, eles querem ganhar dinheiro para valer. Os donos do Fleury (23 médicos e uma administradora de empresas) contrataram o banco JP Morgan para achar quem queira comprar a parte deles na empresa.

A fatia deles no valor de mercado atual do Fleury corresponde a 1,2 bilhão de reais. Numa conta simples, isso significa quase 50 milhões de reais para cada um, sendo que eles receberiam valores diferentes, porque suas participações variam.

Em outubro, o banco JP Morgan começou a procurar potenciais interessados em fazer uma oferta pelo Fleury. Fundos de private equity, como Carlyle e KKR, analisam os números para uma eventual proposta. Dono de 16% do capital da empresa e com preferência na compra das ações, o Bradesco também é candidato. Além disso, os laboratórios americanos Quest Diagnostics, que contratou o banco Morgan Stanley para comprar empresas no Brasil, e o LabCorp foram procurados.

Fundado em 1926, o Fleury atuou apenas em São Paulo com um único laboratório durante quase 40 anos. A expansão começou na década de 70 e nos últimos dez anos ganhou força através da compra de 27 marcas em cinco estados. Atualmente, o grupo fatura 1,6 bilhão de reais e vale 3 bilhões de reais na bolsa. 

Com o passar dos anos, o Fleury passou a adotar um mecanismo peculiar para remunerar seus funcionários e absorver os donos das empresas compradas. À medida que o laboratório crescia, dava aos médicos uma participação na Core, holding que controla o laboratório junto com o Bradesco.

Uma das explicações para a venda do Fleury é uma mudança prevista no acordo de acionistas que rege a Core. Até o início do ano, os sócios eram impedidos de transformar suas ações na Core em papéis do Fleury. Quem quisesse vender sua participação e transformá-la em dinheiro precisava oferecê-la aos demais sócios. 

Mas em fevereiro a regra mudou. Agora, de tempos em tempos, os médicos podem “migrar” para ações do Fleury. Isso significa que, se os sócios forem se desfazendo de suas ações separadamente, o poder de controle da Core, com 40% das ações do Fleury, será minado.

Quanto mais essa participação diminuir, qualquer investidor poderia fazer uma aquisição hostil comprando as ações em circulação no mercado. Aproveitando o momento atual para vender suas ações, os médicos da Core esperam conseguir obter um prêmio pelo controle, algo que poderia se tornar inviável no futuro. 

De acordo com informações do próprio Fleury, esse processo é considerado natural. Nenhum dos sócios vendeu ações em 2009, durante a abertura do capital da empresa. Mas, com média de idade superior aos 60 anos, a maioria quer aproveitar o momento atual para embolsar o dinheiro. 

O endocrinologista Omar Magid Hauache, sócio da Core e presidente do conselho de administração do Fleury, conta que alguns deles já disseram que querem usar melhor seu patrimônio. 

Até o momento, o médico Jorge Moll foi o único que vendeu. Ele se tornou sócio do Fleury em 2011, quando vendeu seu laboratório à companhia. Em abril, os demais acionistas gastaram cerca de 200 milhões de reais em uma operação financiada pelo Banco do Brasil, para comprar as ações de Moll.

Laboratórios -- Com mais de 14?000 laboratórios no país e o mercado mais competitivo do que nunca, os hospitais vêm criando ou melhorando os próprios centros de diagnósticos. Foi o que fez o hospital Albert Einstein, que, como o Fleury, atende um público de alta renda.

O Fleury não queria perder espaço e gastou 630 milhões de reais da verba captada com a abertura do capital para fazer aquisições e abrir unidades pelo país. Boa parte dessas novas marcas foi abrigada sob a bandeira a+, lançada em 2011 para atender às classes B e C.

Como efeito colateral, houve queda na rentabilidade devido a uma diminuição da participação dos clientes de alta renda, que eram os mais lucrativos. A margem de lucro da empresa, de 18%, é a menor desde 2009. 

Vivien Rosso, presidente do Fleury e única sócia da Core que não é médica, declara que a empresa vai investir mais no segmento de alta renda daqui para a frente. Segundo os controladores, o processo de venda é uma tentativa de perpetuar a empresa, pois um sócio capitalizado poderia dar novo fôlego aos investimentos. 

Se sair do papel, esse poderá ser um dos maiores negócios do setor de saúde no Brasil. Maior, inclusive, que a venda da Amil para a americana UnitedHealth, em 2012, por quase 10 bilhões de reais. 

De acordo com os executivos que estão negociando a aquisição, por se tratar de um grupo de 24 acionistas, o risco é que não haja consenso na hora da assinatura. Já que os sócios possuem perfil e interesses bem diferentes. 

Segundo um membro da cúpula da Core, alguns dos sócios mais jovens têm ressalvas com a venda porque as ações do Fleury caíram 14% em 2013, mesmo com a alta de 9% no dia 14 de novembro, quando o laboratório confirmou que estava à venda.

Esse grupo acredita que poderia propor um aumento de capital que garanta o controle do Fleury à Core, mesmo que outros acionistas decidam vender sua participação, ou sugerir uma associação com outra empresa do setor. mesmo assim, qualquer que seja a decisão final, ela só deverá ser conhecida no ano que vem.

*As informações são da Exame.



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